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A-24

Um sucessor de Mandela tomava duche para limpar a sida

por A-24, em 10.12.13
Henrique Raposo
A beatificação de Mandela tem ainda outro problema : esconde a estupidez provinciana de alguns dos sucessores do grande Madiba, uma estupidez particularmente cristalina na questão da sida. Na barra do tribunal (2006), perante a mulher que o acusava de violação, Jacob Zuma afirmou que tomou duche a seguir ao acto sexual porque queria limpar o vírus HIV com aguinha e sabão azul e branco. Um visionário. Mas o caso torna-se ainda mais trágico ou cómico quando adicionamos o seguinte ponto: Zuma sabia de antemão que aquela mulher estava infectada com HIV, mas, mesmo assim, avançou para o acto sem qualquer tipo de protecção. Como se sabe, Zulu que é Zulu não usa camisinha.

Mais tarde, já como Presidente, Zuma deu vários passos atrás na estupidez, reconheceu o problema, tomou medidas pessoais (circuncisão, testes, casou com mais uma mulher, a terceira) e implementou políticas (promoveu a circuncisão, lançou programas anti-sida). Problema resolvido? Não. Zuma não é a excepção mas a norma junto da elite do ANC. Thabo Mbeki, o primeiro sucessor de Mandela, chegou a dizer que nunca tinha conhecido ninguém com sida. Repare-se que a infecção do HIV é o maior flagelo da África do Sul, o país mais infectado do mundo (5,6 milhões de infectados numa população de 51 milhões). Ou seja, Mbeki permitiu a morte de centenas de milhares de compatriotas, porque foi incapaz de implementar um programa de saúde anti-HIV, porque foi incapaz de reconhecer a existência do problema. Porquê? Mbeki meteu na cabeça que a sida é uma invenção ocidental - uma tese com muitos adeptos na cultura do ANC e de outros movimentos africanos. 
Enquanto os vizinhos Botswana e Namíbia lançavam programas com modernos anti-retrovirais, o ministro da saúde de Mbeki, Manto Tshabalala-Msimang recomendava uma mezinha com alho, sumo de limão e beterraba como solução para a epidemia. E Tshabalala-Msimang e Mbeki não associavam as mortes da epidemia de sida ao vírus HIV, diziam que essas mortes resultavam apenas da má-nutrição e da pobreza. Dentro desta onda lunática, Mbeki chegou a acusar um imunologista local, Malegapuru Makgoba, de ser um mero "defensor da ciência ocidental" e de "ter visões racistas sobre os africanos". Pior: Mbeki afirmou que Malegapuru Makgoba estava apenas ao serviço de uma conspiração da indústria farmacêutica do Ocidente, essa entidade mefistofélica que só quer vender placebos aos idiotas dos africanos. Se a memória não me falha, uma ministra de Mbeki deu o passo seguinte na teoria da conspiração, a saber: o vírus HIV só pode ser uma invenção de laboratórios ocidentais, não é verdade? 

É este o perigo da era pós-Mandela. Liderada pelo fanatismo anti-branco de muitos sectores do ANC, a África do Sul pode entrar na rota do ódio, a rota interrompida por Mandela. Este caminho à Mugabe bloqueia qualquer tipo de racionalidade, aliás, vê a racionalidade como algo intrinsecamente branco, logo mau.

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