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A-24

Sobre Brixton

por A-24, em 13.04.10
Numa cidade multicultural como Londres, são poucas as regiões que conseguem se destacar por sua diversidade além da média. Brixton, no sul da cidade, certamente é uma delas.
Numa cidade multicultural como Londres, são poucas as regiões que conseguem se destacar por sua diversidade ainda maior que a média. Brixton, no sul da cidade, certamente é uma delas. Área com uma grande concentração de imigrantes, artistas e estudantes, Brixton vem atraindo cada vez mais moradores das outras regiões da cidade em busca de sua eclética gama de opções culturais e de lazer.
Não faltam motivos para dar um passeio por Brixton, seja de dia ou de noite: seus vibrantes mercados (um dos poucos lugares da cidade onde se pode encontrar uma grande variedade de frutas tropicais), o aconchegante cinema Ritzy, com sua programação variada, o tradicional Brixton Academy, com seus shows e festas memoráveis, e muitos, muitos pubs e restaurantes com sabores de todas as partes do mundo.
A “efervescência” de Brixton pode ser sentida já ao se colocar os pés no bairro, saindo da estação no metrô, pela Brixton Road. Ao movimento intenso da avenida, dia e noite, se misturam pastores pregando de bíblia na mão a gente vendendo drogas, numa disputa pela atenção (e pelo ouvido) dos transeuntes. Mas Brixton não é só confusão, e um passeio por suas ruas e vielas pode trazer surpresas agradáveis. Em alguns cantos, é possível se sentir em plena Kingston, na Jamaica, sem sair de Londres.
A cara atual do bairro é nova, mas a história de Brixton é milenar. Arqueólogos já encontraram vestígios de presença humana na região desde os tempos do Império Romano. O nome do bairro é derivado de Brixistane, nome saxão pelo qual era conhecido o povoado então localizado às margens do rio Effra, afluente do Tâmisa hoje canalizado e coberto pelas ruas que cortam a região.
Até o século 17, a região era um pântano pouco habitado e utilizado principalmente para a agricultura. O desenvolvimento veio com a Revolução Industrial e os trens que ajudaram a encurtar as distâncias entre o bairro e o centro da cidade. Em 1880, Brixton ganhou a primeira rua iluminada por luz elétrica em todo o Reino Unido. Até hoje, essa rua é conhecida como Electric Avenue (onde fica também o Brixton Market).
Brixton começou a se transformar no que é hoje nos anos 1940 e 1950, com a chegada de levas de imigrantes, principalmente das ex-colônias britânicas no Caribe. A mistura cultural deu nova vida à região, então em decadência.
Desde então, Brixton passou a ser sinônimo de diversidade, de eferverscência cultural e de uma das mais procuradas noites londrinas.
Brixton tem também seu lado obscuro. O bairro tem uma das mais altas taxas de desemprego da cidade, e é também um dos mais violentos (nada que se compare às grandes cidades brasileiras, porém...). As tensões sociais e o preconceito racial contra a população majoritariamente negra deram origem a uma onda de saques e choques entre moradores e a polícia a partir do fim dos anos 1970. O maior tumulto aconteceu em 1995, quando 22 pessoas acabaram presas e três policiais ficaram feridos após mais de cinco horas de violência e depredação. Novos saques voltaram a ocorrer em 2001. Alex Owolade, líder do grupo anti-racismo Movement for Justice, disse que a violência era uma rebelião contra anos de “injustiça racial” pela polícia em uma área empobrecida e tomada pela tensão racial.
Em 1999, o Brixton Market, na Electric Avenue, foi alvo de um atentado com uma bomba de pregos que matou um bebê de 1 ano e 11 meses e deixou 40 pessoas feridas. Um engenheiro de 24 anos que admitiu ser neonazista foi condenado pelo ataque e por outras duas bombas colocadas em Bricklane (local de grande concentração de imigrantes indianos e paquistaneses) e em um bar frequentado por gays no Soho.
Em 2001, a região de Brixton serviu de laboratório para uma experiência que neste ano passou a ser adotada em todo o Reino Unido: a polícia deixou de perseguir consumidores de maconha para se concentrar nos traficantes de drogas pesadas e em prevenir e solucionar os crimes mais graves. A experiência deu resultado: segundo as estatísticas policiais, em seis meses o número de roubos e assaltos na região caiu praticamente à metade, e as prisões de traficantes subiu 19%.

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