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A-24

WikiLeaks: Bento XVI opõe-se à adesão da Turquia à UE

por A-24, em 11.12.10
O Papa Bento XVI é visto como responsável pela crescente hostilidade do Vaticano em relação à eventual adesão da Turquia à União Europeia, revelam telegramas diplomáticos divulgados pela WikiLeaks.
Segundo o diário britânico “Guardian”, uma das publicações que teve acesso aos documentos, já em 2004 o então cardeal Ratzinger falava publicamente contra a entrada de um país maioritariamente muçulmano na UE. 
A Santa Sé era oficialmente neutra sobre esta matéria, o que levou o monsenhor Pietro Parolin, secretário de Estado em funções, a sublinhar que se tratava de uma opinião pessoal. Os telegramas revelam, no entanto, que Ratzinger era já o membro da Cúria romana mais envolvido nos esforços para que o futuro Tratado de Lisboa sublinhasse as raízes culturais judaico-cristãs da Europa. 
A iniciativa, que não colheu apoios suficientes entre os Estados-membros, desagradava a Ancara, que a interpretava como um sinal vermelho à sua candidatura. Em 2006, já com Ratzinger no trono de São Pedro, a oposição do Vaticano à adesão turca torna-se-ia mais visível, segundo um telegrama enviado para Washington pelo encarregado de Negócios norte-americano. Parolin confiara-lhe que o Papa não se pronunciaria a favor ou contra a entrada, mas temia que os Estados-membros não estivessem a pressionar o suficiente para forçar a Turquia a respeitar a liberdade de culto. Três anos mais tarde, o então embaixador norte-americano informava o Presidente Barack Obama, que se preparava para visitar Roma, que Bento XVI preferia que, ao invés da adesão, a UE oferecesse a Ancara uma “parceria especial” – solução do agrado também de Berlim e Paris, e que o Governo turco rejeita.