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A-24

Tão bonzinhos: aceitaram-nos, com magnanimidade e benevolência, no regime

por A-24, em 29.04.13
Este parágrafo de Sérgio Lavos é todo um retrato da esquerda – tão querida, tão cutchi-cutchi-cutchi que até aceita os monstros (é ler a descrição abaixo) da direita no regime:
E durante trinta e nove anos, a direita que derrubámos foi aceite no seio do regime. A direita que promove a desigualdade, o darwinismo social e que existe para manter e proteger os interesses instalados. A direita que luta contra o progresso, a justiça e a possibilidade de quem nasce pobre chegar a ter algum conforto material e felicidade. A direita que prefere ver serviços que devem ser públicos – a saúde, a educação – nas mãos do lucro privado. A direita das corporações, herdeira da direita salazarista que durante cinquenta anos protegeu um reduzido número de grandes empresas que viviam à sombra do Estado. A direita que prefere o respeito pelas instituições ao direito ao protesto, o consenso às eleições, a manutenção de uma paz podre a dar voz ao povo que não ser revê em quem nos governa’
Vamos por agora deixar de lado o facto de as pessoas como o Sérgio Lavos não conhecerem a direita mas apenas as teias de aranha que têm na cabeça e confundem com a direita e concentremo-nos na bondade de Sérgio Lavos and the likes em nos aceitarem, gente de direita, no regime. Porque não é um direito nosso, gente de direita, fazer parte desta democracia. Não, nós não temos direitos, somos uma casta de intocáveis políticos. A gente de esquerda, como é boa e magnânima, é que, e apesar de nós, gente de malandragem, não merecermos, nos faz o altíssimo obséquio de nos aceitar no regime que, em boa verdade, é deles.
A cada 25 de Abril se confirma: quem mais fala do 25 de Abril é quem menos percebe de democracia.
Maria João Marques n'O Insurgente

O arrastão do liberticídio


A Maria João Marques chamou aqui a atenção para esta brilhantíssima posta do Sérgio Lavos. Reparem só no título aterrorizador, quase dantesco, do texto: "25 de Abril ameaçado". Aqui d'El Rei que a direita quer acabar com as liberdades. Cuidado, povo português. Nós, a vanguarda intelectualeira das esquerdas bem-pensantes, temos a solução para o problema da Direita, esse monstro das bolachas que quer comer o zé povinho e rapar o tacho. Mas o melhor vem agora. Leiam e admirem o vigor democrático desta frase: "E durante trinta e nove anos, a direita que derrubámos foi aceite no seio do regime". É fantástico, não é? Ou seja, a esquerda dos arrastões, dos Vítor Dias, e, também, dos Jugulares galambianos crê que a direita só cá está porque foi aceite benevolamente pela esquerda. Conceitos como liberdade, tolerância, pluralismo de opiniões não interessam rigorosamente nada. O que importa é que o regime é da esquerda. É curioso, não é? Para quem defende um conceito de propriedade bastante lato, não deixa de ser interessante verificar que a esquerda entende o regime como uma coutada privada. A vida tem destas ironias. O Sérgio Lavos tem, de facto, muita piada. Demasiada até. Tem tanta que eu, ingénua e parvamente, estou a dar tempo de antena a estes disparates. Sem embargo, e como nem tudo é mau, tenho de fazer um pequeno elogio ao Sérgio: ao menos o arrastão foi capaz de admitir que o objectivo da esquerda de que faz parte é afastar a direita do poder, e porque não, da cena política. Quem diz coisas como esta, "esta direita é um cancro da democracia, um perigo que precisa de ser rapidamente afastado", demonstra cabalmente o que pretende e o que deseja. O que vale à esquerda reaccionária, virulenta e antidemocrática deste regime, é que os nossos talassas são muito moderados e serenos. E, acima de tudo, tolerantes. É esta a grande diferença. 
João Pinto Bastos n'O Estado Sentido