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A-24

Vitória de 93% à secessão da Crimeia

por A-24, em 16.03.14
Cerca de 93% dos eleitores da península ucraniana da Crimeia votaram a favor de uma união com a Rússia, segundo sondagens à boca das urnas citadas pela agência russa RIA, meia hora depois de terem fechado as urnas. Outra agência russa, a Interfax, falava de uma taxa de participação de 80% no referendo, considerado ilegal pela Ucrânia, Estados Unidos e União Europeia.
Antecipando um resultado favorável à secessão da Ucrânia, a União Europeia preparava-se já para aprovar, segunda-feira, sanções dirigidas a pessoas concretas.
Os eleitores, milhão e meio, foram convidados a escolher entre a integração na Federação da Rússia e uma autonomia mais alargada no seio da Ucrânia. Apoiada pelo Governo de Moscovo, a consulta eleitoral foi organizada pelas autoridades pró-russas locais num tempo recorde de duas semanas. A votação decorre sem a presença de observadores independentes ou jornalistas locais.
Mais de seis horas após a abertura das urnas, fontes oficiais disseram à BBC que a participação tinha já ultrapassado 50% dos inscritos.
Ninguém acredita que o referendo, que o Governo de Kiev e os países ocidentais consideram violar a Constituição ucraniana, seja desfavorável à separação da Ucrânia, devido ao peso maioritário dos russófonos na população - 58,5%, segundo os censos de 2001. A votação é boicotada pela população tártara.
“Vim votar neste dia de festa para benefício da Crimeia e dos seus habitantes e agora vou celebrar”, disse à Reuters Vladimir, um eleitor dos seus 40 anos, depois de votar num escola na região de Simferopol, a capital.
As perguntas feitas aos eleitores prevêem duas hipóteses – a primeira é a secessão e reunificação com a Rússia, a segunda o regresso à Constituição de 1992, que permite maior autonomia e dá poder aos órgãos regionais para escolherem o seu rumo. Também esta daria a hipótese aos novos líderes de optarem por uma integração com a Rússia. Apenas a hipótese de manter a Crimeia com o seu estatuto actual (com autonomia mas na Ucrânia) não era prevista nesta consulta, sublinharam analistas.
As urnas abriram às 8h00 locais (6h00 em Portugal Continental) e encerraram 12 horas mais tarde. 
O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que “respeitará a escolha dos habitantes da Crimeia”. A declaração consta de um comunicado do Kremlin, que dá conta de uma conversa telefónica de Vladimir Putin com Angela Merkel, a pedido da chanceler alemã.
Bem diferente é a forma como a União Europeia olha para o referendo. Já este domingo, insistiu em classificá-lo como “ilegal e ilegítimo” e confirmou que o resultado “não será reconhecido”. Numa declaração conjunta, os presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, Durão Barroso, condenaram a consulta eleitoral e anunciaram que, na segunda-feira, os ministros europeus dos Negócios Estrangeiros discutirão em Bruxelas a possibilidade de sanções, nos termos de uma declaração de chefes de Estado e de governo tomada a 6 de Março.
Nesse dia, os dirigentes europeus chegaram a acordo sobre a aplicação de sanções dirigidas a pessoas específicas, sob a forma de congelamento de bens e restrição de vistos, se a Rússia não promovesse com rapidez uma “desescalada” de tensão.Os embaixadores da UIE devem reunir-se ainda este domingo para definir uma lista de responsáveis russos e ucranianos pró-russos visados pelas sanções, noticiou a AFP.

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