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A-24

Sporting falha final da Liga Europa

por A-24, em 27.04.12
Em cima da linha da meta, o Athletic bateu o Sporting por uma nesga (3-1). Não foi preciso recorrer ao photo-finish, porque Llorente provou em San Mamés que é um avançado de Liga dos Campeões, em “estágio” na Liga Europa.
O seu sétimo golo na competição abriu aos bilbaínos as portas da segunda final europeia, depois de 1976-77, provocando a queda dos portugueses na penúltima estação da viagem até Bucareste.
Estava tudo do lado do Athletic. A responsabilidade (porque jogava em casa e tinha um resultado adverso para virar), o apoio ensurdecedor da afición (38.000 vozes em uníssono), a estatística (em nove jogos disputados em Espanha para as provas europeias, o Sporting não tinha ganho nenhum). Tudo menos a pressa.



À imagem do treinador, os jovens espanhóis foram pacientes. Foram circulando a bola, como tão bem sabem, esperando que o adversário saísse das trincheiras. Foram tentando desposicionar a defesa e o meio-campo, com tabelas, com passes longos para contornar a primeira linha de pressão “leonina”. E tanto procuraram que descobriram uma brecha. Insúa estava em noite não e o lado esquerdo da defesa do Sporting funcionou como mel para as abelhas mais talentosas dos bascos.

Primeiro tentou Susaeta, com o apoio de Iraola na rectaguarda, depois Ibai Gómez, depois ainda Muniaín. Schaars, que disputou todos os jogos desta Liga Europa como titular desde a fase de grupos, não foi o pronto-socorro de que Insúa precisava. E o sonho começou a ruir aos 17’, numa recuperação de bola de Javi Martínez: Muniaín cruzou, Llorente, perspicaz, amorteceu de peito e Susaeta atirou, enrolado, para o 1-0.
As bancadas tremeram, o Sporting nem tanto. Nos minutos seguintes, Capel, sempre de olhos na bola, foi tentando sacudir a pressão com explosões individuais. Uma delas foi ter direitinha até ao segundo poste e à cabeça de Pereirinha, claramente um peixe fora de água na hora de finalizar. Por esta altura, só a velocidade do extremo e a clarividência de André Martins prometiam fazer mossa no adversário. Matías perdia-se em decisões infelizes, Wolfswinkel transformava em nada tudo o que tentava fazer. Foi assim até aos 44’, altura em que Iraizoz sacudiu a bola para fora da área e permitiu o remate de André Martins. No ressalto, o avançado holandês acertou em cheio, de pé esquerdo, e fez o sexto golo na prova.

A classe de Llorente

Era o melhor que poderia ter acontecido aos portugueses, a um minuto do intervalo. Faltava, porém, ainda demasiado tempo, como fez questão de provar Ibai Gómez, após uma assistência perfeita de um Llorente tão sagaz quanto altruísta. O goleador basco puxou a bola atrás e tirou um central do caminho antes de isolar o companheiro, que teve a frieza de fazer voar a bola sobre Rui Patrício.
Contador novamente a zero na eliminatória. Sá Pinto deixou Matías no balneário e fez entrar Carriço para segurar as pontas à frente da defesa. André Martins passou a pegar na batuta. O jogo estabilizou, os espaços encurtaram e o Athletic deixou de se espraiar pelas alas. Marcelo Bielsa olhava calmamente para o jogo e os jogadores copiavam-lhe a toada, jogando sem precipitações.

Com poucas soluções de parte, com as equipas encaixadas como um Lego, só um rasgo individual ameaçava mexer com o jogo. Iturraspe, tão trabalhador quanto discreto, tentou de meia distância, Insúa fez o mesmo na cobrança de um livre que acabou na base do poste esquerdo. E foi quase tudo o que de relevante aconteceu no segundo tempo em matéria de lances de perigo.
Quase por causa daquele lance que matou o jogo, aos 87’. Cruzamento largo para o segundo poste e controlo de bola perfeito de Ibai Gómez. Depois, um nó cego em João Pereira e uma assistência milimétrica para Llorente desviar de pé direito com reflexos dignos de um guarda-redes. A equação invertia-se: Ibai retribuía a Llorente o convite que lhe tinha feito para o 2-1.
Voltaram a entrar em cena os adeptos espanhóis e o Sporting não mais se levantou. Não tinha resultado a troca de Pereirinha por Jeffren, nem a de André Martins (justamente ovacionado) por Carrillo. Não tinha resultado a estratégia de contenção que tem sido a imagem de marca de Sá Pinto. Nas bancadas gritava-se “reviravolta em San Mamés” e os stewards foram-se aproximando das linhas laterais para conter um eventual excesso dos adeptos.
Não foi preciso. Os milhares de “athleticzales” que durante a tarde encheram as ruas e se juntaram, na Catedral, para o “encontro de amigos” da praxe souberam estar à altura da equipa.
Em Maio, Llorente e companhia terão duas oportunidades de ouro para adicionar um capítulo nobre à história do clube. Uma na sua prova-fétiche, a Copa do Rei, a outra na final a que sonhavam voltar há mais de 30 anos. O Estádio de San Mamés não pode queixar-se da noite em que disse adeus à Europa. Nem esquecer-se do jogo em que os seus próprios adeptos terminaram a gritar o nome do Sporting.

POSITIVO
Ibai e Llorente
Uma dupla que funcionou na perfeição. O primeiro fez um golo e uma assistência, o segundo superou-o: um golo e dois passes decisivos.
André Martins
Começa a afirmar-se como um todo-o-terreno de primeira linha. Recuperou bolas, assegurou as transições ofensivas, segurou e libertou sempre que necessário. Um caso de classe pura.
Adeptos
Os do Athletic, porque nunca deixaram cair a equipa. Os do Sporting porque acreditaram sempre.

NEGATIVO
Insúa
Foi pelo seu lado que nasceram os dois primeiros golos e mais um par de boas ocasiões. Se defendesse tão bem como ataca...

Ficha de Jogo
Athletic Bilbau, 3
Sporting, 1

Jogo no Estádio San Mamés, em Bilbau

Espectadores Cerca de 40.000

Athl. Bilbau Iraizoz, Iraola, Javi Martínez, Amorebieta a54’, Aurtenetxe, Herrera (Pérez, 90’+4’), Iturraspe, Muniain (Ekiza, 90’), Susaeta, Llorente e Ibai a76’ (Toquero, 90’+3’). Treinador Marcelo Bielsa.

Sporting Rui Patrício, João Pereira, Polga, Xandão a90’+4’, Insúa, Schaars, André Martins (Carrillo, 83’), Pereirinha (Jeffren, 63’), Matías Fernández (Carriço, 46’ a59’), Capel e Wolfswinkel a10’. Treinador Sá Pinto.


Árbitro Martin Atkinson, de Inglaterra. Amarelos Wolfswinkel (10’), Amorebieta (54’), Carriço (59’), Ibai (76’), Xandão (90’+4’), 
Golos 0-1, por Susaeta, aos 17’; 1-1, por Wolfswinkel, aos 44’; 2-1, por Ibai, aos 45’+1’; 3-1, por Llorente, aos 88’.