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A-24

Youtube: 5 anos (15.02.2011)

por A-24, em 15.02.11
Se um extraterrestre descesse à Terra e, qual investigação sociológica, passasse os olhos pelo YouTube, espantar-se-ia com a bizarria de tudo aquilo. Numa mesma plataforma, podem ver-se alguns dos melhores e dos piores momentos do desempenho humano. Por um lado o derrube de ditaduras e, por outro, mulheres a deitarem gatos para contentores do lixo. Discursos históricos e cenas de tortura. A ida à Lua e o Holocausto.
O Youtube transformou-se num espelho da própria Humanidade, capaz do melhor e do pior. O mais frequente, porém, é ser um espelho do quotidiano. Banalidades como cães a perseguirem aspiradores, uma criança a queixar-se que o irmão mais novo lhe trincou o dedo e experiências com Coca-Cola e Mentos são alguns dos exemplos.
E não esquecer as pop stars. 2010 foi o ano do Justin Bieber e da Rihanna, da Lady Gaga e da Shakira e seu Waka Waka. Mas foi também o ano em que os dez vídeos mais populares do YouTube acumularam 250 milhões de visionamentos. Neste saco dos mais populares coube, por exemplo, uma miúda de três anos a chorar pelo cantor adolescente Justin Bieber e um cidadão norte-americano chamado Antoine Dodson cujo depoimento após a entrada de intruso em sua casa deu origem um remix musical viral: a Bed Intruder Song. Parece estranho que o mundo saiba quem é Dodson, mas os números não mentem: graças ao YouTube, o vídeo por si protagonizado foi visto mais de 53 milhões de vezes. Esta espécie de rap vendeu-se aos milhares no iTunes e deu entrada na lista Billboard Hot 100.
Este é um dos encantos do YouTube. Qualquer um pode transformar-se numa estrela do dia para a noite. Aconteceu precisamente com Bieber. Um dia comia cereais e bebia leite achocolatado no Canadá e no outro era afilhado do Usher e deslumbrava todas as pré-adolescentes acima do Trópico de Capricórnio. Em Portugal tivemos a Ana Free, que saltou do Youtube para as bandas sonoras das telenovelas da SIC.

Revolucionário

O nome de domínio YouTube.com foi activado a 15 de Fevereiro de 2005. Foi uma criação de três funcionários da empresa de pagamentos online PayPal: Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim. O momento exacto em que estes três jovens decidiram avançar com a ideia de um site de vídeos é ainda uma nebulosa. Vários media têm noticiado que o conceito surgiu quando perceberam que era difícil partilharem online vídeos feitos num jantar em casa de Chad Hurley, mas esta versão dos acontecimentos já foi desmentida pelos próprios criadores.
O vídeo inaugural colocado na plataforma chama-se “Me at the Zoo” [Eu no Zoo] e é protagonizado por um dos três criadores do site: Jawed Karim. No clip - que dura escassos 19 segundos e que foi colocado online a 23 de Abril de 2005 - Karim relata como são “fixes” as longas trombas dos elefantes numa visita ao zoo de San Diego.
Em Maio de 2005 o site entrou em fase beta de experimentação e seis meses depois, em Novembro de 2005, o YouTube foi oficialmente lançado. O sucesso foi explosivo. Em Julho de 2006, a empresa anunciou que mais de 65 mil vídeos eram colocados online todos os dias e que o site registava uma média de 100 milhões de visitas diárias.
O sucesso foi planetário e, em finais de 2006, o gigante Google comprou-o por 1,65 mil milhões de dólares (cerca de 1,3 milhões de euros, no câmbio da altura).
Actualmente, os números são esmagadores: o YouTube diz que são colocadas no site 35 horas de material novo a cada minuto que passa e que cerca de três quartos desse material chega de fora dos EUA.
A seguir ao motor de busca Google e à rede social Facebook, o YouTube é o terceiro site mais consultado em todo o mundo. Nestes seis anos, esta plataforma não potenciou apenas a revolução de nos mostrar o mundo. Ou pelo menos de abrir milhões de janelas sobre ele. Desde 2005 que o YouTube potenciou revoluções reais, a mais recente das quais no Egipto. 
Os sites da chamada Web 2.0, aquela que transforma os utilizadores passivos em utilizadores comunicantes e pró-activos, veio alterar o mundo e o YouTube faz parte deste universo em que cada cidadão pode ser um repórter. Nos últimos anos deu-se uma revolução nos media e os blogues, as redes sociais e o YouTube são parte dessa revolução. Hoje em dia, as imagens de um acidente, sismo, cheia, vulcão em erupção, explosão, incêndio ou amaragem no Hudson estão online passados poucos minutos.Paralelamente, os pequenos abusos de poder, os pequenos delitos e as faltas de respeito já não ficam sem registo. Qualquer pessoa munida de uma câmara, num mundo cada vez mais cheio de dispositivos portáteis com capacidade de gravação, pode denunciar este tipo de situação. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o actor Michael Richards (o Kramer da série Seinfeld), que ofendeu alguns espectadores durante um espectáculo de stand-up usando a palavra “nigger”.
Outro impacto a ter em conta é a maneira como o Youtube veio revolucionar a forma como vemos televisão. A TV e a Internet estão, aliás, cada vez mais próximas. Todos aqueles que já ligaram a TV e o computador através de um cabo HDMI já fazem hoje a sua própria programação, tendo uma relação muito menos passiva com a caixinha mágica, que agora mais parece uma superfície interactiva.
Cada vez menos pacientes com os programadores dos canais - que ditam quem vê o quê e a que horas - o YouTube foi igualmente um dos sites que veio dar às pessoas aquilo que elas querem ver às horas que quiserem. Em Novembro de 2008, o YouTube chegou a acordo com a MGM, a Lions Gate Entertainment e a CBS, para que estas pudessem começar a disponibilizar filmes e episódios completos de séries, acompanhados de publicidade, na secção “Programas” do site. Esta manobra foi encarada como a resposta a sites como o Hulu, que nos EUA disponibilizam em streaming material da NBC, Fox e Disney.
Em Janeiro de 2010, o Youtube introduziu um serviço de aluguer de filmes online que, actualmente, permanece apenas disponível para os utilizadores norte-americanos.
Por depressa se ter afirmado como um site transformador e revolucionário, a revista “Time” escolheu precisamente o YouTube como “Personalidade do Ano” em 2006. Sobre o futuro desta plataforma, arriscamos prever que irá crescer e prosperar, embora venha a enfrentar, seguramente, uma séria concorrência parte do Facebook.