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A-24

O Fascismo e a Memória Curta da Esquerda

por A-24, em 07.12.14
Via História Maximus

"O Comunismo distingue-se fundamentalmente do Fascismo porque foi o primeiro." - Virgílio Ferreira (1916 - 1996) in "Pensar", Bertrand Editora, 1992.

A esquerda usa e abusa da palavra "Fascismo". Desde há décadas, quando se trata de atacar qualquer inimigo, a esquerda não hesita em rapidamente o apelidar de "fascista" e a propaganda marxista tem-se laboriosamente encarregue desde a Segunda Guerra Mundial de erguer um "muro de betão" que tenta a todo o custo esconder a velha amizade e camaradagem que em tempos a esquerda partilhou com o "papão" fascista. A esquerda padece e sempre padeceu de memória curta e infelizmente são poucos os que tanto dentro, como fora do campo político da esquerda contradizem esta tendência. Deixo aqui um breve contributo que espero que possa auxiliar alguns "camaradas" a combater a gravíssima amnésia de que padecem há demasiado tempo.

Aquando da fundação dos Fasci italiani di combattimento em 1919, uma parte significativa dos seus membros e teóricos políticos eram, à semelhança do próprio Mussolini, ex-marxistas e/ou ex-membros de organizações da esquerda radical e revolucionária. Já em 1917 e no papel de líder dos Fasci d'Azione Rivoluzionaria, Benito Mussolini apoiou abertamente a Revolução Bolchevique, tendo-se mais tarde desiludido em relação à mesma por esta não ser na sua visão suficientemente radical, vejam bem! Sendo também um admirador de Lenine, Mussolini ficou igualmente desiludido com este por considerar que o mesmo estava a ficar demasiado parecido com o Czar Nicolau II.[1]

Desde a sua génese e até tomar o poder, o Fascismo foi em muitos aspectos ainda mais de esquerda do que a própria esquerda. O apelo à acção popular revolucionária, a estrutura para-militar, a retórica anti-capitalista e anti-burguesa, o anti-clericalismo, o ódio às elites e às monarquias, todos os elementos da esquerda mais radical e violenta estavam presentes no Fascismo. Talvez a única coisa que o Fascismo partilhava com a direita fosse o fervor nacionalista, de resto nada mais o distinguia da esquerda. 
No campo social, o Manifesto Fascista (Il manifesto dei fasci italiani di combattimento) publicado em 1919 por Alceste De Ambris e o futurista Filippo Tommaso Marinetti[2] propunha avanços radicais para a época como o sufrágio universal para homens e mulheres, a criação de uma jornada de trabalho de oito horas para todos os trabalhadores, um salário mínimo, a participação dos trabalhadores na gestão das empresas, a redução da idade da reforma dos 65 para os 55 anos, um forte imposto progressivo sobre todo o capital, a confiscação de toda a propriedade pertencente a instituições religiosas e a revisão de todos os contratos militares, podendo o governo confiscar até 85% dos seus lucros.

Em 1924, a Itália já sob a liderança do Duce Mussolini, tornou-se o primeiro País da Europa Ocidental a reconhecer a União Soviética.[3] Se dúvidas houvesse sobre a latente irmandade entre marxistas e fascistas, estas dissiparam-se todas aqui. A este reconhecimento diplomático por parte da Itália Fascista, seguiram-se toda uma série de relações amistosas com os soviéticos que iam desde o campo económico ao campo cultural.
Na sua essência, o objectivo final tanto do Fascismo como do Marxismo era o esmagamento revolucionário da velha ordem social conservadora e burguesa e a sua substituição por uma nova ordem social baseada no culto da força, da vitalidade e da ordem em prol dos trabalhadores. A única diferença de relevo era que enquanto o Fascismo advogava o Nacionalismo, já o Marxismo seguia a linha do Internacionalismo, mas na praxis ambas as ideologias partilham muito mais semelhanças do que diferenças.
Em Portugal, o professor Salazar tornou-se um grande admirador de Mussolini e do Fascismo Italiano e chegou a ter na sua secretária uma fotografia de Mussolini autografada pelo próprio. No entanto, o modelo político seguido por Salazar, apesar de partilhar algumas semelhanças com o Fascismo Italiano, não foi na realidade um verdadeiro Fascismo devido à sua profunda interligação com a Igreja Católica que no fundo foi o que impediu que o regime caísse nos excessos de violência que caracterizaram outros regimes fascistas. Se quiserem, podem utilizar o termo "Fascismo Clerical" para caracterizar o regime de Salazar, mas mesmo assim ficam muito aquém de uma definição completa e que verdadeiramente faça justiça àquilo que realmente foi o Salazarismo.


António de Oliveira Salazar com a fotografia autografada de Mussolini sobre a sua secretária.

O ódio de Mussolini ao Liberalismo económico fica patente no facto de em 1935 já estar nacionalizada ou sob forte controle estatal cerca de 75% de toda a indústria italiana. O Duce sempre teve um "grande interesse pela URSS, talvez mais genuíno que o que sentia pela Alemanha nacional-socialista. Mussolini manteve boas relações diplomáticas com a URSS - na noite que precedeu o ataque alemão à URSS, houve grande jantar-festa na embaixada soviética em Roma, com a presença dos mais altos hierarcas do regime, pelo que as más línguas sugerem que Hitler não informou Mussolini do iminente ataque à Rússia de Estaline com medo que os amigos fascistas italianos informassem o Kremlin - e ao longo dos dois anos que se seguiram Mussolini defendeu sempre a ideia de uma paz separada entre o Eixo e a URSS. O anti-fascismo foi, pois, uma estória do pós-guerra !"
Curiosamente, foi nos anos finais da sua vida que Mussolini adoptou as políticas mais esquerdistas. Em 1943 e já como líder da então designada República Social Italiana, Mussolini insistiu que ao contrário do que muitos pensavam, ele nunca abandonou as políticas de esquerda e quis até nacionalizar a propriedade privada em 1939-1940, mas não o fez por razões tácticas que tinham a ver com a economia de guerra e a necessidade de não perturbar o sistema económico antes de vencer a guerra então em curso.[4]   
Com a guerra a correr mal para as forças do eixo, Mussolini começa cada vez mais a radicalizar as suas políticas económicas. Ordena a nacionalização de todas as empresas com mais de 100 trabalhadores e pede auxílio ao ex-comunista e antigo estudante de Lenine, Nicola Bombacci, para que o ajude a recuperar a imagem do Fascismo, conferindo-lhe uma imagem de movimento progressista e amigo dos trabalhadores. Oficialmente, a política económica da República Social Italiana foi designada de "Socialização" e foi o próprio Nicola Bombacci que teorizou a política económica. Ironicamente, mais tarde Mussolini acabaria por ser fuzilado com Bombacci e os seus corpos expostos lado a lado na Piazzale Loreto.


Da esquerda para a direita: os corpos de Nicola Bombacci, Benito Mussolini, Clara Petacci, Alessandro Pavolini e Achille Starace.

A rivalidade histórica e o ódio existente entre marxistas e fascistas é muito menos um conflito entre a esquerda e a direita e mais um conflito entre irmãos de esquerda que salvo algumas excepções, nunca se entenderam entre si, nem se vão entender. O corpus ideológico do Fascismo é hoje totalmente independente da esquerda marxista e este adquiriu uma identidade própria como ideologia política. Apesar de enfraquecido, está longe da derrota e a actual crise do modelo económico-financeiro em prática no Ocidente está a criar uma "oportunidade de ouro" para que movimentos, grupos e partidos de inspiração fascista possam ressurgir em força e com a imagem restaurada.

Claro que nada do que acima se escreveu irá alguma vez ser publicado no jornal Avante! ou ser reconhecido pelas lideranças dos partidos de esquerda, sob pena destas contradizerem mais de 70 anos de mentiras produzidas pela sua própria propaganda. No fundo, a "gloriosa luta" anti-fascista não passa de uma meia-verdade, sim, é verdade que os movimentos de esquerda combateram o Fascismo, mas apenas após o ataque Nacional-Socialista contra a União Soviética é que o fizeram com seriedade, pois até lá ambas as ideologias colaboraram extensivamente e partilharam entre si um compadrio muitíssimo comprometedor.

Resta dizer que no campo do sucesso político, o Fascismo sempre bateu e vai continuar a bater a esquerda marxista em toda a linha, pelo simples motivo de que este alia dois dos mais poderosos elementos que sempre motivaram o ser humano: a luta pela Nação ou tribo se assim lhe quiserem chamar e a luta por uma utopia social que acabe com a exploração do mais fraco pelo mais forte, ou a "exploração do homem pelo homem" se desejarem utilizar um termo genuinamente marxista. Estes dois elementos explosivos são o núcleo do Fascismo como ideologia e são o que lhe conferiram a força imbatível que teve nas décadas de 1930-1940 e que provavelmente voltará a ter futuramente numa forma metamorfoseada se a actual crise do modelo económico-financeiro na Europa não se resolver a breve trecho.

[1] NEVILLE, Peter - Mussolini. Oxon, England, UK; New York, New York, USA, Routledge, 2004, p. 36.
[2] ELAZAR, Dahlia S. - The making of fascism: class, state, and counter-revolution, Italy 1919–1922. Westport, Connecticut, US, Praeger Publishers, 2001, p. 73.
[3] PAYNE, Stanley G. - A History of Fascism: 1914-1945. The University of Wisconsin Press, United States of America, 1995, p. 223.
[4] SMITH, Denis Mack - Mussolini: A Biography. New York, Vintage Books, 1983, p. 311.
[5] SMITH, Denis Mack - Mussolini: A Biography. New York, Vintage Books, 1983, p. 312. 

Criminalização de sem-abrigo avança pela Europa

por A-24, em 28.07.14
Público

A penalização da mendicidade na Noruega é o derradeiro exemplo de uma tendência para aprovar leis, regulamentos ou medidas que dificultam a vida de quem dorme nas ruas da Europa. Ao mesmo tempo, há tentativas de integrar os sem-abrigo. Diversos países delinearam estratégias, como Portugal.

Com a crise a semear pobreza, há cada vez mais gente sem casa pela Europa. Alguns descobrem que as acções mais corriqueiras na rua podem resultar numa sanção penal. O último exemplo vem da Noruega. Este Verão os seus municípios voltam a poder banir a mendicidade.
A Federação Europeia de Organizações Nacionais Que Trabalham com Sem-abrigo (FEANTSA) tem manifestado "preocupação" pelo modo como, em diversos pontos da Europa, se tem optado por "medidas repressivas". Em 2012, aliou-se à Housing Rights Watch e à Fondation Abbé Pierre para produzir o primeiro relatório sobre "a criminalização dos sem-abrigo na Europa".
No Sul e no Norte, no Ocidente e no Oriente, regiões e municípios têm avançado com regulamentos e medidas que dificultam o dia-a-dia de quem sobrevive nas ruas, diz Freek Spinnewijn, director da FEANTSA, ao PÚBLICO. Proíbem actos como deitar-se, dormir, comer ou guardar pertences pessoais no espaço público, mendigar, distribuir comida ou recolher lixo dos contentores.
A tendência vem dos Estados Unidos, com tradição de "lei e ordem" baseada em políticas como a "tolerância zero". Antes os sem-abrigo não faziam parte da chamada "população perigosa". Esse lugar pertencia aos ciganos e, na Irlanda e no Reino Unido, aos travellers. Com o aumento de estrangeiros entre os sem-abrigo, alguns tornaram-se "vítimas" de leis e regulamentos que punem o suposto risco de crime.
A Freek Spinnewijn a Noruega parece um caso "interessante". Tem um Estado social forte e um conjunto de leis progressistas. Os noruegueses não serão tão afectados pela proibição de mendigar. A medida, anunciada com a promessa de mais apoio à reinserção de toxicodependentes e expansão da habitação social, recairá mais sobre os estrangeiros indocumentados, em particular sobre os de origem cigana saídos da Roménia, da Bulgária e da Hungria.

Escalada na Hungria
Nenhum lugar preocupa tanto Freek Spinnewijn como a Hungria. Desde meados dos anos 2000 que as autoridades locais criminalizam a chamada "mendicidade silenciosa". E já então era proibido mendigar na companhia de crianças ou de forma "agressiva". A partir de 2010, com a subida da extrema-direita ao poder, o país começou a escalada para a criminalização dos sem-abrigo.
Primeiro, o Parlamento húngaro aprovou a lei que permite atribuir funções específicas ao espaço público e proibir quaisquer outras. Depois, Budapeste interditou o uso do espaço público para morar. Volvidos uns meses, o Parlamento decidiu punir com 60 dias de prisão ou 530 euros de multa quem, durante seis meses, por duas vezes violasse qualquer proibição de dormir no espaço público. Mais um mês e estava a proibir dormir no espaço público em todo o país.
"A criminalização dos sem-abrigo pode ter o perigoso efeito secundário de forçar as pessoas a procurarem lugares mais escondidos, onde é mais difícil receber a ajuda — amiúde vital — de cidadãos preocupados ou o acompanhamento de técnicos que se deslocam ao terreno", sustentou Balint Misetics, professor no Colégio de Estudos Avançados em Teoria Social, no referido relatório.
"A Hungria choca mais porque não teve o cuidado de esconder o que está a fazer e fá-lo a um nível nacional", considera Freek Spinnewijn. "Noutros países europeus, isso tem estado a acontecer de uma forma mais subtil, por vezes quase invisível, e a um nível das regiões ou dos municípios."
Cory Potts, criminologista da FEANTSA, e Lucie Martin, socióloga da Diagénes, pegam no caso da Bélgica para mostrar como tudo pode começar com sanções administrativas e acabar em prisão. Veja-se o caso de Liège. De acordo com o regulamento aprovado em 2011, mendigar é permitido entre as 8h e as 17h de segunda a sexta e das 7h às 12h de domingo; não podem estar mais de quatro mendigos numa rua; não se pode mendigar em cruzamentos, nem em entradas de edifícios públicos, empresas, casas. Desde 2012, quem desrespeita as regras cai na alçada da polícia. Na primeira vez, um aviso; na segunda, uma intervenção do serviço social; na terceira, detenção.
Os sem-abrigo não desapareceram da cidade. Há zonas de tolerância. Cory Potts e Lucie Martin temem que essa tolerância esteja ameaçada. Proliferam os locais "semipúblicos", o que abre caminho a novas restrições. E a requalificação que se vai fazendo vai tornando os sítios mais "defensivos". Basta colocar barreiras nos bancos públicos para impedir as pessoas de se deitarem neles, por exemplo.

Punir comportamentos
Há exemplos anteriores à crise que começou nos EUA em 2008 e se estendeu à Europa. A Câmara de Barcelona é emblemática: em 2005, optou por punir comportamentos que considera anticívicos, como vomitar, urinar, defecar, cuspir, pintar graffiti, mendigar na rua, exercer a prostituição ou fazer venda ambulante, com multas que oscilam entre 120 e os três mil euros.
No ano passado, a Câmara de Madrid aprovou um modelo mais duro: punir com multa de 750 a três mil euros quem pedir esmola à porta de um centro comercial, acampe, faça malabarismos ou solicite serviços sexuais no espaço públicos, cuspa ou atire papéis para o chão, ofereça folhetos nos semáforos; perturbe os vizinhos, enquanto rega as plantas; alimente ou dê banho a cães na rua.
Em Itália, os exemplos multiplicam-se. Logo em 2008, a Câmara de Roma decidiu castigar com multas de 50 a 150 euros quem se pusesse a comer ou a beber, a cantar, a fazer barulho ou a dormir no centro histórico ou mesmo fora dele, se junto a monumentos. Também decretou que não se pode mendigar, nem vender flores ou outros pequenos objectos, a menos que se tenha licença.
Verona foi mais longe. A câmara resolveu passar multas de 25 a 500 euros a quem alimentar sem-abrigo. O presidente, Flavio Tosi, eleito pelo partido de extrema-direita anti-imigração Liga do Norte, diz que o objectivo é promover "a higiene" e "a imagem pública da cidade".
Tudo isto, na opinião de Freek Spinnewijn, reflecte ignorância e sensação de impotência. "Ser sem- abrigo não é uma escolha individual, é o resultado de uma série de desvantagens", sublinha. "Tornar a vida destas pessoas mais difícil não resolve o problema. As pessoas podem ficar menos visíveis, mas continuam lá."
Havia complacência, corrobora Sérgio Aires, presidente da Rede Europeia Anti-pobreza. Pensava-se os sem-abrigo como pessoas com problemas de saúde mental, dependência de bebidas alcoólicas ou drogas ilícitas. Essa ideia é mais redutora do que nunca. Muita gente tem perdido a casa com a crise.
Sérgio Aires lê nas leis, regulamentos e medidas que dificultam a vida dos sem-abrigo uma "intolerância para com os pobres" que lhe parece "estranha". As pessoas que estão a chegar às ruas são "mais parecidas com o cidadão comum". Muitas vezes tinham vidas integradas até perderem o emprego.
O fenómeno está na agenda europeia. Há meia dúzia de anos que a União instiga os Estados-membros a investirem na integração das pessoas sem-abrigo.
Diferentes países adoptaram estratégias para reduzir o número de pessoas a dormir nas ruas. Alguns optaram por abordagens mais baseadas na lógica "casa primeiro", como a Suécia, a Finlândia e a Dinamarca. Outros, apesar de considerarem isso importante, falam em aumentar a qualidade da rede de albergues e de serviços de apoio à habitação, como os Países Baixos, a França e Portugal.

Regras portuguesas
"Portugal não tem orçamento", comenta Freek Spinnewijn. Apesar disso, o país cabe no rol de exemplos positivos. "Tem uma estratégia nacional. Ainda está no papel, mas tê-la já é um princípio."
Segunda a Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas Sem Abrigo, aprovada em Portugal em 2009, ninguém deve permanecer na rua mais de 24 horas, a menos que seja essa a sua vontade. Existiriam centros de emergência — estruturas de resposta imediata, das quais se sairia, com um diagnóstico feito, para alojamento temporário ou permanente. Em lado algum foram criados.
A estratégia aponta para a organização local. Sempre que o número de sem-abrigo justifique, deve constituir-se um Núcleo de Planeamento, Intervenção a Sem-Abrigo e delinear-se um conjunto de respostas integradas. "Vai funcionando no Porto", afiança Sérgio Aires. Em Lisboa não tanto. Tenta-se agora reactivá-la. "Há muita coisa a acontecer e essa não é uma das prioridades." Congratula-se por não haver em Portugal a intolerância de outros países. Nem um clima rigoroso.
No ano passado, pelo menos 4420 pessoas viviam em jardins, estações de metro ou camionagem, paragens de autocarro, estacionamentos, passeios, viadutos, pontes e abrigos de emergência de Portugal. O número peca por defeito. Corresponde às pessoas acompanhadas no âmbito da Estratégia.
Os técnicos encontram resistência entre alguns sem-abrigo. Os albergues não permitem animais. Nem deixam entrar quem emite sinais de estar de consciência alterada. Têm rigorosos horários de entrada e saída. As pessoas têm de sair e de voltar cedo. São forçadas a passar o dia na rua. E, na maior parte das vezes, não têm privacidade no albergue. Mesmo assim os que existem não chegam para as encomendas. A Segurança Social recorre então a pensões, amiúde, de baixíssima qualidade.
"Aquelas pessoas querem viver numa casa, como as outras, mas precisam de algum apoio para isso", diz Freek Spinnewijn. Alargar o mercado social de arrendamento parece-lhe a melhor hipótese. "Em muitos países, o Estado e a Igreja e outras organizações têm inúmeras casas vazias."
Há uns meses, o diário britânico The Guardian fez as contas: na Europa existem umas 11 milhões de casas vazias e uns 4,1 milhões de sem-abrigo. Em Portugal a desproporção também é grande 4420 sem-abrigo e, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), 735 mil casas vazias.
O exemplo de Portugal pode ajudar a perceber o quão inalcançável pode ser uma casa. O preço das rendas permanece alto para quem recebe 179 euros de rendimento social de inserção ou 235 euros de pensão social, como já explicou ao PÚBLICO Henrique Pinto, director da Cais.
Sérgio Aires também faz a defesa das bolsas de habitação. Não a construção de bairros, modelo que criou não lugares por toda a Europa, mas a recuperação de casas situadas em ruas comuns, "com dignidade, a custos controlados". Na certeza de que tal não será solução para todos.

Sobre Turim

por A-24, em 13.05.14
Cultura e encanto, arte e história; uma cidade onde se vive freneticamente, mas que é simultaneamente um oásis de relaxamento. Turim tem tudo isto e muito mais. O fascínio acompanha quem tem a oportunidade de visitar Turim.
A cidade só recentemente descobriu as suas possibilidades turísticas, tendo começado desenvolve-las depois dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2006, sabendo sempre como valorizar os seus atrativos.
As suas origens remontam a uma fortaleza construída na época de Júlio Cesar. Mais tarde o emperador Augusto fundou a colónia Julia Augusta Taurinorum, da qual deriva o seu nome atual.
Turim foi a primeira capital de Itália, de 1861 a 1865, e um dos primeiros centros universitários, culturais, turísticos e científicos do país.
Um passeio pelo Parque Valentino, nas margens do Pó, o maior rio de Itália que atravessa a cidade; uma visita ao Museu Egípcio, um museu apenas segundo ao Museu do Cairo; uma visita ao Palácio Real e ao Palácio Madama, uma das maneiras de se submergir na história da Saboia...
Estes são apenas alguns conselhos para começar a sua descoberta das maravilhas da cidade.
Não deixe também de visitar Mole Antonelliana, um símbolo da cidade de Turim e a sede do Museu Nacional do Cinema; a catedral de San Giovanni Battista, uma obra-mestra do Renascimento onde se encontra guardado o Santo Sudário; a galeria Sabauda; o Palácio Carignano, Câmara dos Deputados do Parlamento Italiano. Visite também as residências da Casa Real de Saboia, nomeadas Património da Humanidade da UNESCO: o pavilhão de caça de Stupinigi, os castelos de Aglié, de Racconigi, Rivoli e de Moncalieri; a Villa della Regina e sobretudo, o Castelo de Venaria, um Versailles em miniatura que o deixará extasiado.

Uma característica crucial para o enriquecimento de qualquer economia: a confiança

por A-24, em 11.05.14
Inst. Ludwig Von Mises


Francis Fukuyama ficou famoso em 1988 por causa da publicação de seu livro O Fim da História. A tese que ele defendia era tola e simplória: a democracia liberal havia derrotado todos os sistemas e, dali em diante, passaria a ser o arranjo preponderante e superior a todos os outros. Isso se comprovou uma óbvia inverdade. Pense no Islã. Pense na política burocrática reinante na China. Pense em Hong Kong e em Cingapura, que não têm democracia -- ao menos, não no estilo defendido por Fukuyama. 

À época, o livro recebeu uma estrondosa publicidade. Hoje, ele raramente é citado. Nunca entendi por que esse livro foi levado a sério. No entanto, durante um bom tempo, várias pessoas o levaram a sério. Já em 1995, Fukuyama publicou outro livro: Confiança. A publicidade recebida por este livro foi ínfima. Mas o livro é excelente. Digo mais: é um dos mais importantes livros já escritos sobre economia e ordem social.
Neste livro, Fukuyama analisa os efeitos da confiança sobre uma sociedade. Os EUA, até aproximadamente 1960, possuíam uma enorme vantagem competitiva em relação ao resto do mundo por causa do alto nível de confiança que seus habitantes tinham em relação aos seus conterrâneos. À medida que a confiança foi declinando, a taxa de crescimento econômico também declinou. Concomitantemente ao declínio na confiança houve um aumento no número de advogados.
Já uma das sociedades menos produtivas de toda a Europa Ocidental é a do sul da Itália. Ele atribui isso à falta de confiança que reina na região. Esse é um dos motivos pelos quais as sociedades secretas, especialmente a Máfia, têm tanta influência no sul da Itália: tais organizações provêm um mínimo de ordem social para seus membros, e a população em geral não oferece muita resistência à existência destas organizações.

A máfia infiltrada em todos os sectores da Alemanha

por A-24, em 01.05.14
Erica Firpo/The Local
 
"Last Friday, a Cologne court began the trial of Gabriele S. - a Sicilian immigrant accused of tax fraud.
The case is part of the larger investigation called the Scavo Commission into mafia outreach in the Rhineland that has uncovered far more than shell companies and tax evasion.
 "The mafia has infiltrated every sector in Germany from construction to alternative energy, from waste management to shareholding of large companies or banks.
“They buy votes and influence elections through bribery, corruption”, said Roberto Scarpinato, attorney general of Palermo’s court of appeals and anti-mafia pool, in an article published in Wired Italia.

According to Wired Italia, and in collaboration with Investigative Reporting Project Italy (IRPI) and media publisher Funke, the mafia is “increasingly present in Germany”.
Imported machinations of Calabrian and Sicilian crime families have been in place for decades, but more recently have been upping their activity in German industries, the investigation reveals.
Statistics from Germany’s Federal Criminal Police (BKA) detail 460 suspected mafia members living in the country, with hands in construction, bribery, politics, fake food and clothing products and illicit food services including at least 300 pizzerias.

Mob activity has also become increasingly more visible.
In August 2007, an ‘Ndrangheta massacre in Duisburg left six people dead, leftovers from the nearly two-decade “San Luca feud” which started in Calabria.
In January 2013, 17 people from Germany and Sicily were arrested at a Colonge bar in a tax-evasion scheme that continues to unravel a tangled web of mafia and ‘Ndrangheta involvement.
Scarpinato said: “The mafia in Germany wants the Germans to think it doesn’t exist. It doesn’t need to be violent, it can seduce with money.
“Of course, there is still the violent face of the mafia in Italy, but that only shows itself when the power of convincing by money isn’t enough.
“In times of crisis like today, the power of money and corruption can become an epidemic that shakes the foundations of a society. Germany has to decide whether to accept the mafia, or fight it."

'Unstoppable' spread of Calabria's 'ndrangheta mafia sees outposts established in UK and Ireland

por A-24, em 12.08.13

The seemingly unstoppable spread of Italy's most powerful organised crime group has now seen it establish outposts in the UK and Ireland, according to anti-mafia judges.
Fuelled by its control of a €27 billion-a year-cocaine business, the 'ndrangheta mafia, with its roots in the southern Italian region of Calabria, has begun to colonise London and Dublin, warn the Reggio Calabria magistrates in key reports.
The documents, including the 'Crimine' and 'Crimine 2' probes into 'ndrangheta activity, reveal the astonishing extent to which the crime cartel has established itself around Europe.
In London, the Aracri and Fazzari clans are thought to be active in the money laundering, catering and drug trafficking. The level of the activity in the UK and Ireland is low relative to continental Europe. But given the group's ruthlessness and ambition, few experts doubt that its presence in the British Isles will increase as it has in other European countries.
Earlier this year, authorities in the south of France warned that the notoriously violent group, which sprang to public attention following the internecine murders of six members outside a pizza restaurant in Duisberg, Germany, 2007, was colonising France's Cote d'Azur, with bases in Marseilles, Monte Carlo, Nice and Menton. 'ndrangheta activity in Barcelona has also risen significantly
"They control territory with extortion and intimidation as they do in Calabria or the urban outskirts of Milan, demanding protection money - and not only from Italian ex-pats," said Michele Prestipino, an anti-mafia prosecutor from Reggio Calabria.
"'ndrangheta is everywhere," the super-grass Luigi Bonaventura, said yesterday in a video interview with La Repubblica. "You only need two to three people to form a cell." Once the number of local mobsters reaches 50, the cell becomes a "locale".
"In Germany they have dozens of locali," Bonaventura said. "In Holland and Belgium they control the ports, in the Cote d'Azur they control the hotels, in Bulgaria investments in the tourist sector on the Black Sea, in the Balkans they control the drug routes."
Other informants have revealed how the crime syndicate is skilled at forming alliances with existing criminal groups before going on to exploit them. This cunning has been credited in a recent report by the Dutch police warning that over twenty senior 'ndrangheta figures and hundreds of their associates are now successfully trading in arms and drugs with authorities virtually unaware of their existence.
The lack of special anti-mafia laws outside of Italy make the rest of Europe fertile ground for 'ndrangheta clans. In Italy, convicted mobsters face long stretches in solitary confinement. And members can be jailed under the catch-all crime of "mafia association". This is not the case outside Italy.
Some observers have even noted how Germany, the biggest 'ndrangheta stronghold outside Italy, has assumed its increasingly familiar role of subsidising the activity of more workshy southern Europeans. The wives of jailed 'ndrangheta mobsters in Germany get state unemployment benefits of €365 a month. "And they don't even have to pay their rent. How is that possible?" said Vito Giudicepietro, a local union representative in the German town of Singen, which saw a huge influx of southern Italians in the late 1950s.
According to Magistrate Prestipino, the lack of anti-mafia laws "is the biggest obstacle". "In Europe, the institutions have trouble understanding the dangers of organised crime clans and their ability to intimidate," he told La Repubblica.

The Independent  Jun/2012

Somos assim tão racistas?

por A-24, em 06.08.13
A hostilidade para com os estrangeiros atingiu o apogeu com os insultos dirigidos à ministra da Integração italiana, Cécile Kyenge. Para provar que não são racistas, os italianos terão de lutar contra as derivas intolerantes, defende a jornalista e escritora Isabella Bossi Fedrigotti.

Isabella Bossi Fedrigotti


Insultos, bananas e mais insultos em palavras ou gestos que têm como alvo o nosso Ministro da Integração. As reações que – tristemente – nos tornaram tão célebres no mundo inteiro deram origem a que há dias a abertura do telejornal da CNN fosse: “Itália, um país de bananas?”. Inútil tentar corrigir a repetição do “erro” porque quem o tenta minimizar são os responsáveis pela nossa imagem internacional já de si pouco famosa. Não que estejamos sempre a pensar em coisas práticas, mas os turistas negros americanos – e não apenas os americanos – podem começar a pensar que a Itália é um país a evitar.
Ter-nos-emos tornado verdadeiramente racistas? Ao percorrer blogues e redes sociais seríamos tentados a responder afirmativamente, já que os insultos e as tiradas virulentas contra os imigrantes parecem estar enraizados no quotidiano. Relembremos, no entanto, que, como é sabido, o anonimato ajuda as pessoas a mostrarem a sua pior faceta. Este tipo de reações normalmente tem origem em pessoas frustradas, insatisfeitas, coléricas, que usam um discurso agressivo: os outros – que apesar de tudo são a maioria – não fazem nada.
A península, terra de acolhimento
Nós, italianos, não somos racistas, como pode testemunhar a maior parte da população que recebe de braços abertos os infelizes que desembarcam na nossa costa. É quase uma regra: quando chegam, as populações acorrem com cobertores, roupas e alimentos para ajudar osboat people. Frequentemente oferecem-lhes refúgio nas suas casas.
Racistas não! Nem mesmo nas cidades da região veneziana
Racistas não! Nem mesmo nas cidades da região veneziana que, na altura dos “presidentes de câmara-xerifes”, pareciam verdadeiras cidadelas de intolerância. Como prova dos factos, descobriu-se que é, precisamente, em Veneza que os imigrantes se sentem mais bem integrados. Melhor que noutro local do país. Racistas, não! Temos de ter em consideração as escolas multiétnicas, que se estão a tornar a regra um pouco por todo o lado, e o extraordinário trabalho desenvolvido numa base diária, por toda a Itália, por diretores das escolas, professores e, muitas vezes, também pelos pais dos alunos.
O mau exemplo dos políticos
A exasperação, o rancor, o ressentimento contra os estrangeiros não são, seguramente, sentimentos e comportamentos desconhecidos dos italianos. Longe disso. Mas são, sobretudo, o resultado da falta de controlo, do deixar andar generalizado e da incerteza. Quando o africano que atropelou e matou uma jovem numa passadeira de peões fica apenas com termo de identidade e residência, quando um assaltante albanês é libertado – e se calhar vamo-nos cruzar com ele na rua
uns dias depois – quando os moradores de um acampamento de ciganos podem tranquilamente transformar o bairro numa espécie de lixeira a céu aberto, quando proxenetas romenos, eslavos ou albaneses podem obrigar as filhas a prostituíremse em total impunidade, é isto, sem dúvida, o que faz enraizar o germe do racismo. A partir daí, os estrangeiros tornam-se bodes expiatórios que, estando desempregados, caem facilmente no campo da delinquência.
O risco da intolerância está presente, alimentado pela frouxidão das forças da ordem.
O risco da intolerância está presente, alimentado pela frouxidão das forças da ordem, mas também – frequentemente – por leis inaceitáveis. Mas os insultos também contribuem para esta tendência, sobretudo quando são proferidos por personalidades públicas que os utilizam como uma forma fácil de conseguir gerar aplausos e capitalizar indignação – uma mistura que é a garantia de manchetes nos jornais. A notoriedade, desejada por pessoas que, durante muito tempo, estiveram na obscuridade.
Estes insultos racistas são um veneno espalhado com uma perigosa falta de discernimento que rapidamente contamina as pessoas social e culturalmente mais fracas: se um tipo, no topo da hierarquia – pensam elas – pode falar de orangotango”, porque é que nós não podemos libertar a nossa raiva e dizer “macaco, gorila, volta para a tua selva e vai apanhar bananas”? Foi exatamente isso que aconteceu.
Press Europe

Faltam crianças

por A-24, em 11.07.13
O Telegraph publicou há dias uma crítica do livro Money Runs Out do economista Stephen D. King. 
A tese de fundo do livro é que a Europa tornou-se um caso de falência por causa do colapso demográfico. 

Os chamados"baby boomers", diz King, convencidos erradamente que o problema fundamental sempre foi o da superpopulação, pararam de fazer filhos mas continuaram a gastar e a endividar-se.
O cálculo económico, segundo o autor, é simples: se gerarmos despesas e nos endividarmos, sem fazer que os que vão pagar a conta sejam mais numerosos, 
deixamos-lhes por legado um fardo insuportável.
É exactamente o que está a acontecer na Europa onde a ideia dos perigos da superpopulação cristalizou, mesmo sem base real, e gerou uma cultura antidemográfica: pense-se na eutanásia, na contracepção, na homossexualidade. 
Noutras zonas do mundo onde esta cultura não penetrou e se fazem mais filhos, assistimos a um contínuo processo de desenvolvimento.
Esta queda demográfica é um problema grave na Europa. 

PORTUGAL
Um artigo recente do Washington Post dedicou-se a Portugal, que nos últimos 4 anos sofreu uma queda de nascimentos de 14%. 
Uma tendência que é uma constante em todos os países europeus desde o fim dos anos 60. Segundo as projecções dos economistas, 
por volta de 2030 em Portugal 27,4% da população estará reformada, com mais de 1 cidadão em cada 4 a ter mais de 65 anos.

Portugal é o "cabeça de série" de vários outros países. 

ALEMANHA
Por exemplo, na Alemanha a queda demográfica levará em 2025 a um défice de 6 milhões de trabalhadores e o consequente desequilíbrio para o bem-estar do país, revelou recentemente o relatório "Estratégia demográfica" do governo.
ESPANHA
Também em Espanha a situação é difícil. O INE, instituto nacional de estatística espanhol, registou recentemente uma queda da população de 0,48% devido ao êxodo de estrangeiros do país por causa da crise. Uma queda não compensada pelo saldo de nascimentos sobre os falecimentos. Com efeito, segundo o mesmo INE, o número de estrangeiros desceu 216.125 pessoas (3,8%) enquanto que o número de espanhóis subiu 10.337 pessoas (0,02% da população).
ITÁLIA
Em Itália a situação não é melhor. O ISTAT recentemente actualizou os dados da população em 2012. O "saldo natural", isto é a diferença entre o número de nascidos e o número de falecidos teve sinal negativo: - 78.695 pessoas.
Povo

Um piano nas barricadas

por A-24, em 24.06.13


A Itália da década de 70 viu surgir um movimento surpreendente que pretendia afirmar a autodeterminação do proletariado, sem concessões nem mediações. O livro Um Piano nas Barricadas: Autonomia Operária (1973-1979) (Edições Antipáticas) relata este peculiar acontecimento que, sem bases, sem posto de comando, no início até sem programa, ousou destruir toda a estratificação social que o capitalismo impõe. Este livro mostra-nos o ponto de vista de Marcello Tarì sobre os acontecimentos mais marcantes e todo o contexto social e intelectual que os rodeava. O sujeito é assim uma difusa rede de diferentes agentes, organizados em grupos heterogéneos, cujo papel se vai revelando ao longo da narrativa. Ao invés da sacralização heróica dos actos deste ou daquele indivíduo, existe uma multiplicação de experiências que vai contribuir para afirmar os valores do movimento, que conseguiram tornar-se bastante precisos.

Num depoimento recolhido durante o processo que visava desmantelar o movimento, Lucio Castellano dá-nos um potente retrato do que foi a Autonomia:

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<div dir="ltr"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><a href="http://5dias.files.wordpress.com/2013/06/tumblr_mak9m35rg91rs4qqbo1_500.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"><br /><img src="http://5dias.files.wordpress.com/2013/06/tumblr_mak9m35rg91rs4qqbo1_500.jpg?w=419" /></a></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><br /></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;">A Itália da década de 70 viu surgir um movimento surpreendente que pretendia afirmar a autodeterminação do proletariado, sem concessões nem mediações. O livro Um Piano nas Barricadas: Autonomia Operária (1973-1979) (<a href="http://edicoesantipaticas.tumblr.com/">Edições Antipáticas</a>) relata este peculiar acontecimento que, sem bases, sem posto de comando, no início até sem programa, ousou destruir toda a estratificação social que o capitalismo impõe. Este livro mostra-nos o ponto de vista de Marcello Tarì sobre os acontecimentos mais marcantes e todo o contexto social e intelectual que os rodeava. O sujeito é assim uma difusa rede de diferentes agentes, organizados em grupos heterogéneos, cujo papel se vai revelando ao longo da narrativa. Ao invés da sacralização heróica dos actos deste ou daquele indivíduo, existe uma multiplicação de experiências que vai contribuir para afirmar os valores do movimento, que conseguiram tornar-se bastante precisos.</span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><br /></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;">Num depoimento recolhido durante o processo que visava desmantelar o movimento, Lucio Castellano dá-nos um potente retrato do que foi a Autonomia:</span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><br /></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;">&lt;<aquilo a="" acusa="" agita="" alargamento="" algo="" alguns="" amigavelmente="" anos="" ao="" aos="" aquilo="" arriscando="" as="" at="" c="" central="" clareza="" classe="" coisas="" coloca="" com="" compreender="" conhece="" conquistaram.="" consangu="" consolidadas="" conspira="" constitu="" construir="" convencido="" correntes="" cred="" cultura="" da="" danos="" de="" desordenado="" dessa="" destes="" dirigente="" dirigentes="" dirigidas="" diversas="" do="" docentes="" dos="" dr.="" e="" em="" enquanto="" entende="" entre="" es="" escola.="" espa="" est="" este="" estes="" eu="" existir="" express="" fala="" fam="" faz="" fazendo="" feito="" filho="" formado="" formas="" galluci="" grande="" guerra="" hierarquias="" hierarquicamente="" ideias="" imagem="" impor="" is="" isso="" isto="" levaria="" lia.="" liberdade="" linguagem="" ltimos="" mais="" manda="" mas="" me="" medo="" mero="" mesmo="" minha.="" modo="" move="" movimento="" mplice="" mundo="" n="" na="" nas="" necessariamente="" nego="" neos.="" neste="" nimes="" no="" nos="" nova="" o.="" o="" objectivos="" ocorrido="" odiosa.="" olhos="" organiza="" os="" ou="" overno="" pagando="" pap="" para="" parecida="" parte="" patr="" pela="" pele="" perten="" pessoas="" podem="" poder="" por="" porque="" poss="" possa="" possam="" potentados="" pris="" procura="" professores="" provocar="" que="" quest="" raramente="" rebro="" reduzir="" relevo:="" remisturando="" rie="" rodar="" s="" se="" sei="" seja="" sem="" sempre="" sentido="" ser="" servidores="" seu="" seus="" severo="" shakesperianos="" si="" significa="" sombra="" sua="" suas="" subversivos="" tem="" ter="" teria="" termos="" terrorismo="" terroristas="" torno="" totalmente="" um="" uma="" un="" unidas="" universidades="" vel="" vezes="" voc="">&gt; (Interrogatório de Lucio Castellano perante o juiz instrutor, 12 de Junho de 1979)</aquilo></span></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;">O movimento parte da identidade do operário fordista para questionar o seu papel económico e ambicionar à sua destruição, enquanto produtor e consumidor passivo, aprofundando depois esta experiência nos seus diferentes papeis sociais. Assim, a relação de exploração que define o proletariado é compreendida de forma extensiva. Ultrapassa os limites da fábrica e questiona as relações contemporâneas de sociabilidade em diferentes níveis. Por exemplo, este movimento vê ascender uma forte crítica feminista do papel da mulher. Olha para o trabalho doméstico enquanto trabalho não pago e para o papel reprodutivo enquanto sustentação da criação de mão-de-obra necessária ao sistema. Contra esses papéis da mulher, o movimento feminista tenta estratégias “peregrinas” como a Greve Humana. </span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><br /></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;">Outra questão central do movimento, e que mostra bem o aprofundamento da sua crítica, está relacionada com o papel do desejo. Profundamente influenciados pela crítica a Freud presente em O Anti-Édipo de Deleuze e Guattari vai atender ao desejo como devir revolucionário.</span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><br /></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;">Este extravasar da fábrica para o quotidiano levou a possibilidades excitantes e entusiasmantes que vão de algum modo superar a nova identidade proletária que, como sabemos, se tornou mais difusa, complexa e atomizada segundo o sistema de produção pós-fordista. Ao transpor os limites normativos que a cadeia produtiva capitalista impõe a Autonomia fortaleceu-se e a sua crítica endureceu:</span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><br /></span></div><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"> </span><br /><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><a href="http://5dias.files.wordpress.com/2013/06/parcolambro.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"><img src="http://5dias.files.wordpress.com/2013/06/parcolambro.jpg?w=244&amp;h=370" /></a></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><br /></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;">«Os “jovens” são uma invenção recente, não existiam enquanto categoria sociológica até aos anos Quarenta, começam a existir quando o Estado e o mercado de trabalho criam, na década seguinte, o espaço para um estrato da força de trabalho em formação na qual pretendem também construir o consenso relativamente às formas sociais dominantes. Mas se nos anos Sessenta este estrato social começa a recusar a organização autoritária da sociedade e do trabalho, na década seguinte os jovens, agora já proletarizados, tornam-se cada vez mais indisponíveis para o trabalho e utilizam o tempo de não-trabalho para a subversão do tempo total da vida. A taxa de desemprego jovem alcançou níveis estratosféricos nesses anos, mas os jovens já não constituíam um “exército de reserva” à disposição do capital simplesmente porque, a certo ponto, muitos deles escolheram não voltar a pedir para entrar na fábrica ou em qualquer outro lugar para se deixarem explorar, mas permaneciam de fora, a reinventar a vida, combatendo duramente e resistindo ao trabalho, difundindo formas de desfrute imediato do mundo através da pesquisa de uma utilização livre e comum de tudo. Muitos eram os que, ainda que não tivessem emprego na fábrica ou no escritório, passavam de um trabalho precário para outro, partilhando casas e dinheiro com os companheiros com quem por vezes iam depois queimar a empresa onde tinham acabado de trabalhar.</span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><br /></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;">(…) “Movimento é o estrato social que se move”, escrevia “A/traverso” num dos seus primeiros artigos, em 1975, e referia-se exactamente ao que se começava a chamar proletariado jovem. Os primeiros a forjar esta expressão foram os redactores de “Re Nudo”, uma revista de contracultura ao redor da qual giravam muitas experiências libertárias, dos situacionistas aos autónomos, dos últimos hippies aos apoiantes de um comunismo psicadélico. “Re Nudo” organizava reuniões musicais e políticas segundo o modelo do Movement norte-americano e do Norte da Europa, tendo partido dos seus interesses iniciais pelas drogas, o rock e a contracultura para se aproximar cada vez mais do que era expresso no movimento autónomo. Em Itália, ao contrário dos Estados Unidos e de outros países, a contracultura desenvolveu-se a níveis de massas dentro de um movimento juvenil que já era muito politizado: gente que ligava facilmente a marijuana ao exproprio selvagem, o sexo livre aos distúrbios de rua, o rock duro à greve selvagem. Até aí, os encontros eram organizados em localidades fora das cidades, às vezes tão perdidas que nem sequer se sabia como lá chegar, mas a certo ponto os hippies maoístas de “Re Nudo” começaram a pensar sobre os comportamentos de rebelião juvenil que se estavam a difundir na grande metrópole e, não por acaso, o seu interesse pela construção de comunas teve de render-se ao facto de que era mais interessante, em Itália, procurar fazê-las na cidade do que em ambientes rurais longínquos, como acontecia noutros locais.</span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><br /></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;">A partir do Outono de 1975, grupos de jovens partiam das periferias urbanas e dirigiam-se ao centro para saquear as lojas, provocavam confrontos nos estádios de futebol, apresentavam-se frequentemente às centenas nas entradas dos concertos de rock e desencadeavam um inferno para não pagar o bilhete, por vezes apenas para estragar o concerto, considerado o enésimo assalto e tentativa de lhes proporcionar um espectáculo do qual estavam irremediavelmente separados: música-mercadoria servida quente para os estupidificar com promessas de Peace &amp; Love. Era a isso que os jovens proletários do Núcleo Autónomo de Quarto Oggiaro, um gangue da periferia milanesa próximo das revistas “Puzz” e “Gatti selvaggi”, chamavam “organização mafiosa da passividade” e continuavam – dirigindo-se aos seus companheiros – “quando vocês vão aos concertos, vão na verdade TRABALHAR, mas o ridículo é isto: que vocês pagam para ir trabalhar”. A polémica dura e acesa com os organizadores dos concertos e dos festivais rock aqueceu, mesmo quando os organizadores eram os grupos extra-parlamentares, que foram mais do que uma vez obrigados a fazer com os que os músicos tocassem com o serviço de ordem disperso sob o palco e nas entradas porque, diziam os autónomos com lucidez: “a gestão de esquerda da alienação é apenas uma gestão de esquerda da alienação”. Os grandes concertos de rock tornaram-se assim mais um dos mil problemas de “ordem pública” e, após um molotov ter voado para o palco de Santana incendiando a amplificação, mais nenhuma estrela quis ir tocar a Itália durante largos anos. Menos mal: a criatividade foi mais autónoma e houve mais espaço para o do it yourself, também na música.</span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><br /></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;">Os estudantes dos liceus tinham, pela sua parte, começado a ocupar as escolas de forma cada vez mais organizada: as ocupações podiam durar semanas e semanas, durante as quais a coisa mais importante era a acumulação de contrassaberes úteis à sabotagem da metrópole e a intensificação de novas experiências, isto é, a construção de comunas temporárias, a experimentação de novas formas de amor e de luta, para lá do aprofundamento teórico-político que habitualmente acompanhava as agitações estudantis. Durante esses meses, os mais zangados começavam também a entrar em confronto violento com os directores e professores reaccionários, tornando-se normal encontrarem os seus automóveis destruídos por bombas incendiárias, como acontecia aos seguranças e directores de secção nas fábricas. Nas escolas onde o Movimento era forte, ao cabo de dois anos os directores e professores já não governavam nada.</span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><br /></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;">Foi em Milão que tudo se condensou improvisadamente no Inverno entre 1975 e 1976. Os gangues juvenis eram cada vez mais numerosos e lançavam-se ao assalto da metrópole, ocupavam apartamentos vazios para fazer comunas, inventaram os centros socais onde organizavam concertos e espectáculos teatrais, expropriavam as mercadorias: começavam a compreender ser uma “força”. Re Nudo”, juntamente com o que restava de Lotta Continua, puseram à disposição os seus saberes e algumas das suas sedes e, juntamente com os grupos, criam os primeiros Círculos do Proletariado Juvenil que chegaram em pouco tempo a cerca de trinta apenas em Milão, geralmente cada um com a sua sede e o seu jornal. Os rapazes que constituem os círculos são na maioria aprendizes muito jovens de pequenas fábricas, trabalhadores precários, desempregados e estudantes-trabalhadores, mais uns quantos “cães soltos” e ex-militantes de extrema-esquerda: todos entram em polémica com os grupos que “propõem a divisão entre criatividade-divertimento e política tradicional”. Os Círculos, ao contrário de todas as forças organizadas, que sempre tinham tido a sua sede no centro da cidade, escolhem o caminho do enraizamento no território:</span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><br /></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;">“A cintura metropolitana era formada por bairros de construção relativamente recente, ou seja, tinham sido fabricados no fim dos anos Cinquenta. Os jovens nascidos nesses bairros demoraram 15 ou 16 anos a recuperar uma identidade territorial, a tornar amigável o território e a pensar que, para eles, a vida libertada não era desejável apenas na sede política central mas no seu bairro, sem intervenções externas” (Primo Moroni, “Ma l’amor mio non muore”, in Gli Autonomi I, op. Cit.).</span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><br /></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;">Também por isto se imaginavam “índios metropolitanos”, fechados nas suas “reservas”, excluídos de tudo, mas que podiam daí partir para saquear o centro da cidade, defendido pelos “casacos azuis”. O mal-estar desses rapazes, com idades entre os 13 e os 18 anos, derivava de terem como locais e meios de socialização apenas o bar, os flippers, as bandas desenhadas pornográficas, o cinema de série C, as drogas pesadas, os bancos gelados dos esquálidos jardins da periferia, enquanto o seu desejo os pressionava para uma forma diferente de estar juntos. Os jovens dos Círculos, por exemplo, queriam que ao feriado do Primeiro de Maio se juntasse o primeiro dia da Primavera, porque odiavam a metrópole e amavam imaginar a libertação dos bairros para fazer deles as suas pradarias.</span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><br /></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;">No mesmo período, os bairros mais centrais de Milão de composição popular, como o Ticinese, tinham sido lentamente apropriados por estruturas políticas autónomas e muitíssimos eram os jovens que ocupavam as velhas casas comunitárias nas quais tinham vivido os proletários do século XIX, criando assim verdadeiros “bairros vermelhos”. A velha classe operária, pelo contrário, fugia dessas casas para ir para os novos bairros-gueto, onde os apartamentos talvez tivessem casa de banho privada e um lugar de estacionamento para o carro utilitário. Habitações estudadas para o isolamento da família mononuclear, imersas numa solidão gigante, construídas dentro de bairros horríveis onde as ligações de solidariedade desapareciam e nem sequer existiam os bares onde se poderia ir beber um copo de vinho e falar com os amigos depois do trabalho: os seus filhos não amavam certamente estes novos símbolos de estatuto do “bem-estar” operário, construídos no meio do nada e que se tornariam os locais da sua domesticação humana. &gt;&gt;</span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><br /></span></div><div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><a href="http://5dias.files.wordpress.com/2013/06/210_a.jpg" style="color: #1155cc; margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"><img alt="Image" src="http://5dias.files.wordpress.com/2013/06/210_a.jpg?w=650" style="border: 0px;" /></a></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><br /></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;">A multiplicação de experiências e identidades insurrecionais, que partem da teoria clássica marxista sob o controlo dos meios de produção e vão tão longe quanto a multiplicação de identidades sexuais, contribuíram para o fortalecimento desta unidade de combate popular que vai muito além dos preceitos leninistas sobre a táctica para o combate político. Esta experiência revela como o antagonismo dentro do próprio movimento, a constante contestação e desafio das estruturas, e a capacidade de multiplicar as experiências e suas identidades, contribuiu para o fortalecimento da sua crítica do quotidiano, tudo isto conseguido sem qualquer disciplina militar ou comité central. O seu culminar aconteceu com a insurreição de 77 que se espalhou como um raio e acabou com a repressão dos tanques a recuperar a ordem nas praças italianas. Gorou-se a possibilidade de criar de raiz uma nova sociedade baseada na autodeterminação e na sociedade sem classes mas a história dos movimentos autónomos ganhou um importante momento aqui retratado ao longo destas páginas entusiasmantes que as Edições Antipáticas acrescentam ao seu assinalável cardápio de importantes escritos que alimentam algumas das mais efervescentes críticas no panorama editorial português.</span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia, Times New Roman, serif;"><a href="http://5dias.wordpress.com/2013/06/20/um-piano-nas-barricadas/" target="_blank">Fonte</a></span></div><br /><div style="background-color: white; color: #1155cc; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"><a href="http://5dias.files.wordpress.com/2013/06/210_a.jpg" style="background-color: white; color: #1155cc; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px;" target="_blank"></a></div>

Coisas da "bonita" União Europeia (1)

por A-24, em 31.05.13
“A Itália paga aos imigrantes para irem para a Alemanha”, titula o Linkiesta citando uma acusação feita pelo serviço de imigração de Hamburgo. As autoridades da cidade afirmam terem detido cerca de 300 africanos imigrantes detentores de autorizações temporárias revogadas emitidas na Itália e pedem que sejam reconduzidos para o país. Confessaram que lhes foi explicitamente dito por funcionários italianos para se dirigirem à Alemanha, o destino predileto da maioria dos imigrantes que chegam à UE através daquele país mediterrânico, sendo-lhes dados €500 caso aceitem.
Segundo o sítio de informação, as autoridades italianas admitiram implicitamente serem responsáveis pela situação e mostraram-se dispostas a acolher novamente os imigrantes. A maioria foi recebida com estatuto de refugiado por fugir de uma guerra civil na Líbia em 2011 e à posterior onda de ataques xenófobos, que veio na sequência do assassínio de Muammar Kadhafi. O problema é que são cidadãos provenientes de “países considerados democráticos, como o Gana, o Togo e a Nigéria”, escreve La Repubblica, o que significa que qualquer pedido de asilo na Alemanha seria recusado, apesar das circunstâncias em questão.
O problema, que veio alegadamente da necessidade de encerrar temporariamente centros de detenção na Itália, foi descoberto meses antes e abrange um número bem maior de imigrantes na Alemanha, escreve La Repubblica, acrescentando:
Agora que as eleições federais alemãs se estão a aproximar, este tema será muito provavelmente aproveitado em debates públicos.