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A-24

Surto de legionella em Portugal é o mais mortífero do mundo

por A-24, em 17.11.14
SOL

O surto de legionella em Portugal já é o mais mortífero do mundo. As autoridades confirmaram ontem que uma mulher de 89 anos, residente no Forte da Casa, se tornou a oitava vítima da bactéria, o que faz com que a mortalidade do surto de Vila Franca Xira ultrapasse a registada nos surtos do Japão e no Reino Unido. Estes dois surtos, considerados os maiores do mundo e que ocorreram em 2002, tinham ambos registado 7 mortos.
A Direcção-Geral de Saúde insiste que a “taxa de letalidade é baixa”, 2,5% e até estima que o número de mortos irá crescer
Apesar deste recorde em Portugal, a Direcção-Geral de Saúde insiste que a “taxa de letalidade é baixa”, 2,5% e até estima que o número de mortos irá crescer. As estimativas das autoridades de saúde, que construíram modelos matemáticos para prever a evolução da doença, apontam que o número de vítimas mortais possa chegar a dez. 
O número de novos casos já não deve aumentar, já que as autoridades de saúde calculam que, a partir desta semana, não deverão surgir mais doentes infectados.

Vive com um fumador? O ar é sujo como em Pequim

por A-24, em 25.10.14
Observador


Um não-fumador que vive com alguém que fuma regularmente dentro de casa está exposto a um nível de partículas prejudiciais que é comparável a viver numa casa livre de fumo no centro de cidades como Pequim ou Londres, cidades com níveis elevados de poluição. A conclusão é de um grupo de investigadores da Universidade de Aberdeen.
O fumo em segunda mão pode ser mais prejudicial para a saúde do que se acreditava, a julgar pelas conclusões de uma investigação liderada por Sean Semple, da Universidade de Aberdeen, na Escócia. O problema está associado a um vasto leque de doenças respiratórias e cardiovasculares, o que tem levado vários países a restringir o fumo em locais públicos fechados como locais de trabalho e edifícios públicos.
Os investigadores analisaram a quantidade de partículas finas inaladas por alguém que vive com um ou mais fumadores, recorrendo a dados recolhidos entre 2009 e 2013 por quatro estudos diferentes e que mediram a qualidade do ar em 93 casas onde havia, no mínimo, um fumador e 17 casas onde ninguém fumava. A investigação revelou que a concentração de partículas finas nas 93 casas de fumadores era, em média, 10 vezes maior do que nas outras.
Os fumadores passivos estavam, de acordo com este estudo, expostos a níveis três vezes superiores aos máximos recomendados pela Organização Mundial de Saúde, no que diz respeito ao contacto com partículas finas prejudiciais.
Estes dados foram, então, comparados com os referentes à qualidade do ar nas casas livres de fumo, mas que se situam em cidades muito poluídas, como Pequim e Londres. Conclui-se que muitos fumadores passivos estão sujeitos a uma quantidade semelhante de partículas finas que alguém que vive ou trabalha nessas cidades.

O gene de dormir pouco

por A-24, em 06.08.14
Observador 

Deitar, fechar os olhos, esvaziar a cabeça e deixar o corpo desligar-se. Calma, aqui falamos apenas de dormir. Durante muito tempo, oito horas de hibernação era o ideal para a saúde e para enfrentar cada novo dia. Agora, ao que parece, apenas são necessárias sete, disse recentemente um estudo. Mas há quem passe bem até só com cinco. Quem nos diz? A ciência. Ou melhor, um gene.

Em código, chama-se ‘p.Tyr362His’. Nome complicado, portanto. Daí talvez que, ao escrever sobre a recente descoberta do Centro de Genómica Aplicada de Filadélfia, nos EUA, a imprensa inglesa se tenha lembrado de Margaret Thatcher. Essa mesmo, a Dama de Ferro. Mas isso nem é o mais importante — o que interessa esteve nas poucas horas que a antiga primeira-ministra britânica (entre 1979 e 1990) dormia por dia.
Isto porque raro era passar das quatro horas de sono, recordou o Daily Telegraph. Portanto, o tal gene foi batizado como o gene Thatcher. Em Portugal, de resto, também é possível ludibriar o original nome de código do gene. Basta ir buscar um exemplo de quem se habituou a dormir pouco e a viver bem com isso: Marcelo Rebelo de Sousa. Em 2003, por exemplo, garantiu ao Público que trabalhava até às 4h, 5h, e acordava depois entre as 8h e as 8h30.
E pronto, para nós fica o gene Marcelo. Mas, afinal, do que se trata? Entra a ciência. Em suma, os investigadores do Centro de Genómica Aplicada de Filadélfia descobriram que as pessoas portadoras deste gene conseguem “funcionar” com menos de cinco horas de sono. A conclusão surgiu após analisarem 100 pares de gémeos e as diferenças entre os padrões de sono de cada um.
O estudo, publicado na revista científica Sleep, concluiu que os gémeos portadores do gene dormiam sempre menos horas. E, sobretudo, mostrou que, após 38 horas sem dormir, quem possuía o gene Marcelo executava melhor algumas tarefas mentais que lhes eram pedidas.
Num par de gémeos, a diferença foi notória — após dia e meio privados de sono, um deles dormiu durante oito horas, enquanto o outro pernoitou por 9,5 horas. E o que dormiu menos horas até cometeu menos 40% de erros nos exercícios que, depois, lhes foram pedidos. “Isto revela que a nossa necessidade de dormir é um requerimento biológico, e não uma questão de preferência pessoal”, defendeu Timothy Morgenthaler, presidente da Academia da Medicina do Sono norte-americana.
Agora, já sabe — se conhecer uma pessoa a quem pouco dormir nada interfere na atividade diária, lembre-se que a culpa poderá ser do gene ‘p.Tyr362His’. Caso não se recorde do nome, pense em Marcelo Rebelo de Sousa.

Sobre a Gripe Espanhola

por A-24, em 22.05.14
Recordando a Gripe Espanhola, um dia apos as declaracoes de Jean Marie Le Pen, em campanha para as Europeias, como o Ebola poderia resolver o problema da Imigracao em Franca.
A Gripe de 1918 (frequentemente citada como Gripe Espanhola) foi uma pandemia do vírus influenza que se espalhou por quase toda parte do mundo. Foi causada por uma virulência incomum e frequentemente mortal de uma estirpe do vírus Influenza A do subtipo H1N1.
A origem geográfica da pandemia de gripe de 1918-1919 (espanhola) é desconhecida. Foi designada de gripe suína , gripe espanhola, gripe pneumónica, peste pneumónica ou, simplesmente, diacho pneumónica.
A designação "gripe espanhola" deu origem a algum debate na literatura médica da época, que talvez se deva ao fato de a imprensa na Espanha, não participando na guerra, ter noticiado livremente que civis em muitos lugares estavam adoecendo e morrendo em números alarmantes.
A doença foi observada pela primeira vez em Fort Riley, Kansas, Estados Unidos, em 4 de Março de 1918,1 e em Queens, Nova Iorque em 11 de Março do mesmo ano.
Os primeiros casos conhecidos da gripe na Europa ocorreram em Abril de 1918 com tropas francesas, britânicas e americanas, estacionadas nos portos de embarque na França.
Em Maio, a doença atingiu a Grécia, Portugal e Espanha. Em Junho, a Dinamarca e a Noruega. Em Agosto, os Países Baixos e a Suécia. Todos os exércitos estacionados na Europa foram severamente afectados pela doença, calculando-se que cerca de 80% das mortes da armada dos EUA se deveram à gripe.


A pandemia desenvolveu-se em três ondas epidémicas:
A primeira, mais benigna, termina em Agosto de 1918;
A segunda inicia-se no outono e termina entre os meses de Dezembro e Janeiro, tendo sido de extraordinária gravidade, afetando uma grande parte da população e com uma taxa de letalidade de 6 a 8%;
A terceira e derradeira, começa em Fevereiro de 1919 e termina em Maio do mesmo ano.
A pandemia, caracterizou-se mundialmente pela elevada morbilidade e mortalidade, especialmente nos sectores jovens da população e pela freqüência das complicações associadas. Calcula-se que afetou 50% da população mundial, tendo matado cerca de 40 milhões de pessoas, pelo que foi qualificada como o mais grave conflito epidémico de todos os tempos. A falta de estatísticas confiáveis, principalmente no Oriente (como China e Índia) pode ocultar um número ainda maior de vítimas.
É provável que o vírus responsável pela pandemia esteja relacionado com o vírus da gripe suína, isolado por Richard E. Shope em 1920.
Em Portugal, verificou-se uma elevadíssima taxa de mortalidade, com duas ondas epidémicas e uma ocorrência muito marcada entre os 20 e os 40 anos, que terá causado cerca de 120 000 mortos.2

No Brasil a doença chegou em setembro de 1918. No dia 24 daquele mês a Missão Médica enviada pelo país para ajudar no esforço de guerra francês foi atingida pela gripe no porto de Dacar, Senegal, que à época era colônia francesa. No mesmo mês chegou ao país o paquete Demerara, vindo da Europa, e que é apontado por alguns autores como o primeiro navio portador do vírus para dentro do Brasil. Em poucos dias a epidemia irrompeu em diversas cidades:Recife, Salvador e Rio de Janeiro, chegando em novembro de 1918 à Amazônia. Foram registradas em torno de 300 mil mortes relacionadas à epidemia. A doença foi tão severa que vitimou até o Presidente da República, Rodrigues Alves, em 1919.

Consumo de álcool em Portugal continua dos mais elevados da Europa

por A-24, em 12.05.14
A média de consumo de álcool em Portugal desceu de 14,4 para 12,9 litros per capita entre 2003 e 2010, mas continuava acima da média europeia de 10,9 litros, segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo os dados do documento, divulgado esta segunda-feira, Portugal mantém-se entre os 10 países da Europa com mais consumo de álcool médio por pessoa, numa lista com 44 países.
A Bielorrússia surge como o país com maior consumo, com uma média de 17,5 litros de álcool per capita, seguida pela Moldávia, com 16,8 litros e da Lituânia com 15,4.
Em Portugal, a média de consumo per capita passou de 14,4 litros no período 2003-2005 para os 12,9 litros entre 2008-2010, uma redução de 1,5 litros per capita.
Também a média europeia decresceu no mesmo período, passando de 11,9 litros para 10,9, mas a Europa continua a ser a região do globo onde o consumo é mais elevado.
Os homens portugueses consomem em média o dobro do que as mulheres, respetivamente com 18,7 litros per capita e 7,6 litros, segundo os dados do relatório, que reportam a 2010.

Números mais recentes, de 2012, são os relativos à influência do álcool nos acidentes rodoviários: 17,2 em cada 100 mil homens portugueses 4,8 em cada 100 mil mulheres morrem na estrada devido ao álcool.
No que respeita à prevalência de distúrbios ligados ao álcool e a situações de dependência, Portugal surge abaixo da média europeia.
Os dados de 2010 mostram que 5,8% da população portuguesa acima dos 15 anos manifestava distúrbios ligados ao álcool e que 3,1% tinha dependência.
Quanto ao tipo de bebida, em Portugal o vinho continua a representar 55% do álcool consumido, seguindo-se a cerveja com 31%, as bebidas espirituosas com 11% e outro tipo não especificado de bebidas com 3%.
Apesar de surgir, no conjunto dos países da Europa, com um elevado consumo per capita, Portugal tem também um grande número de abstémios, com 43% da população a não ter consumido álcool nos 12 meses anteriores.

O exercício engorda?

por A-24, em 19.11.13
Há não muito tempo lia-se na capa de uma revista que “Afinal, o exercício não emagrece”. E o argumento prendia-se exactamente com a ideia de que o exercício abre o apetite e é por isso compensado com um aumento da ingestão limentar. Esta ideia está ainda bem enraizada na sociedade, mas terá algum fundo de verdade e sustentação científica?
As alterações no dispêndio energético parecem de facto conduzir a alterações no apetite e ingestão alimentar mas, no decorrer das primeiras semanas de exercício, essa compensação é parcial e insuficiente para contrabalançar as calorias gastas. E poderá mesmo não ocorrer. Aliás, logo após o exercício, por vezes até se verifica o efeito contrário, isto é, uma supressão temporária do apetite – conhecida como “anorexia de esforço” – mas que se dissipa rapidamente. Por estas razões, os investigadores consideram não existir uma relação muito directa entre a prática de exercício físico e a ingestão subsequente, pelo menos no curto prazo.
Isto não exclui a possibilidade de certas pessoas apresentarem uma resposta compensatória mais marcada. A resposta ao exercício apresenta, de facto, uma elevada variabilidade individual. A título de exemplo, sabe-se que as pessoas que ganham mais massa magra e as que têm um maior desejo inato de comer alimentos calóricos evidenciam uma maior sensação de fome e um maior grau de compensação. 
Num horizonte temporal longo, a prática continuada de exercício regular suscita realmente adaptações na sensação de fome para responder às novas demandas energéticas e uma compensação torna-se evidente para a generalidade das pessoas. Mas esta questão não pode ser vista de uma forma simplista. É importante perceber-se que este fenómeno de compensação ocorre, mas não de forma desmesurada ou desregulada. Faz-se, sim, à custa do desenvolvimento de uma maior sensibilidade aos indicadores fisiológicos de depleção energética e de saciedade (i.e., que sinalizam quando o corpo já não precisa de alimento). Dito de outra forma, o exercício regular parece mover as pessoas para uma zona de melhor regulação fisiológica do apetite e saciedade, permitindo-lhes ajustar melhor o que comem em função do que gastam.
Para além desta adaptação fisiológica, o exercício regular parece também aprimorar a regulação cognitiva e deliberada da alimentação, por exemplo, através dos seus efeitos benéficos em vários marcadores do foro psicológico como a qualidade da motivação, a percepção de competência, a imagem corporal e a resistência ao stress. No fundo, disponibiliza mais recursos psicológicos que ajudam a fazer face ao meio ambiente “obesogénico” em que vivemos. 
Uma nota de precaução: Se é verdade que o aumento do exercício leva a um ajuste na ingestão alimentar, o contrário não acontece. Ou seja, a redução dos níveis de actividade física não é necessariamente acompanhada por uma redução proporcional do apetite e ingestão calórica. Com efeito, abaixo de certo nível de actividade física, a relação entre o dispêndio e o consumo energético dissipa-se e a regulação do apetite deixa de responder tão sensivelmente aos sinais fisiológicos, passando a ser mais influenciada por factores ambientais que actualmente nos predispõem para uma alimentação excessiva e de baixa qualidade nutricional. Ser muito sedentário será por isso sempre a pior das opções.

Público

Proibição de fumar: Os checos resistem

por A-24, em 16.08.13

Kopelnitsky

A UE dedica-se, com sucesso, a uma metódica caça ao tabaco nos lugares públicos. Só a República Checa resiste: fiel à sua conceção liberal, procura, por todos os meios, contornar a regulamentação europeia.


Para levar a cabo a sua missão, o ministro da Saúde irlandês, James Reilly, baseia-se numa enorme motivação pessoal. Tendo ficado cego depois de um enfarte, o pai morreu depois de ter estado acamado durante anos. E um cancro do pulmão levou-lhe recentemente o irmão. Médico de profissão, tentou em vão, durante anos, deixar de fumar.
“Não é um mau hábito, é uma doença insidiosa e devemos combater aqueles que a propagam”, afirma, explicando assim aos jornalistas como conseguiu, na primavera passada, convencer o seu país a introduzir, para todas as marcas de cigarros, uma embalagem única onde há uma imagens de uns pulmões devastados pelo tabaco. A Irlanda foi o segundo país, após a Austrália, a adotar tal regra.
Reilly e os seus colegas de governo fizeram da luta contra o tabaco o tema central dos seis meses de presidência irlandesa do Conselho da UE. Acabou a 30 de junho e o resultado foi extraordinário. Em junho, os ministros da Saúde da União decidiram que, dentro de três anos, todos os países da UE terão de aplicar a mesma medida que a Irlanda. Falta só a aprovação do Parlamento Europeu.

Ponta do icebergue
Os observadores defendem que o último ator a poder ainda quebrar essa vontade é uma das forças mais misteriosas e mais poderosas da política atual: o lóbi do tabaco. “Peço-vos que saiam da sala, excetuando os chefes de delegação.” Os diplomatas europeus lembram-se bem destas palavras pronunciadas por James Reilly, um pedido sem precedentes, feito num dos momentos decisivos das negociações que tiveram lugar no Luxemburgo sobre a diretiva dos “maços de cigarros”.
Mas compreende-se facilmente. As empresas de tabaco eram informadas em pormenor, após cada uma das reuniões, sobre o avanço das conversações. Muitos dos participantes, por outro lado, tinham ainda muito presente o inquérito de que foi alvo o comissário europeu da Saúde, John Dalli, suspeito de ter conseguido alterar a legislação da UE em troca de subornos pagos pela indústria do tabaco.
Quando Reilly conseguiu impor-se, o jornal de Bruxelas EUobservercomparou a sua vitória a "David versus Golias". Golias é, neste caso, um lóbi que emprega uma centena de pessoas em Bruxelas e dispõe de um orçamento anual de cinco milhões de euros. No entanto, e aparentemente, isso é apenas “a ponta de um icebergue” de um exército muito maior de guerreiros a favor do tabaco, que desde há anos conseguem ter uma notável influência junto dos assessores dos responsáveis políticos que gravitam em volta da Comissão Europeia.
Os governos dos Estados-membros são, evidentemente, o alvo privilegiado dos lóbis, porque são os únicos capazes de ratificarem definitivamente as decisões de Bruxelas

Os governos dos Estados-membros são, evidentemente, o alvo privilegiado dos lóbis, porque são os únicos capazes de ratificarem definitivamente as decisões de Bruxelas. Quando, em 2012, cientistas britânicos realizaram um estudo aprofundado sobre a evolução da saúde na Europa, usaram a República Checa como um caso de estudo da qualidade de um país exposto à influência do lóbi do tabaco. “Esses pequenos Estados são especialmente vulneráveis.
Nos Estados Unidos, descobrimos uma estratégia muito refletida das companhias tabaqueiras. Concentram-se a longo prazo nos Estados pequenos, porque aí é mais fácil ganharem influência e, no momento do voto, têm o mesmo peso que os grandes Estados”, explica a diretora executiva da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, Helen Ross, que co-dirigiu o inquérito.
Grandes negócios
A diretiva “tabaco” recebeu a forte oposição da delegação checa. De todas as delegações, foi a única a optar por uma política “sem concessões”, exigindo o arquivamento da diretiva. É apenas graças a um novo sistema de votação posto em prática pelo Tratado de Lisboa que o veto checo, isolado, não conseguiu bloquear o projeto.
Estará a explicaçao na frenética pressão das empresas tabaqueiras em sua defesa, como sustenta Helen Ross? Nesse caso, de que forma exata agem esses lóbis? Nem os investigadores britânicos têm respostas para questões concretas como estas.
Helen Ross passou, ainda assim, algumas semanas em Praga, em 2012, e encontrou-se com cerca de uma dezena de responsáveis políticos, funcionários públicos e representantes de companhias de tabaco. As conclusões da sua investigação são eloquentes. “Os representantes oficiais da República Checa utilizam um discurso que, invariavelmente, convém muito aos fabricantes de cigarros, usando os seus argumentos habituais e recusando qualquer mudança. O seu poder de influência é evidente”, resume.
Como um pouco por toda a Europa, o tabaco, na República Checa, é um grande negócio. A Philip Morris está implantada em Kutna Hora [cidade da Boémia central]. Sozinha, representa cerca de 40% do mercado e declara um lucro anual de 100 milhões de euros. Os grupos internacionais British American Tobacco, Imperial Tobacco e Japan Tobacco partilham entre si o resto do mercado.
Pode não parecer muito à primeira vista, tendo em conta que a companhia energética estatal CEZ aufere igual montante a cada três semanas. No entanto, o tabaco gera dois mil milhões de euros em impostos. Cerca de 77% do preço de um maço de cigarros vai diretamente para os cofres do Estado.

Não há provas diretas
O interessante é que, embora tenha havido muitos indícios, ao longo dos anos, de que as tabaqueiras financiam partidos políticos em segredo, nunca se descobriram provas diretas de corrupção até à data. Em entrevistas concedidas sob anonimato, os lobistas revelam sempre a sua satisfação por encontrarem no ambiente político checo um grande número de responsáveis que, sem contrapartida alguma, defendem os interesses das empresas de tabaco, unicamente porque se oporem à União Europeia e às regulamentações em geral.
“É apenas mais uma invenção de Bruxelas para regular o mercado. Hoje são os cigarros, amanhã proíbem-nos de comer gordura ou de guiarmos um carro. Temos de resistir e de defender a nossa liberdade”, declara Jaroslav Kubera, presidente do ODS [Partido Democrata Cívico, conservador] no Senado, repetindo os argumentos graças aos quais convenceu os líderes do seu partido a recusarem esse novo projeto europeu.
No quadro da comissão parlamentar dos Assuntos Europeus, os membros do ODS desencadearam mesmo um processo dito “cartão amarelo” contra a diretiva “tabaco”. Trata-se de um instrumento diplomático excecional que permite enviar um aviso a Bruxelas por abuso de poder [não-respeito do princípio da subsidiariedade].
Por agora, nem a esquerda checa pró-europeia promete mudanças
Por agora, nem a esquerda checa pró-europeia promete mudanças. “Não vejo nisso um tema de combate político”, considera Jeroným Tejc, deputado do ČSSD [Partido Social-democrata]. “Essa questão não está em debate dentro do partido. Eu não fumo, mas respeito as opiniões dos meus colegas que têm uma relação diferente com o tabaco.”
Com um consumo [anual] de 2125 cigarros por habitante, a República Checa ocupa o 12.º lugar do mundo, entre a Rússia e a Bielorrússia. Segundo dados recentes do Instituto Nacional de Saúde Pública, a idade média do primeiro cigarro caiu para antes dos 12 anos, atingindo um marco histórico. As últimas sondagens de opinião realizadas pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Charles de Praga revelam, pelo contrário, que 80% da população e também metade dos fumadores, são favoráveis à proibição de fumar nos restaurantes. No ano passado, depois de décadas de atraso, a República Checa ratificou, finalmente, o acordo da Organização Mundial de Saúde [OMS] que impõe um endurecimento progressivo das legislações nacionais.
“Não tenho dúvidas de que as mentalidades mudarão na República Checa. Única questão é quando”, afirma o deputado [e médico] Boris Šťastný. “Acontecerá, mas só sob pressão da UE, ou depois de um empregado de mesa apresentar uma queixa em tribunal por ter desenvolvido cancro do pulmão no seu local de trabalho. Porque, nos outros países, foram exatamente casos assim que deram início a uma alteração da legislação e que permitiram compreender até que ponto está errado o discurso dos fumadores sobre a sua liberdade.”
Press Europe

Sexo, Sente o seu parceiro com falta de desejo?

por A-24, em 16.06.13

O que as mulheres podem fazer para ajudar os parceiros a superar o problema

A falta de desejo não é um problema exclusivamente feminino. Descubra o que está (ou poderá vir) a roubar o interesse do seu companheiro e saiba como ajudá-lo a voltar a desejá-la.
Os dados de um recente estudo comprovam-no. Mais de 10 por cento dos homens portugueses têm falta de interesse sexual. O mais surpreendente é que são os homens, entre os 30 e os 39 anos, os mais afetados.

A culpa, dizem eles, é «do cansaço e do stress profissional». Estas foram as principais razões referidas pelos homens que participaram no estudo, conduzido pela investigadora Ana Alexandra Carvalheira, presidente da sociedade portuguesa de sexologia clínica. Mas não são as únicas... Em alguns casos, é porque andam ansiosos, deprimidos ou aborrecidos, sentem-se inseguros ou há conflitos na relação.

O veredicto da ciência
Na opinião dos homens, as principais razões para a diminuição do desejo sexual são o stress e o cansaço. Contudo, durante a investigação, a falta de interesse sexual apareceu associada a outros fatores, como os baixos níveis de confiança na função erétil, os elevados níveis de ansiedade, depressão e aborrecimento sexual e as relações de longa duração.
O estudo concluiu também que as dificuldades sexuais que mais afetam os homens são a dificuldade em conseguir ou manter a ereção e a ejaculação rápida. A autora do estudo, Ana Alexandra Carvalheira, afirma que esta é a prova que, «o que influencia o desejo sexual masculino não é assim tão diferente do que influencia o desejo feminino». «Existem algumas diferenças mas o desejo masculino também não é uma equação simples», explica.

Desejo masculino versus feminino
Para Ana Alexandra Carvalheira, também sexóloga e terapeuta sexual, «o desejo masculino é mais constante, enquanto que o das mulheres flutua mais ao longo da vida e, por vezes, basta uma palavra mal dita ou um olhar mais agressivo para o seu desejo descer dos 100 para os 10, em apenas três segundos», revela a especialista.
Outra conclusão surpreendente do estudo é que a libido dos homens também sofre com problemas de comunicação e conflitos relacionais. Vânia Beliz, psicóloga, especialista em sexologia, refere que «os homens também podem ter menos desejo perante uma relação que não vai de encontro às suas expectativas. «É importante que as mulheres reconheçam que, por vezes, se desleixam e que é fundamental fazerem um esforço para melhorar as suas falhas», alerta.

A perda do desejo aos 30
Surpreendentemente, a falta de interesse sexual é maior entre os 30 e os 39 anos. Esta foi outra das revelações do estudo já referido. A rotina das relações e a mudança do papel do casal são, segundo a sexóloga Vânia Beliz, os principais motivos. «A paternidade, por exemplo, influencia muito a relação do casal», adverte a especialista. 
«Apesar de um filho ser algo muito especial, a disponibilidade para a intimidade reduz-se e, muitas vezes, não estamos preparados para esta mudança», alerta a especialista. «O afastamento surge, de forma quase inevitável, potenciando a ausência do desejo que, por vezes, nunca mais volta a ser como antes. Muitas situações de infidelidade ocorrem após o nascimento do primeiro filho», acrescenta.

Eles também são inseguros
Por detrás da falta de confiança na função erétil, pode estar uma razão tão simples como a memória de uma experiência falhada que gera o medo de falhar novamente. A sexóloga Vânia Beliz explica que «perante uma falha, a ansiedade pode aumentar, bloqueando uma resposta sexual satisfatória. A ansiedade é, aliás, mais do que suficiente para não acontecer. A maioria dos homens não consegue relativizar a situação e concentra todas as preocupações na ausência de ereção o que, por si só, pode ser motivo para intensificar a dificuldade».
«Muitas vezes,percebemos que o homem não apresenta dificuldade (acorda com ereção peniana e consegue a ereção com a masturbação) mas quando está com a parceira não é capaz», alerta a sexóloga. Nestes casos, a solução passa por aprender a relaxar e a controlar a ansiedade. «Muitas vezes, nem existe um problema, mas sim uma dificuldade que pode ser apenas pontual», assegura ainda a especialista.

As teias da ansiedade e depressão
A ansiedade não controlada pode bloquear o desempenho sexual ou dificultar o desejo. Mas, «num quadro depressivo, a perda do desejo é quase inevitável», constata Vânia Beliz. «Sentimo-nos tristes, sem energia e é, muitas vezes, a medicação que corta consideravelmente o desejo». Se estiver em tratamento, as consequências podem ser várias. «Podem manifestar-se sob a forma de perda do interesse e desejo sexual, dificuldade em conseguir ou manter a ereção e dificuldade em atingir o orgasmo», indica a especialista.
A boa notícia é que também é possível contornar as adversidades que surgem durante um quadro depressivo. Bastam as medidas certas! «É importante que o casal não se distancie e que abordem juntos as mudanças e dificuldades. A nós mulheres, cabe-nos, o cuidado de não exercer nenhum tipo de pressão sobre eles e estar a par das alterações que acontecem perante uma patologia depressiva, de forma a compreender a causa das dificuldades sentidas», recomenda a sexóloga.

Ele é rápido de mais?
A ansiedade pode ser também o fator responsável por uma ejaculação rápida, uma dificuldade sexual que também afeta o desejo dos homens, de acordo com os dados do estudo já citado. Vânia Beliz alerta que «esta é uma situação que carece de uma avaliação muito precisa, uma vez que o fator tempo é muito relativo. «Por vezes, muita estimulação/excitação pode ser o suficiente para um orgasmo mais rápido», esclarece. Mas, se desconfiar que poderá estar perante uma disfunção, o melhor é seguir a recomendação da sexóloga e consultar um especialista. «Existem uma série de estratégias que o terapeuta sexual pode aconselhar para controlar a ejaculação».

Relações de longa data
Estar numa relação de longa duração é outro dos fatores que mais contribui para a perda de desejo masculino. Nas relações de longa data, «não há o fator novidade que torna tudo, aparentemente, mais excitante e, muitas vezes, julgamos que já tudo foi descoberto», alerta a especialista. O segredo para reacender a chama é, segundo a sexóloga, «manter o espírito de descoberta, não parar de surpreender o outro e não transformar o sexo em algo aborrecido».
Para os homens que participaram neste estudo, o aborrecimento sexual é um dos principais anuladores do desejo. «É importante perceber que numa relação não existem só dias felizes. Devemos fazer o que está ao nosso alcance para quebrar a rotina e nunca deixar de exprimir o que sentimos», refere ainda a especialista.

Dinheiro e sexo
A atual crise económica e financeira também está a contribuir para a crescente ausência de desejo e, principalmente, nos homens. Quem o diz é a sexóloga Vânia Beliz. «A crise é, atualmente, um dos principais fatores de ausência de desejo nos casais, uma vez que causa uma enorme instabilidade. O homem carrega ainda o estereótipo de pai de família e de elemento forte na economia do casal.
Perante uma situação de desemprego ou de instabilidade laboral, esse papel é enfraquecido e muitos homens sentem-se sem qualquer valor, incapazes de sustentar a sua família. E esta situação de insatisfação é, muitas vezes, uma machadada na autoestima masculina, deixando-os inseguros e, até, gravemente deprimidos», explica a especialista.

Retirado do Sapo Mulher

10 Things You Need to Know about Female Sexuality

por A-24, em 08.06.13
Bella Clayton in Huffington Post

What is the true nature of female sexuality? When it comes to women's priorities, why, once in a secure relationship, is sex no longer on top? Exploring what defines women's libido and why it becomes depleted, I investigate whether we have unrealistic expectations about our sex drive, who defines what is normal and abnormal, and if 'low libido' is in fact the natural order of things. I also provide concrete ways women can work toward defining their own jouissance--a personalized female sexuality that can lead to a more sensual, vibrant life.
1. Don't believe the hype: our sexuality is culturally relative. Sexuality is shaped by culture and history. For example, a hundred years ago a woman who loved sex could be regarded as being mentally disturbed, whereas today if you don't love sex you could end up being diagnosed as dysfunctional. With this in mind, it pays to be skeptical of labels that pathologize sexual difference.
2. Our desire to appear desirable exceeds desire itself.
It is well known that media and advertising can have a devastating effect on women's self-esteem--but it affects our sexual self-esteem too. Feeling like we don't live up to the physical ideal, women often grow to view themselves, and even their genitalia, as undesirable.
Rather than having sex, many women simply want to look like they are having sex. We are too busy chasing beautiful to want to kiss beautifully. Too busy chasing the veneer of desirability, to desire. Our animal instincts have become inverted: time devoted to preening overrides time devoted to mating and sexual pleasure.
3. Ditch the rom-com storyline. Passionate monogamy, the goal for most, promises lust-ever-after. But we have unrealistic expectations about relationships. In actual fact, it is natural for sexual intensity to decline over the duration of a relationship, as we age, due to life pressures and when we have children. Although lust may dampen, it is possible to maintain love and connection, and increase our chances of desire showing up too.
4. Actually, low female desire is 'normal.' Women have been made to feel that having a low libido means something is wrong with them. Currently women with chronic low libido are pathologized as having a type of female sexual dysfunction called hypoactive sexual desire disorder (HSDD). The trouble is, many of the researchers who have come up its nebulous definition have financial ties to pharmaceutical companies.
I argue that in a long-term monogamous relationship it is extremely common to have a lukewarm interest in sex and rarely initiate it. Far from being a disorder, low libido is just the natural state of affairs for many women.
5. The so-called sexless marriage. Consider the current definition of a 'sexless marriage'--a relationship in which the couple has sex ten times a year or less. Really? So couples that have been together for a decade and are going through the highs and lows of life, have sex nearly once a month. Rather than brandishing a negative label, good for them, I say.
6.The hand that rocks the cradle doesn't rock the bedroom. Research indicates that one-third of couples experience significant sexual loss upon having children. For instance, across ninety studies, parents had lower marital satisfaction than non-parents, and a strong correlation was found between marital dissatisfaction and greater number of children. For women, it is increasingly difficult to carve out the duel identity of mother and sensual lover. Plus, there is a rival for her affections--children.
7. There is more than one type of sexual prime. As we age, women often experience less desire due to many factors, including illness (their partners' and their own), and issues associated with self-image. However, although many of us are familiar with the notion ofsexual prime in relation to the physical--body, genitals, and hormones--it is not the full picture. An emotional prime also exists, related to spirit, maturity, and fluidity with life. Physical and emotional factors are intertwined and interact in unpredictable and exciting ways. Many women experience a sexual renaissance in their later years. Fortunately, sexual prime can peak at any age.
8. Pursuit of pink Viagra. Drug companies have been busy trying to undress the complexities of human sexuality in a race to create a "pink Viagra" - a global sex drug for women. A plethora of drugs targeting the female libido are steadily being researched. Such drugs, whether creams, patches, sprays or pills, target genital blood flow, hormones, or brain chemistry.
Female sex drugs are not yet on sale at your local pharmacy. Many are currently being trialed - for the second or third time - while most have been flat-out rejected by the FDA because they haven't been considered safe or effective enough for public consumption. This hasn't stopped doctors from prescribing such drugs 'off-label:' using legal drugs for unapproved purposes. Describing this, one big league researcher says an "uncontrolled clinical trial of the safety of testosterone is already happening in the community."
9. Free range sexuality. In many ways female sexuality is still mysterious. And since scientists can't agree about what women's sexual response is, what constitutes female sexual dysfunction, or if women have a definitive sexual peak, it is unrealistic to expect us to have a similar sex drive. For women who no longer care for sex, or for those who never did, refuge may be found in this inability to prove what is 'normal.' Perhaps we can use this to free ourselves from comparing our sexuality to the sexuality of others and instead manifest our own sexual path.
Moreover, there has never been a culture where women have been encouraged to explore and experiment with their sensuality without censure. We don't understand the full potential of female sexuality, free range.
10. Getting sexy back. In pursuit of our full sex drive, if we are so inclined, we can explore a wide range of techniques and practices. Some engage in mindfulness or stillness exercises. Another novel approach is to create distance - particularly important as couples are spending more time together than ever before. For those seeking intensity, there are ways to manufacture a sense of danger, proven biochemically to heighten sexual interest. For the many of us who are leading busy lives, our libido can be rechanneled from other projects. But whatever road we choose, let us work toward defining our own jouissance: a personalized female sexuality. This process, as described in my book Sex Drive: In Pursuit of Female Desire (Allen & Unwin), is not only possible but also liberating, leading to a more sensual life.

Portugal é o 3º país da Europa onde suicídio mais cresceu

por A-24, em 14.03.13
Portugal é o terceiro país da Europa onde o suicídio mais cresceu nos últimos 15 anos, estimando-se que morram mais de cinco pessoas por dia, revela um relatório europeu que é hoje apresentado.
Os dados constam do projeto OSPI-Europe, uma estratégia de prevenção  do suicídio preconizada pela Aliança Europeia Contra a Depressão (EAAD),  organizada em quatro níveis de intervenção.  
Segundo o mesmo documento, estima-se que cerca de 20 milhões de europeus  sofrem de depressão e mais de 60 mil morrem anualmente por suicídio. 
Em Portugal, as doenças mentais comuns afetam quase 23 por cento (%)  dos portugueses adultos (mais de dois milhões por ano) e a depressão afeta  7,9% dos adultos (400 mil pessoas), sendo o suicídio uma complicação médica  resultante destas perturbações mentais, em particular da depressão. 
Em Portugal morrem por ano cerca de duas mil pessoas por suicídio, sendo  mais de mil registadas como suicídio e outras tantas como mortes violentas  indeterminadas, estimando-se que mais de 75% destas sejam suicídios escondidos.
Nos últimos 15 anos registou-se uma tendência para o aumento do suicídio  no país. 
Na Europa, além de Portugal, este fenómeno de aumento só se verifica  em Malta, na Islândia e na Polónia. 
O suicídio de cada português tem um custo "muito elevado, considerando  custos diretos, indiretos e custos humanos intangíveis". Estes últimos correspondem  a 85% do custo, pelo que 300 mil euros dizem respeito a custos diretos e  indiretos. 
Para fazer face a esta realidade, o EEAD desenvolveu um modelo (OSPI-Europe),  testado e documentado, "com evidência científica" de redução de suicídio  nas regiões onde foi aplicado. 
O modelo de quatro níveis caracteriza-se por uma intervenção comunitária  que tem como alvo os cuidados de saúde primários, a população em geral,  os recursos comunitários locais (como padres, professores, polícia ou media)  e serviços e cuidados específicos (como os grupos de auto-ajuda). 
O elemento principal deste projeto é a transmissão de conhecimento,  através de sessões de formação, e tem como finalidade apresentar recomendações  aos decisores políticos de saúde, de forma a que adotem medidas de prevenção  do suicídio com base científica. 
Esta estratégia foi aplicada na Alemanha, na Hungria, na Irlanda e em  Portugal, com o objetivo de se obter a sua validação científica. 
Em Portugal, a projeto-piloto foi no concelho da Amadora e a 'região  controlo' foi o concelho de Almada, tendo sido formados profissionais de  saúde, assistentes sociais, polícias, padres, farmacêuticos e professores.
Em termos de resultados, as taxas de tentativa de suicídio diminuíram,  dois anos depois do início do projeto, de 150 para 115 por 100 mil (menos  23,3%) na Amadora. Já em Almada verificou-se um aumento de 122 para 138  por 100 mil (mais 13,1%). 

"Em números absolutos, foi observada uma redução de 18,05% na Amadora  em relação a Almada", refere o documento. 
A EEAD pretende que a estratégia nacional de prevenção do suicídio consiga  reduzir a taxa de suicídio em 15% até 2017 e que o suicídio passe a ser  encarado como uma complicação médica, que pode ser prevenida, acabando com  o estigma associado a este tipo de morte e à depressão. 
O estudo OSPI-Europe -- "Otimização de Programas de Prevenção do Suicídio  e sua Implementação na Europa", financiado pelo 7. Programa-Quadro de Investigação  e Desenvolvimento da Comissão Europeia, teve inicio em Outubro de 2008 e  termina no dia 30 de Março.