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A-24

Vade retro machistas de esquerda (sim, a propósito da morte da Maggie)

por A-24, em 15.04.13

É um facto: não há nada que a malta de esquerda mais odeie do que uma mulher de direita. Não sei se por se sentirem traídos (achando que os assuntos femininos são uma coutada da esquerda) ou ameaçados (more of which later). Não conseguem fazer um ataque político que, mais cedo ou mais tarde, não vá para as características pessoais da mulher de direita. E não umas quaisquer características pessoais, que chega-se inevitavelmente a terrenos muito básicos. Tem sempre de haver comentários aos atributos físicos (ou falta deles) da senhora em questão e à vida sexual (ou falta dela) que se lhe atribua. Segundo consta, para dar um exemplo, era nestes termos que o moderno e progressista sócrates, esse semi-deus que libertou as mulheres portuguesas de gravidezes indesejadas a expensas do contribuinte, se referia a Manuela Ferreira Leite. E que dizer da divulgação da fotografia de Merkel (ou não) nua que há pouco tempo correu mundo nas redes sociais? Como diz a Carla, temem-na tanto que têm de a ver nua. (Não, esta discussão de atributos físicos não é equivalente à muito menos maliciosa que se faz aos homens políticos (as bochechas de Mário Soares, por exemplo). 
Margaret Thatcher desperta os piores comentários nestes machistas de esquerda – que, refira-se, são dos dois sexos e já me ocuparam o teclado anteriormente, por exemplo aqui. Thatcher era, dizem, totalmente desprovida de feminilidade. Praticamente um homem de saias. Não conta, portanto, para a história da política no feminino. (E é aqui indiferente se os relatos do que a conheceram bem desmentem a versão ou não). A determinação, a clareza de ideias, a ambição, a capacidade de realização, o espírito guerreiro são, portanto, para a esquerda, qualidades masculinas qua caem mal quando se encontram no mulherio. Eu, que tenho mau feitio (qualidade também só aceite no masculino), desconfio que a característica que mais amedronta estes machistas de esquerda em mulheres como Thatcher é mesmo a insubmissão. Qualquer mulher que tenha a mania exótica de que a sua opinião conta e deve ser defendida com afinco percebeu já muitas vezes num seu interlocutor masculino a surpresa e a indignação por ser posto em causa por uma mera mulher – algo que eu acho particularmente divertido de assistir e, sobretudo, provocar.
E vendo certo padrão de casamentos de pessoas de esquerda mais esta minha desconfiança ganha espessura. A mulher traída que permanece junto do seu traidor marido parece um clássico actual dos casamentos políticos à esquerda: os Clinton, os Miterrand, Royal e Hollande,… Não que eu tenha alguma coisa a dizer sobre estes casamentos; se são ou foram felizes assim, óptimo para mim; se são ou foram infelizes mas preferiram continuar infelizes, óptimo para mim também; se o casamento é ou foi uma mera formalidade com objectivos políticos ou de qualquer outro tipo, novamente óptimo para mim; não tenho de julgar os casamentos dos outros. Mas não posso deixar de ficar perplexa com o padrão existente pelo que revela do que se espera de uma mulher. Não se trata sequer dos casamentos da upper class britânica em que os esposos se traem mutuamente e alegremente, que são mais igualitários e contêm alguma sabedoria. A minha perplexidade provém disto: as senhoras destes casamentos de esquerda, e, no caso de Royal e Clinton, políticas elas próprias, são reminiscentes de uma Maria Teresa de Áustria lívida com Louise de La Valliére e Athénais de Montespan. Em nada semelhantes às mulheres independentes que supostamente agradam à esquerda. Reconheça-se: a anos-luz de uma mulher com a têmpera de Thatcher.
Maria João marques n'O Insurgente

Sarah Palin tem uma filha de 17 anos grávida. Eu não sei que adolescências entorpecentes esta gente levou, mas pela minha experiência pessoal, durante este período de vida, bastava a minha mãe sugerir-me alguma acção para eu fazer o contrário, e deve ter sido alvo de bastante pedagogia invertida para ter resultado tão bem (digo eu, claro). O meu ponto: que culpa tem Palin que a filha tenha engravidado? Deveria tê-la encarcerado a partir do momento que desconfiou que o sexo oposto agradava à rapariga? O mais curioso nesta situação: foram os falcões liberais que espumaram de contentamento ao saber desta gravidez, esperando um repúdio generalizado da direita conservadora, milhões de dedos acusadores espetados à Menina Palin e respectiva mãe que não foi capaz de guardar a virtude da filha para ocasiões mais propícias. Como não entendem nada de religião, ficaram deveras desiludidos quando os evangélicos apenas reconheceram o que é admirável nesta história: que uma adolescente de 17 anos grávida escolha levar a gravidez ao seu termo e case com o pai do seu filho.