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A-24

Tomada de decisão

por A-24, em 07.10.14


Golo de Messi no PSG 3 Barça 2

Basta muitas vezes um jogador ser rápido, forte e/ou tecnicamente evoluído para nos despertar o nosso fascínio. Porque x corre como ninguém e ultrapassa qualquer adversário em velocidade; porque y ganha as bolas com a sua presença e poderio físicos, um terror para os defesas contrários; porque z faz fintas num espaço de dois centímetros quadrados e não há quem lhe roube a redondinha. Contudo, tais atributos (importantes, naturalmente), a não ser que combinados com uma boa capacidade de tomada de decisão, acabam por se revelar manifestamente insuficientes no futebol (especialmente o profissional, mais ainda a alto nível).
Um exemplo gritante foi o de Hulk, que quando chegou ao FC Porto revelava exasperantes lacunas ao nível da tomada de decisão e, após trabalhar com o Prof. Jesualdo, tornou-se o jogador mais determinante dos dragões dos últimos anos, pois não só mantivera a velocidade, força e técnica que o caracterizavam e lhe vaticinavam grande potencial, como adquirira uma inteligência ao nível do que fazer com a bola; uma diferença abismal relativamente à altura da sua chegada.
Porém, tal problema não está presente apenas nos escalões profissionais e, como é de pequenino que se torce o pepino, o erro começa logo nos escalões de formação. Aí dá-se inúmeras vezes preferência aos mais “fortes” em detrimento dos mais “cerebrais”, no entanto, uma vez chegados ao escalão sénior, os atributos físicos que os distinguiam dos demais da sua idade deixam de fazer tanta diferença e a maioria dos supostos atletas “fortes” acabam por não fazer carreira significativa. A exemplo disso, basta atentar em muitos dos jogadores que passaram pelos escalões de formação da Selecção e lá fizeram furor, chegando depois ao futebol sénior para nada fazerem.
Quaresma é talvez um dos melhores exemplos do futebol actual. Em dez tentativas, acerta uma ou duas; e acerta-as não em função de uma boa tomada de decisão, mas devido à sua qualidade técnica. Claro que tendemos a ficar fascinados quando realmente faz algo e tem a oportunidade de nos maravilhar com os seus pés de Harry Potter, todavia, esse par (se tanto) de ocasiões em que toma decisões acertadas não compensam, nem pouco mais ou menos, todos os outros momentos em que pode ter prejudicado a equipa — para além de não respeitar os colegas, nomeadamente o lateral que joga na sua banda. Tal facto foi por demais evidente na segunda mão dos quartos-de-final da Liga Europa em Sevilha, na época passada: o Mustang marcou perto do final um grande golo, mas antes disso já havia frustrado dezenas de jogadas em iniciativas (quase sempre individuais) sem qualquer sentido.
Ressalve-se um dado crucial: uma decisão correcta não é necessariamente uma decisão que resulta em golo, mas sim uma que aumentará as hipóteses de a equipa se dar um passo mais na direcção do sucesso e, quiçá igualmente importante relevar, que evita que a equipa dê um passo atrás nesse caminho. Exemplo de tomada de decisão perfeita é o golo de Messi contra o PSG na segunda jornada da Liga dos Campeões. Visão de Mercado

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