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A-24

Um campeonato mais verde... ou estarão as uvas demasiado verdes?

por A-24, em 23.12.13
Passado quase meio campeonato, o Sporting é um dos líderes, isto a uma jornada dos mais directos rivais se defrontarem. A campanha leonina tem sido motivo das mais variadas análises de quem faz, passe o pleonasmo, da análise profissão, e tem motivado diversas conjecturas e discussões filosóficas, ou até metereológicas, nomeadamente por muitos comentadores desportivos que se mostram preocupados com a falta de chuva neste Outono. A última descoberta da temporada é a falta de qualidade do nosso campeonato, que serve de cabal explicação para o facto de uma equipa que terminou o ano passado em sétimo, e partia para este ano como claro outsider, na melhor das hipóteses, ombrear com os maiores orçamentos da Liga. Ou seja, o primeiro lugar do Sporting, segundo várias explicações, é a prova deste fenómeno, pois numa Liga de elevada qualidade e competitividade, os leões jamais teriam argumentos para tal posição. Em relação a esta questão, há dois pontos que parecem indiscutíveis: primeiro, o nosso campeonato É fraco; segundo, é incrível como certas pessoas só o perceberam quando os Williams e Adriens dão cartas em relação às contratações milionárias. 
Quanto à qualidade e competitividade, não há muito a discutir... cada vez há menos equipas competitivas, cada vez há menos emblemas a apresentar futebol de qualidade. Longe vão os tempos em que ir a Faro, Setúbal ou Guimarães eram autênticos suplícios para os candidatos ao título. Fruto da crise, do desinvestimento, seja do que for, o facto é que os clubes de segundo plano não só não conseguem atrair nomes sonantes (Mladenov, Yekini, por exemplo, eram internacionais em selecções de alto nível), como ainda veem sair elementos para grandes potências desportivas, como o Chipre ou a Roménia. Isto para não falar nas questões de salários em atraso, que prejudicam o desempenho dos jogadores, e que invariavelmente aparecem mais mês menos mês. Os jogos são jogados, há muito, a um ritmo deprimente, com alguns intérpretes a fazerem os espectadores questionarem o porquê de não terem seguido uma carreira de futebolista, os árbitros pouco fazem para que os jogos tenham um mais tempo útil e até apreciam que se jogue a passo de caracol, muitos conjuntos pouco mais fazem do que juntarem os seus homens de modo a reduzir o espaço de jogo e apostarem em lances de bola parada, e os treinadores parecem contentes quando as suas equipas perfazem 90 minutos de um jogo "sério", mesmo que durante esse período não tenham feito o guardião adversário sujar os calções. 
O nosso campeonato é muito, muito fraco, joga-se pouco (em compensação, fala-se muito) e mal, e os espectáculos são na maioria tão apelativos quanto o Branca de Neve, versão João César Monteiro. E esta análise, com a qual nem todos concordarão, leva ao segundo ponto... porquê os jornalistas e analistas apenas "hoje" chegaram a tal conclusão? É que este tem sido o caminho seguido pelo nosso futebol (apenas o Braga tem sido uma excepção, elevando a sua qualidade global) desde há alguns anos para cá. O ano passado, Porto e Benfica passearam, um Paços com um futebol rudimentar ficou em terceiro, e o pior Sporting de que há memória ainda conseguiu lutar por um lugar europeu até ao fim, e essa temporada foi apenas o corolário de uma estrada há muito trilhada, com destino à mediocridade. Porém, sempre nos venderam um campeonato de fino recorte, o quinto melhor da Europa, com "grandes" jogos, executantes notáveis e "competentes" equipas, arrumadinhas e bem orientadas, o que contrasta com a actualidade, em que tudo é questionado, da qualidade das equipas e treinadores, às habilitações dos jogadores que entram em campo, até às arbitragens que não defendem o espectáculo. Esta disparidade de opiniões, entre os tempos em que Benfica e Porto discutiam o título sozinhos e a dois, e estes em que o Sporting se intromete com propriedade na luta, só pode significar uma de duas coisas: ou a qualidade da Liga caiu a pique subitamente, ou então as uvas podem mesmo estar demasiado verdes.
via Visão de Mercado

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