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A-24

Na Austrália não se brinca aos refugiados

por A-24, em 20.07.13
À atenção da Europa

A Austrália anunciou que vai deixar de acolher os cidadãos estrangeiros que chegam à ilha de barco, em fuga dos seus países de origem. A partir de agora, e pelo menos nos próximos 12 meses, todas as pessoas nessa situação vão ser enviadas para a Papuásia-Nova Guiné.

A decisão, anunciada ao país nesta sexta-feira pelo primeiro-ministro, Kevin Rudd, foi bem acolhida pelo líder da oposição, Tonny Abbot, do centro-direita, mas está a ser fortemente criticada pelos Verdes e pelo antigo chefe do Governo Malcolm Fraser, também do centro-direita.
"Sei que é uma decisão radical. Sei que os vários grupos australianos e em todo o mundo vão interpretar esta decisão de formas diferentes", justificou Kevin Rudd, que assumiu as funções de primeiro-ministro e líder do Partido Trabalhista em Junho, depois de ter ganhado um confronto interno com Julia Gillard.
"A partir de agora, nenhuma pessoa que chegue à Austrália de barco em busca de asilo terá oportunidade de ser recebido na Austrália como refugiado", declarou o primeiro-ministro.
De acordo com o plano, todas as pessoas que cheguem à Austrália de barco serão enviadas para a Papuásia-Nova Guiné (PNG), onde a sua situação será avaliada pelas autoridades locais. As que obtiverem o estatuto de refugiadas, serão colocadas no centro de detenção da ilha Manus; as restantes serão consideradas ilegais e repatriadas para os seus países de origem. Em troca, o Governo da PNG irá receber apoios financeiros para um hospital e para o sector universitário, segundo os media australianos. O valor deste apoio financeiro não foi revelado.
Público

Tabaco na Austrália sem logótipos e com imagens chocantes

por A-24, em 02.12.12

Os fumadores australianos disseram ontem adeus aos famosos logótipos e às cores atraentes nos maços de tabaco. As prateleiras perderam o aspecto de paletas e transformaram-se num monótono bloco verde azeitona: seja qual for a marca, a nova lei impõe que todos os maços devem ter a mesma cor e que sejam ilustrados com imagens e avisos chocantes. Os nomes das marcas também foram uniformizados, sendo agora impressos com o mesmo tipo e tamanho de letra.

“Constatamos que as crianças compreendem desde muito cedo a mensagem que as empresas tabaqueiras tentam vender através da gestão das suas marcas”, disse a ministra da Saúde australiana, Tanya Plibersek. Para o Governo, o objectivo da nova lei não é tanto levar os fumadores a deixarem de fumar, mas antes prevenir o aumento do número de consumidores, declarando luta às tabaqueiras no seu próprio terreno: o marketing.

Num estudo publicado em 2008, financiado pela organização australiana sem fins lucrativos Cancer Council Victoria, os investigadores concluíram que “os consumidores de maços simples foram classificados como pessoas menos ‘na moda’ e menos sociáveis do que os fumadores dos maços originais”. “Por exemplo”, prossegue o estudo, “maços castanhos com a indicação do número de cigarros e com o nome da marca impresso em letra pequena foram considerados menos atraentes e menos populares do que os maços originais”. Para além das questões relacionadas com a imagem, “os fumadores inferiram que os cigarros dos maços simples seriam menos ricos em tabaco e menos satisfatórios”.

A indústria tabaqueira tentou travar a entrada em vigor da nova lei com o argumento de que será mais fácil contrabandear as marcas, levando a um aumento do consumo. “Ao fabricarmos maços que podem ser copiados com mais facilidade, os produtos de contrafacção vindos da China ou da Indonésia vão chegar às ruas de Sydney, de Melbourne e de todo o país”, alertou Scott McIntyre, porta-voz da delegação australiana da British American Tobacco, a segunda maior produtora do mundo.
Do outro lado da barricada, as autoridades de saúde dizem não ter dúvidas quanto à eficácia da lei que entrou ontem em vigor. “Sempre que são aprovados avisos mais rígidos, constatamos que há alterações nas taxas de consumo de tabaco. Este é apenas o passo seguinte”, afirmou Becky Freeman, investigadora em saúde pública na Universidade de Sydney.

A Austrália é agora o país com a legislação mais rígida em relação à imagem dos maços de tabaco e pode abrir as portas a decisões semelhantes noutros países — os governos do Canadá, da Noruega, da Índia, da Nova Zelândia e da Turquia estão a estudar a possibilidade de seguir os passos das autoridades australianas.
Público

Melbourne continua a ser a melhor cidade do mundo para se viver (City Liveability Ranking)

por A-24, em 20.08.12
Pela segunda vez consecutiva, Melbourne, na Austrália, é a melhor cidade do mundo para se viver. O pódio do City Liveability Ranking mantém-se igual ao do ano passado com Viena (Áustria) e Vancouver (Canadá) a ocuparem as segunda e terceira posições. O ranking é elaborado pela Economist Intelligence Unit, que faz parte do grupo que edita a revista The Economist.
Neste ano não há grandes surpresas no City Liveability Ranking, que todos os anos apresenta a lista das 140 melhores cidades do mundo para se viver. As posições são definidas com base numa combinação de estabilidade, cuidados de saúde, acesso à cultura e ambiente e infra-estruturas. 
De 0 a 100, as cidades recebem uma pontuação geral e por categorias, sendo que 0 corresponde a “Intolerável” e 100 a “ideal”.
Tal como aconteceu em 2011, Melbourne, na Austrália, continua na liderança (97,5 pontos), e o pódio completa-se com Viena, a capital da Áustria, na segunda posição (97,4 pontos) e Vancouver, no Canadá, na terceira (97,3pontos). O estudo justifica estas posições com desenvolvimentos nas infra-estruturas.
Segundo a Economist Intelligence Unit, as primeiras posições são ocupadas por “cidades de tamanho médio dos países mais ricos com uma densidade populacional relativamente baixa”. 
Do quarto ao décimo lugar, as sete melhores cidades para se viver são: Toronto (Canadá), Calgary (Canadá), Adelaide (Austrália), Sydney (Austrália), Helsínquia (Finlândia), Perth (Austrália) e Auckland (Nova Zelândia).

Apenas 1,8 pontos separam Melbourne de Auckland, que ocupa a décima posição. Nas 50 primeiras posições não há nenhuma cidade portuguesa.
No fim da tabela as dez últimas posições – da pior para a melhor cidade para se viver – são ocupadas por: Daca (Bangladesh), Port Moresby (Papua-Nova Guiné), Lagos (Nigéria), Harare (Zimbabwe), Argel (Argélia), Carachi (Paquistão), Trípoli (Líbia), Douala (Camarões), Teerão (Irão), Abidjan (Costa do Marfim). Neste grupo as pontuações variaram entre 38,7 pontos, em Daca, e 45,9 pontos, em Abidjan.
Segundo o ranking, as pontuações das primeiras 65 cidades da lista mantêm-se idênticas às de há seis meses, o que pode ser justificado pelo facto de algumas economias terem começado a recuperar da crise económica há alguns anos, “embora a persistência da crise na zona euro e os rígidos orçamentos fiscais tenham atrasado alguns planos de melhoria, fazendo com que as pontuações permaneçam estáticas, em vez de subirem ou descerem”, lê-se no documento.
Se este ano as primeiras posições se mantêm iguais às do ano passado, em 2011 Melbourne empurrou Vancouver para o terceiro lugar, depois de dez anos na liderança. A cidade canadiana perdeu pontos na categoria de infra-estruturas por ter fechado uma auto-estrada.

"Sair para não mais voltar"

por A-24, em 28.10.11
O desemprego fê-la emigrar. Foi para a Austrália tirar um curso e arranjou emprego em menos de um mês. Regressar? "Preferia ir trabalhar para o Afeganistão", diz Helena Santos
Público
Foi jornalista durante 10 anos, até ao dia em que a empresa decidiu fazer cortes por causa da crise. Durante meio ano, Helena Santos enviou currículos todos os dias, para todos os lados: jornais e televisões primeiro, depois empresas de assessoria, mais tarde banca, "call centers", supermercados e restaurantes. Respostas? Zero.
Uma licenciatura e uma pós-graduação não eram suficientes. E Helena decidiu investir mais na educação: “Sempre pensei em fazer um mestrado e depois de ficar sem emprego o meu marido teve a ideia de o fazer na Austrália”. Era o momento certo.
Um amigo tinha-lhe falado da Information Planet, uma agência que ajuda pessoas a viajar para a Austrália, e foi lá que procurou informações: “Sabia que queria qualquer coisa relacionada com economia, mas não sabia o que era”, diz a jovem, de 32 anos.

Ir é fácil, ficar é mais difícil
Aterrou em Sydney no dia 8 de Fevereiro deste ano. No dia 23 já tinha um emprego para ajudar a sustentar a vida na Austrália: trabalha num café da Macquire University, onde está a fazer um mestrado em International Business, e com 40 horas de trabalho quinzenais ganha entre 800 e 1000 dólares. Na TVI, onde trabalhava, ganhava 902 euros por mês.
Queria ficar na Austrália para sempre, mas sabe que não será fácil: “O país é muito bom e eles sabem disso, por isso todos os anos redefinem as quotas de imigração”. Há uma lista de profissões desejadas no país – “A minha profissão não está na lista e o meu curso é de menos de dois anos, o que me impede de pedir a residência”, explicou ao P3, a partir de Sydney.
A ideia de voltar a Portugal deixa-a doente. “Estou preparada para arranjar emprego em qualquer parte do mundo”, garante. Não há meias palavras: “Só volto a Portugal se não tiver mais nenhuma hipótese. Preferia ir trabalhar para o Afeganistão. Se tiver de regressar não descanso enquanto não sair outra vez”.

Sydney, uma cidade para todos
A mágoa pelo país é óbvia – “Se pudesse, tornava-me cidadã australiana amanhã” - e Helena Santos garante que, tal como ela, existem muitos portugueses com a mesma vontade: “Não quero contribuir com nem mais um cêntimo para a economia desse país”, assegura.
A Austrália apagou “o medo de sair da zona de conforto” e a paixão por Sydney foi imediata: “É uma cidade gigantesca, mas ao mesmo tempo não se sente o rebuliço”. Há pessoas de todo o mundo e a sociedade aprendeu a viver com isso de forma que garante ser exemplar: “Não se sente xenofobia em lado nenhum, ninguém nos trata de forma diferente por termos um ‘accent’ diferente”.
O investimento que está a fazer é grande: o mestrado custa 39 mil dólares. O trabalho que arranjou na Austrália serve para o resto - habitação, alimentação e livros. Em Junho do próximo ano, quando terminar o curso, há-de fazer tudo para ficar por Sydney. "Até ao último dia do meu visto vou tentar", conclui.