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A-24

A secessão de um país depende do tamanho do seu território?

por A-24, em 11.09.14
Instituto Ludwig Von Mises

De acordo com os números do World Bank Development Indicators (Indicadores de Desenvolvimento do Banco Mundial), dentre as 45 nações soberanas da Europa, os países pequenos são quase duas vezes mais ricos que os países grandes. A diferença da riqueza per capita entre os 10 maiores e os 10 menores é de 84% quando se considera toda a Europa, ou 79% quando se considera somente a Europa Ocidental.


Trata-se de uma diferença abismal. Para colocar um pouco de perspectiva, uma diferença de riqueza de 79% é a diferença entre a Rússia e a Dinamarca. Isso é impressionante quando se considera as similaridades históricas e culturais dentro da própria Europa Ocidental.

Mesmo entre as nações de mesmo idioma, as diferenças são gritantes: a Alemanha é mais pobre, em termos per capita, do que as pequenas nações que também falam alemão (Suíça, Áustria, Luxemburgo e Liechtenstein); a França é mais pobre, em termos per capita, do que as pequenas nações que falam francês (Bélgica, Andorra, Luxemburgo, Suíça novamente, e, é claro, Mônaco). Até mesmo a Irlanda, que foi durante séculos devastada pelos ingleses belicistas, é hoje mais rica do que seus senhores do Reino Unido, que possui um território 15 vezes maior.

O que fazer com o edifício onde Hitler nasceu?

por A-24, em 04.09.14
A antiga estalagem de Braunau-Am-Inn ficou devoluta há três anos. As autoridades locais pagam uma renda de quatro mil euros para impedir que o edifício entre na posse de organizações ou indivíduos de extrema-direita.

O edifício da antiga estalagem oitocentista onde Adolf Hitler nasceu em Braunau-Am-Inn, junto à fronteira da Áustria com o estado alemão da Baviera, poderá vir a ser transformado num museu dedicado às vítimas do Holocausto, de forma a destituí-lo do actual apelo a neonazis, que o visitam em homenagem ao líder do III Reich.
A antiga estalagem onde Hitler nasceu em 1889 
Devoluto há três anos, desde o encerramento do pub Gasthaus zur Pommer, o edifício foi nessa altura alugado pelas autoridades públicas locais que, desde então, pagam aos proprietários uma renda mensal de quatro mil euros de forma a impedir que o espaço possa vir a ficar nas mãos de organizações ou particulares de extrema-direita. São essas mesmas autoridades que, agora, têm em discussão o destino a dar à propriedade, com o anúncio de uma decisão final previsto para as próximas semanas.
Segundo o diário israelita Haaretz, a ministra do Interior austríaca, Johanna Mikl-Leitner, decidiu apoiar a ideia do historiador Andreas Maislinger de criar uma “casa de responsabilidade”, no entanto, esta não é a única ideia na mesa. Há, por exemplo, quem proponha a criação de um centro de acolhimento aos imigrantes que Hitler desprezava, mas também quem prefira a rasura absoluta da história, defendendo a transformação do espaço num condomínio de apartamentos de luxo – exactamente como foi feito em Lisboa com a antiga sede da PIDE/DGS na rua António Maria Cardoso, no Chiado. 
“O desejo de não querer ter nada a ver com Hitler é completamente compreensível. Mas não funcionaria”, disse Andreas Maislinger ao diário britânico The Times. Para o historiador, é impensável que se possa permitir a hipótese de, um dia, um casal de extrema-direita viver ali com um filho a que decidam chamar Adolf. “O que aconteceria?”
Juntando-se a Johanna Mikl-Leitner, Branko Lustig, o produtor de Hollywood de origem judaica por detrás de filmes como A Lista de Schindler, já prometeu apoio financeiro ao projecto. "Isto torna cada vez mais difícil aos opositores levantar objecções à ideia do museu”, escrevei a revista alemã Bild, citada pelo Haaretz. “A casa só perderá o seu apelo para esse tipo de pessoas [neonazis] quando se erger como claro símbolo contra o nazismo”, disse Maislinger citado tanto pelo Times como pelo Haaretz.
Também a presidência da câmara local, inicialmente contra este projecto, por considerar que continuaria a estigmatizar a cidade, começa a aproximar-se da ideia. “É um tema difícil. Mas o princípio por detrás de uma ‘casa de responsabilidade’ não é mau”, cita o Times.
Hitler viveu na estalagem de Braunau-Am-Inn apenas algumas semanas após o nascimento a 20 de Abril de 1889. No entanto, 125 anos depois a cidade continua a viver à sombra desse evento. Há anos, por exemplo, que as autoridades locais vêm proibindo casamentos no dia do aniversário do Führer – desde que um neonazi local tornou públicos os seus planos de se casar nesse dia.

A Áustria aos refugiados: fiquem calados ou arriscam a deportação

por A-24, em 20.08.13
A Áustria, onde os democratas-cristãos fazem parte da coligação, está a deportar refugiados paquistaneses, condenando-os praticamente à morte. E, no entanto, poucas semanas antes o Papa Francisco tinha falado em defesa deles. As suas palavras moveram muitas pessoas, mas pelos vistos não chegaram aos ouvidos dos políticos austríacos, realça a Gazeta Wyborcza.

Bartosz T. Wieliński

Toda esta terrível história nunca teria acontecido se os imigrantes paquistaneses em situação irregular, que pediram asilo na Áustria, se tivessem mantido em silêncio. Mas, por pensar que estavam num país democrático, decidiram pedir publicamente um tratamento digno. Em vez de passar o resto das suas vidas em campos de refugiados sobrepovoados em Traiskirchen perto de Viena e trabalhar de forma ilegal, decidiram sair às ruas, no mês de novembro do ano passado, para se manifestar contra as condições precárias nas quais se encontravam.

A polícia expulsou-os imediatamente. Conseguiram encontrar refúgio numa das igrejas e, mais tarde, foi-lhes oferecido abrigo pelo mosteiro da Ordem dos Servos de Maria. Mas no domingo do dia 4 de agosto, as autoridades, que não se esqueceram do que ocorrera, prenderam e deportaram imediatamente 8 dos 40 paquistaneses envolvidos na manifestação.
As autoridades declararam que nada poderá impedir o plano de funcionar como previsto

Os ativistas austríacos que, juntamente com a Igreja Católica, apoiam os refugiados paquistaneses, tomaram várias iniciativas para impedir a sua deportação. Um dos ativistas comprou um bilhete de avião para o mesmo voo que iria deportar um paquistanês e tentou impedi-lo de arrancar, mas foi rapidamente neutralizado pela polícia. Pior ainda, os polícias voltaram-se contra os próprios ativistas. Três pessoas foram detidas por tráfico de seres humanos na semana passada, e a polícia revistou o mosteiro. As autoridades declararam que nada poderá impedir o plano de funcionar como previsto.
Medo e impotência
Para eles, a deportação é uma condenação à morte: pelas forças de segurança ou pelos talibãs

Não estaria a escrever sobre este assunto com tanto pormenor se não tivesse conhecido em pessoa os refugiados do mosteiro de Viena. Passei umas horas com eles em abril. Os seus olhos refletiam um sentimento de medo e de impotência. A maioria era defensora dos direitos humanos no Paquistão e teve de fugir do país. Para eles, a deportação é uma condenação à morte: pelas forças de segurança ou pelos talibãs.

Os candidatos ao asilo não percebiam como é que o Governo austríaco considerava o seu país de origem um oásis de democracia. O próprio ministro dos Negócios Estrangeiros, adiantaram eles, lançou avisos aos turistas austríacos para se manterem longe do Paquistão. Portanto, por que é que as autoridades disseram, relativamente aos refugiados, que estes não corriam perigo e que podiam ser deportados?

A Áustria é, sem dúvida alguma, um país governado por leis, com regulamentos sobre o tratamento dos imigrantes. Também é verdade que muitos asiáticos e/ou africanos vêm para a Europa por razões exclusivamente económicas, utilizando a perseguição política e religiosa como pretexto.

Um pequeno país como a Áustria não pode simplesmente acolhê-los a todos. No entanto, a lei não deve ser aplicada de forma generalizada. Cada caso individual deveria ser tratado atempadamente. Os refugiados não são animais. Além disso, há anos que a opinião pública tem conhecimento das condições dos campos de refugiados na Áustria, que são escandalosas.
Condições terríveis

Mas o Governo em Viena nunca se preocupou com as críticas e acabou por escolher a pior forma de resolver o problema. A deportação dos paquistaneses começou na véspera das campanhas eleitorais, numa altura em que o principal defensor dos refugiados, o Cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, estava fora do país e não podia, portanto, intervir em sua defesa. Neste contexto, as alegações segundo as quais a coligação (SPÖ, socialista, e ÖVP, democrata-cristão) está a tirar partido desta situação para reforçar a sua influência política, atraindo a simpatia do povo, não são de todo surpreendentes.

Mas a Áustria não é o único país em que os refugiados enfrentam condições terríveis. Na Grécia, a polícia de fronteiras persegue-os como se fossem gado. Os italianos enviaram furtivamente imigrantes africanos para a Alemanha. No Reino Unido, uma recente campanha governamental alerta os imigrantes clandestinos que, se não saírem do país, acabarão presos. Na Polónia, como o demonstrou recentemente um canal de televisão público, os centros de detenção para refugiados funcionam como verdadeiras prisões.

Há um mês, na ilha italiana Lampedusa, onde milhares de africanos, que chegam de barco, encontram temporariamente refúgio, o Papa Francisco declarou que queria convencer os católicos a mudar de atitude em relação à tragédia que abala os imigrantes. Quer que comecemos a tratá-los como pessoas necessitadas. Quando é que a Europa começará a dar-lhe ouvidos?

Press Europe

A Áustria e a imigração

por A-24, em 03.08.13
Bartosz T. Wieliński

A Áustria, onde os democratas-cristãos fazem parte da coligação, está a deportar refugiados paquistaneses, condenando-os praticamente à morte. E, no entanto, poucas semanas antes o Papa Francisco tinha falado em defesa deles. As suas palavras moveram muitas pessoas, mas pelos vistos não chegaram aos ouvidos dos políticos austríacos, realça a Gazeta Wyborcza.
Toda esta terrível história nunca teria acontecido se os imigrantes paquistaneses em situação irregular, que pediram asilo na Áustria, se tivessem mantido em silêncio. Mas, por pensar que estavam num país democrático, decidiram pedir publicamente um tratamento digno. Em vez de passar o resto das suas vidas em campos de refugiados sobrepovoados em Traiskirchen perto de Viena e trabalhar de forma ilegal, decidiram sair às ruas, no mês de novembro do ano passado, para se manifestar contra as condições precárias nas quais se encontravam.
A polícia expulsou-os imediatamente. Conseguiram encontrar refúgio numa das igrejas e, mais tarde, foi-lhes oferecido abrigo pelo mosteiro da Ordem dos Servos de Maria. Mas no domingo do dia 4 de agosto, as autoridades, que não se esqueceram do que ocorrera, prenderam e deportaram imediatamente 8 dos 40 paquistaneses envolvidos na manifestação.
As autoridades declararam que nada poderá impedir o plano de funcionar como previsto
Os ativistas austríacos que, juntamente com a Igreja Católica, apoiam os refugiados paquistaneses, tomaram várias iniciativas para impedir a sua deportação. Um dos ativistas comprou um bilhete de avião para o mesmo voo que iria deportar um paquistanês e tentou impedi-lo de arrancar, mas foi rapidamente neutralizado pela polícia. Pior ainda, os polícias voltaram-se contra os próprios ativistas. Três pessoas foram detidas por tráfico de seres humanos na semana passada, e a polícia revistou o mosteiro. As autoridades declararam que nada poderá impedir o plano de funcionar como previsto.

Medo e impotência
Para eles, a deportação é uma condenação à morte: pelas forças de segurança ou pelos talibãs
Não estaria a escrever sobre este assunto com tanto pormenor se não tivesse conhecido em pessoa os refugiados do mosteiro de Viena. Passei umas horas com eles em abril. Os seus olhos refletiam um sentimento de medo e de impotência. A maioria era defensora dos direitos humanos no Paquistão e teve de fugir do país. Para eles, a deportação é uma condenação à morte: pelas forças de segurança ou pelos talibãs.
Os candidatos ao asilo não percebiam como é que o Governo austríaco considerava o seu país de origem um oásis de democracia. O próprio ministro dos Negócios Estrangeiros, adiantaram eles, lançou avisos aos turistas austríacos para se manterem longe do Paquistão. Portanto, por que é que as autoridades disseram, relativamente aos refugiados, que estes não corriam perigo e que podiam ser deportados?
A Áustria é, sem dúvida alguma, um país governado por leis, com regulamentos sobre o tratamento dos imigrantes. Também é verdade que muitos asiáticos e/ou africanos vêm para a Europa por razões exclusivamente económicas, utilizando a perseguição política e religiosa como pretexto.
Um pequeno país como a Áustria não pode simplesmente acolhê-los a todos. No entanto, a lei não deve ser aplicada de forma generalizada. Cada caso individual deveria ser tratado atempadamente. Os refugiados não são animais. Além disso, há anos que a opinião pública tem conhecimento das condições dos campos de refugiados na Áustria, que são escandalosas.

Condições terríveis
Mas o Governo em Viena nunca se preocupou com as críticas e acabou por escolher a pior forma de resolver o problema. A deportação dos paquistaneses começou na véspera das campanhas eleitorais, numa altura em que o principal defensor dos refugiados, o Cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, estava fora do país e não podia, portanto, intervir em sua defesa. Neste contexto, as alegações segundo as quais a coligação (SPÖ, socialista, e ÖVP, democrata-cristão) está a tirar partido desta situação para reforçar a sua influência política, atraindo a simpatia do povo, não são de todo surpreendentes.
Mas a Áustria não é o único país em que os refugiados enfrentam condições terríveis. Na Grécia, a polícia de fronteiras persegue-os como se fossem gado. Os italianos enviaram furtivamente imigrantes africanos para a Alemanha. No Reino Unido, uma recente campanha governamental alerta os imigrantes clandestinos que, se não saírem do país, acabarão presos. Na Polónia, como o demonstrou recentemente um canal de televisão público, os centros de detenção para refugiados funcionam como verdadeiras prisões.
Há um mês, na ilha italiana Lampedusa, onde milhares de africanos, que chegam de barco, encontram temporariamente refúgio, o Papa Francisco declarou que queria convencer os católicos a mudar de atitude em relação à tragédia que abala os imigrantes. Quer que comecemos a tratá-los como pessoas necessitadas. Quando é que a Europa começará a dar-lhe ouvidos?


Via Press Europe

Austeridade, Áustria e Portugal

por A-24, em 03.08.13
 in Estado Sentido

Nos últimos quinze anos visitei a Áustria perto de vinte vezes. Não fui na qualidade de turista nem na condição de cidadão. Desloquei-me de acordo com o meu perfil híbrido, remexido pelo pulsar de múltiplas culturas e nações que residem no meu espírito. Pratico uma modalidade de abnegação patriótica - uma disciplina crítica que não coloca nenhum país num pedestal de superioridade. As idiossincrasias nacionais funcionam como uma impressão digital - não há forma de se lhes escapar. As coisas boas e más estão presentes nos quatro cantos cardinais, nas penínsulas e nas centralidades continentais. Nesta minha derradeira deslocação, viajei do reino da Austeridade para um país que já viveu essa experiência no pós-segunda Grande Guerra, mas, que por força do destino económico e social do presente, deixou cair o termo do seu léxico quotidiano, com todas as conotações nefastas a ela associada. A Áustria não tem noção do drama do sul da Europa. 
No desconcerto das nações europeias, a Áustria permanece na sua ilha de contentamento e esplendor. A sua taxa de desemprego ronda os 4% e a sua posição geo-económica significa que mantém intensas trocas comerciais com os países fronteiriços - uma boa meia dúzia de vizinhos. Como é natural nunca deixei de comparar realidades, com o intuito de tentar perceber as razões dos sucessos e descalabros. Em duas semanas de estadia em Graz (considerada a cidade do mundo com melhor qualidade de vida), vi menos Mercedes, Audis e BMWs por alcatrão quadrado do que em Portugal. Não escutei buzinas, e no centro da cidade 30km/h são 30km/h (poupa-se combustível, nervos e acidentes). Estacionar no centro da cidade implica preços proibitivos - paguei por um devaneio de 6 horas 40 euros! Mas tudo isto tem um custo. A Áustria por viver no auge do conforto e segurança económica e social (por exemplo, o subsídio por filho chega aos €400 mensais até aos quatro anos de idade para estimular a taxa de natalidade) desligou o motor de reflexão sobre os problemas dos outros. O extinto império Austríaco viu nascer tantas escolas de excelência, que facilmente o país vive a plenitude dessa falsa autosuficiência intelectual e cultural. A escola Austríaca de economia moldou tantas outras como a de Chicago ou a de Londres; a psicanalise fundada na persona de Freud e companhia também concedeu essa ilusão de vantagem. E não esqueçamos que a Áustria conseguiu convencer o mundo inteiro que Hitler era Alemão e Beethoven Austríaco, este último reunido com os grandes Haydn ou Mozart. Mas também não devemos omitir que Simon Wiesenthal - o caça nazis -, tinha a sua sede de operações em Viena. 
Ou seja, a noção de que há uma responsabilidade histórica paira no ar, e, condiciona, se não todos os cidadãos, pelos menos alguns pensadores maiores, incomodados pelas acções colectivas e os desígnios da nação. Thomas Bernard mais antigo e Robert Menasse do nosso tempo, para citar dois exemplos de pensadores irrequietos com a sua identidade. Todos os países vivem o movimento pendular das suas acções - um relógio que obedece a lógicas de paragens e continuidades que obriga os países a reverem a sua condição. Portugal, distante que está da Áustria, partilha algumas particularidades excêntricas. O domínio da língua falada e escrita parece obedecer a uma matriz semelhante de relacionamento ou paternidade. A Áustria está para a Alemanha como o Brasil está para Portugal. Partilham a mesma árvore linguística, mas os desvios no modo de expressar acontecem, num caso, de um modo natural, e noutro, de acordo com uma certa resistência nacionalista. A Alemanha não se sente ameaçada pelo vizinho do lado que usa uma palavra distinta para batata. São estes detalhes que ajudam a formar uma imagem incompleta das terras e das suas gentes. Ao fim de duas semanas, ou de uma vida, não podemos cair na tentação da redução simplista, do certo ou errado, do bom ou o mau. Os vinhos tintos da Áustria não aquecem a alma como os Portugueses, mas os brancos são excepcionais. Não menciono a qualidade do azeite - este vem da Grécia e não se compara ao trago nacional, profundo e perfumado. Faz bem sair para regressar e tornar a partir. Portugal dá luta e isso não deve ser menosprezado.

Uma verdade que dói aos turcos

por A-24, em 10.01.13
Fonte
 
Recentemente, o embaixador turco na Áustria, Kadri Ecvet Tezcan, deu uma entrevista na qual diz aos Austríacos que parem de intervir no processo de integração da Turquia na União Europeia, acusando-os de todos os problemas que impedem a entrada desse Estado asiático pela Europa adentro. Ora o BZO respondeu-lhe à altura, pela voz do deputado Ewald Stadtler, resposta absoluta e exemplarmente memorável: «o partido BZO pede ao ministro federal para os Assuntos Internacionais e Europeus que declare o embaixador turco Kadri Ecvet Tezcan "persona non grata" e exija a sua imediata demissão.» (...) «o povo está farto da converseta da tolerância de sentido único da qual vocês se alimentam».

Stadtler brilha particularmente ao prontamente denunciar o seu colega parlamentar que quis «desdramatizar» o caso dos homicídios dos sacerdotes cristãos na Turquia. Quem já discutiu com a chusma antirra já terá encontrado pelo menos um caso destes - é súcia capaz de se fazer muito indignada e compadecida se algum negro ou muçulmano leva uma lambada em solo europeu, mas está usualmente pronta ou a ignorar completamente todo e qualquer sofrimento de europeus às mãos de não europeus (e os mé(r)dia ajudam a ignorar, porque pura e simplesmente não noticiam a coisa e acabou, assim é fácil para a antirraria ignorar tais casos) ou então a desavergonhadamente fazer troça da simples referência a esse sofrimento de europeus. Stadtler reagiu com a agressividade necessária, muito bem colocada e audível, no chamado «timing» certo, com a adequada dose de vitalidade verbal, e quando depois refere um outro caso, o de uma jovem muçulmana assassinada na Áustria pelo seu próprio pai, não se esquece de atirar, a um político da hoste xenófila «agora está autorizado a sentir pena», uma vez que a jovem assassinada é muçulmana...
Acima de tudo o resto, Stadtler acerta em cheio ao fazer notar quehá alguns políticos que não aceitam a tolerância de um só sentido mas que o eleitor, portanto, povo, não a aceita de todo - salienta assim a diferença entre a postura ideológica da classe política reinante, xenófila (apenas alguns políticos destoam, os nacionalistas), e a sensibilidade popular, que está definitivamente farta dessa pseudo-tolerância.

O último dos Habsburgo foi a enterrar: corpo na Áustria, coração na Hungria

por A-24, em 16.07.11
Milhares de austríacos e de turistas juntaram-se hoje no centro histórico de Viena para participar nas cerimónias fúnebres de Otto von Habsburgo, herdeiro do último imperador da Áustria-Hungria.

O corpo do filho do imperador Carlos I, que morreu no dia 4 de Julho aos 98 anos, foi enterrado na cripta imperia de Vienal, onde se encontram sepultados a maioria dos membros da família Habsburgo, com toda a pompa e circunstância associada ao antigo império. A sua mulher, a alemã Regina de Saxe-Meiningen que morreu o ano passado, também foi enterrada ao seu lado.
Seguindo a tradição dos Habsburgo, o coração de Otto foi levado para a Hungria, onde será enterrado hoje numa abadia nos arredores de Budapeste
Os funerais juntaram numerosos representantes da nobreza europeia, ligada de alguma forma aos Habsburgo, incluindo o rei Carl XVI Gustaf da Suécia e a rainha Silvia, o grande duque Henri do Luxemburgo, o príncipe Adam II do Liechtenstein e os dois ex-monarcas da Bulgária Siméon II e da Roménia Michel I. Líderes políticos da Geórgia, da Croácia e da Macedónia também estiveram presentes.
Otto von Habesburgo nasceu em 1912, seis anos antes do colapso do império da Áustria-Hungria no final da Primeira Guerra Mundial. Passou muitas décadas no exílio depois da sua família ter fugido da Áustria em 1919. Só em 1961 é que abdicou da pretensão de recuperar a liderança do império e cinco anos depois foi autorizado a regressar ao seu país. 
Foi um forte crítico dos nazis e da anexação da Áustria pela Alemanha em 1938. A BBC recorda que Otto foi um dos organizadores do Pic-nic Pan-europeu, um protesto na fronteira da Áustria com a Hungria realizado em 1989, meses antes da queda do Muro de Berlim.
Foi eurodeputado pelo seu país durante duas décadas, tendo sido um defensor fervoroso da integração na UE dos países do leste europeu que se livraram da liderança comunista de Moscovo. O presidente da comissão europeia, Durão Barroso, prestou ontem homenagem a “um grande Europeu”.

Livro "3096 dias" - Sobre Natacha Kampush

por A-24, em 23.06.11
A austríaca mantida em cativeiro durante oito anos era obrigada a rapar o cabelo e a trabalhar seminua como escrava doméstica, era agredida pelo raptor 200 vezes por semana, presa à cama com algemas plásticas sempre que ele queria partilhar a cama com ela e era forçada a tratá-lo por "Mestre" ou "Meu senhor". Estas são algumas das revelações feitas por Natascha Kampusch, hoje com 22 anos, na sua primeira autobiografia - o livro "3096 dias" vai ser lançado na quarta-feira, mas esta segunda alguns excertos começaram a ser publicados no "The Daily Mail"
Kampusch  - que tinha 10 anos quando foi sequestrada por Wolfgang Priklopil - confessa pela primeira vez que tentou várias vezes o suicídio por ser mantida presa numa cela "hermeticamente fechada": não tinha janelas, apenas uma cama, uma sanita e um lavatório. Nessa mesma cela chegou, depois de alguns meses presa, a pedir ao sequestrador que a abraçasse. "Eu era apenas uma criança e precisava do consolo do toque humano." Na primeira noite do sequestro, recorda-se mesmo de lhe ter pedido para a deitar na cama e contar-lhe uma história para adormecer. "Tudo para conservar a noção de normalidade", conta a austríaca. Por outro lado, Kampusch lembra que Priklopil dizia que ela lhe pertencia e não se chamava mais Natascha, ao mesmo tempo que a obrigava a tratá-lo por "Mestre" ou "Meu Senhor". Da mesma forma que a ameaçava: " Se não te comportare, vou ter de te amarrar."O sequestrador terá feito pressão para que Natascha Kampusch acreditasse na sua história de sequestro: "Ele disse-me que os meus pais se recusaram a pagar o resgate. Dizia-me: os teus pais não te amam, não te querem de volta, estão contentes por se verem livres de ti."Natascha Kampusch conseguiu escapar em Agosto de 2006, quando tinha 18 anos, e hoje vive em Viena de Áustria. Priklopil, engenheiro de 44 anos, suicidou-se mal percebeu que a austríaca teria fugido. Não foi o único caso do género a chocar a Áustria. Em 2008 foi descoberta a história de Josef Fritzl, que manteve a filha Elisabeth, de quem teve sete filhos, em cativeiro durante 24 anos.