Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A-24

Vitória com que nem a União Soviética sonhava

por A-24, em 22.07.13
As Universíadas de 2013, realizadas na cidade russa de Kazan, terminam hoje com uma estrondosa e nunca vista vitória dos desportistas da Rússia. Foram tantas as medalhas ganhas pela Rússia que fazem inveja às vitórias soviéticas nas competições internacionais.
Os atletas russos ganharam 292 (!) medalhas: 155 de ouro, 75 de prata e 62 de bronze. O segundo lugar foi para a China com 77 (!) medalhas: 26 de ouro, 29 de prata e 22 de bronze. Os Estados Unidos ficaram apenas em 7º lugar com 40 medalhas: 11 de ouro, 14 de prata e 15 de bronze.

Porém, eu não sou levando a afirmar que esses resultados representam o verdadeiro estado nem do desporto universitário, nem do desporto internacional.

Pelo contrário, eles mostraram que os organizadores da prova estudantil não pouparam esforços para tentar provar os “grandes êxitos do desporto russo”, imitando a União Soviética na utilização do desporto como arma na “guerra fria”.
Para isso, Moscovo recorreu a cerca de 50 medalhados em Jogos Olímpicos e meia centena de “mestres eméritos do desporto da Rússia” para cilindrar os adversários.
Claro que, do ponto de vista da lei, a Rússia cumpriu as normas das Universíadas, acredito que todos os membros da sua equipa ainda sejam estudantes, mas, moralmente, duvido que tenha tomado a melhor das decisões. 
Claro que, para consumo interno, esta vitória está a ser explorada até à exaustão, sendo apresentada como fruto do “patriotismo” e da preocupação das autoridades russas com o desporto.
Porém, a realidade é bem diferente e os resultados das Universíadas estão longe de refletir o verdadeiro estado do desporto russo.
Há muito que competições desportivas como Universíadas, Jogos Olímpicos, etc. se transformaram em meio de luta política a nível mundial, com o emprego de meios tão sujos como o doping. Por isso, não liguei a televisão para ver qualquer competição das Universíadas de 2013 e as bancadas dos estádios não pareciam muito cheias.
Os russos gastaram milhões para vencer, os chineses fazem o mesmo, norte-americanos também... Mas, desta vez, acho que Moscovo exagerou.

José Milhazes