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A-24

Sobre comentadores desportivos portugueses

por A-24, em 15.06.12
Como é sabido, há anos que as televisões iniciaram programas desportivos com o figurino de adeptos dos três principais clubes para debater a actualidade desportiva, com o objectivo (pensamos nós) de cada um contribuir para a discussão tendo a oportunidade de poder expressar os seus pontos de vista segundo a óptica de cada clube. Dado que todos eles estão na condição de independentes e não veiculam por isso o ponto de vista oficial do clube de quem são adeptos, as discussões quase sempre dão em nada e, a menos que este ou aquele representante tenha uma noite infeliz, os debates são como na política – terminam invariavelmente empatados. Por norma, em vez de esclarecerem confundem.

Se nas primeiras realizações o espírito que eventualmente terá presidido à produção dos programas tenha sido conseguido, a partir de uma determinada altura e a exemplo do que se passava noutros tabuleiros, começou a haver desvirtuação, pois para além das características das personalidades que têm composto os painéis aliadas à forma como têm sido conduzidos os debates, a estranha convergência dos representantes do FC Porto e do Sporting (escolhidos a dedo) num claro 2X1 em todas as matérias essenciais abastardaram os programas, que iniciaram a sua curva descendente de interesse e sobretudo de esclarecimento aos heróis que se mantêm hirtos à espera – sentados – que aqui ou ali possa acontecer alguma coisa que capte o seu interesse.

Numa atmosfera quente como a que vivemos actualmente, as intervenções raramente entram pelo caminho da pacificação tão desejada, até pelo próprio figurino dos programas que estão talhados à medida da discussão não raras vezes estéril e sem nenhum sentido. Sendo que em cada cabeça de adepto sua sentença, observamos por isso – também regularmente – em especial na blogosfera, acesas discussões entre adeptos e simpatizantes (às vezes do próprio clube) sobre a actuação ou comportamento do seu representante em cada programa da saga televisiva com linguagem rebuscada e tantas vezes rasca que ainda acicata mais os ânimos e não contribui em nada para uma discussão que se pretendia serena.
Tomando como exemplo o actual representante benfiquista no ‘Trio D’Ataque’ – Júlio Machado Vaz –, várias são as vozes benfiquistas que o acusam de ser demasiado mole e permissivo e não defender convenientemente o seu clube das investidas dos seu parceiros de programa que, antes, durante e quiçá depois, manter-se-ão unidos em equipa do lado de lá da barricada. É justo dizer que devido às personalidades que compõem o painel, ao ambiente que vive no dia a dia, e ao modo como o próprio programa está montado, será porventura o que enfrenta maiores dificuldades tal como já tinha acontecido com o seu antecessor. A sua personalidade forte, bem formada, a sua educação e o seu não fanatismo destoam claramente, e ao ser assim, numa sociedade em que gritar mais alto significa ter razão, dizer baboseiras é considerado ironia, ser ignorante é acrescentar um parágrafo ao currículo, e até chamar f... da p... a outro é considerado um termo carinhoso, fica sempre a perder. É inconcebível mas real e tristemente verdadeiro. Poderia ser um programa que atingiria um bom nível se todos os intervenientes estivessem à sua altura e navegassem nas mesmas águas calmas!

Já num outro programa dentro do mesmo formato ‘O Dia Seguinte’, o representante benfiquista – Rui Gomes da Silva – é, para não variar, regularmente motivo de críticas dos adeptos e simpatizantes benfiquistas que o têm levado a demonstrar algum incómodo. Num universo tão amplo e variado como é o benfiquista em que jamais existirá unanimidade e não existe um ‘Querido Líder’ detentor da verdade exclusiva para venerar, todos os pontos de vista são aceitáveis desde que enquadrados naquela fórmula da correcção e do bom senso, sem que isso queira significar tibieza na apresentação das discordâncias sempre que as houver. O grande e eterno problema é definir rigorosamente os parâmetros exactos da verdade sem subjectivismos. Todos nos julgamos com direito a ela.
Do ponto de vista meramente pessoal, entendemos que qualquer representante do Benfica nesses fóruns ou quaisquer programas regulares do mesmo tipo, não deveria ter qualquer cargo a nível da estrutura benfiquista. Dirá RGS como já disse, que o faz a título pessoal e sem que as suas opiniões veiculem os órgãos da estrutura a que pertence. Acreditamos como é evidente. Mas, entendemos que os inconvenientes são capazes de ser mais do que as vantagens; para o Benfica e para si próprio. Com efeito, deverá ser constrangedor conciliar o que sabe enquanto membro da estrutura e aquilo que só pode dizer enquanto mero sócio benfiquista, pois não poderá ir tão longe quando certamente gostaria se fosse o V.P. a falar, nem como sócio que teme, em determinadas matérias, que o que possa afirmar possa ser entendido pelos seus adversários como o uso previligiado de fontes. E com isso, aparte esse constrangimento importante, fica a perder no confronto pois para além de ter de enfrentar a tradicional convergência azul e branca/verde, depara-se com limitações óbvias que não teria se não exercesse funções na estrutura.
Finalmente, o ‘O Prolongamento’ em que o representante benfiquista é Fernando Seara. Na nossa simples e modesta opinião se todos os outros programas são por definição maus, este é de todos eles o que parece ter pior aceitação talvez devido à natureza das personalidades que fazem parte do painel em que inclusivamente uma – a do Sporting –, é nada mais nada menos do que o próprio presidente da MAG do Sporting mas que se comporta como um dos mais fanáticos anti-benfiquistas o que desde logo o limita e baliza a própria discussão. Também aqui se aplica o mesmo que defendemos em relação a RGS, muito embora Eduardo Barroso não exerça funções executivas. Seja como for, Seara não escapa às críticas soezes de muitos benfiquistas que entendem que ele é demasiado titubeante na discussão dos temas e deveria ser mais agressivo perante igual atitude dos seus companheiros de programa que, para não variar, articulam-se e fazem, tal como os outros, do Benfica o seu enfoque especial. 

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