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A-24

Um diagnóstico certeiro do estado a que chegámos

por A-24, em 12.07.13
António Ribeiro Ferreira, E assim acaba a aventura de um emigrante que sonhou ser possível mudar Portugal:


«Álvaro Santos Pereira devia ter pedido a demissão logo que percebeu que neste país em que o mercado é uma ficção e a concorrência um crime sem perdão, cortar as rendas excessivas na energia, leia-se na EDP, e nas poderosas PPP que tanto dinheiro deram e dão a ganhar a construtores civis, bancos, consultores financeiros, escritórios de advogados e partidos políticos do arco da governação é um suicídio político. Álvaro ficou e deixou sair o seu secretário de Estado da Energia, expulso do paraíso por quem manda de facto no país.
Álvaro Santos Pereira devia ter pedido a demissão quando quis combater a burocracia do Estado, que começa nos gabinetes do poder, passa pelas direcções- -gerais, institutos, agências do ambiente, comissões de coordenação regional e acaba no mundo autárquico e percebeu que era um combate desigual, impossível de vencer num país em que o Estado foi há muito aprisionado pelos partidos que assim controlam os investimentos, os negócios e os empresários. E quando percebeu que a burocracia é o ganha pão de milhões e o fermento da corrupção que grassa no país.
Álvaro Santos Pereira devia ter pedido a demissão quando percebeu que os parceiros da concertação social vivem há anos à sombra do Estado e das migalhas que caem da mesa do orçamento. Odeiam o risco, o investimento e qualquer sinal de mudança é motivo para escândalo e pedidos lancinantes de intervenção de poderes supremos que ponham na ordem quem quer mexer e agitar as águas do pântano há muito instalado.
Álvaro Santos Pereira devia ter pedido a demissão quando percebeu que falar em Portugal de reindustrialização, crescimento económico e investimento é motivo de escárnio e maldizer. Álvaro Santos Pereira devia ter percebido que em Portugal um bom ministro da Economia é o que dá negócios aos empresários do regime e os protege de qualquer tipo de concorrência:".