Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A-24

Síntese da semana

por A-24, em 07.04.13

Itália sem governo, crise na HolandaJá lá vai mais de um mês e em Itália ainda não se conseguiu formar governo, ainda bem! Mais vale não ter um governo, que ter um executivo de lacaios do BCE  ao serviço do grande capital e da banca falida. E nem os 10 “sábios” nomeados parecem encontrar a solução. Essa de chamar um grupo de “sábios” octogenários para resolver problemas desta dimensão só me faz lembrar aquelas cenas de filme B de kung fu em que o jovem aprendiz vai até à montanha aprender os “truques” do mestre… Isto não é um filme! O problema da crise do Euro e do capitalismo actual não se resolve chamando meia dúzia de pseudo iluminados! Sem uma ruptura radical com o status quo, sem uma mobilização militante e generalizada das massas, nunca se sairá desta “grande depressão”. Entretanto a crise lenta mas inexoravelmente vai atacando a Holanda, cão de fila número um da Alemanha/IV Reich.

Bolsas afundam. Pouco se tem falado, mas na passada quarta feira a bolsa de Lisboa teve o seu pior dia desde há ano e meio, sobretudo devido à queda a pique da banca. Hoje parece que a queda foi em toda a Europa e para lá do Atlântico também. O Ultimato a Chipre foi um momento de viragem. Não foi só o sector financeiro Cipriota que foi condenado, foi toda a banca da periferia. Vamos ver se a do centro Europeu também não há de apanhar com os estilhaços… A nacionalização da banca é cada vez mais uma necessidade inadiável. De uma forma ou de outra, neste país (e pelo menos no resto da periferia) isso acontecerá mais cedo ou mais tarde. A questão que se coloca é se essa nacionalização será para proteger interesses privados, ou será uma medida estratégica para reconquistar o controlo da economia para as mãos do povo soberano.

Moção de censura PS. Não é irrelevante… O discurso oficial do PS neste momento é pela demissão do governo e pela convocação de novas eleições. Não é comum a oposição em bloco exigir a demissão do governo, sobretudo um governo com maioria e a meio do mandato. Mais, um dos pilares de sustentação do governo e dos seus mais fortes argumentos era o do consenso alargado e o pacto social. Acabou-se o consenso e o pacto, e sem isso qualquer contra-reforma que o governo entenda adoptar, qualquer medida de austeridade adicional, será de muito mais difícil implementação. Claro que já sabemos que isto é jogada táctica do PS, claro que uma vez no governo o PS adoptara medidas se não iguais, muito semelhantes. O PS não pretende alterar o curso político, pretende antes alterar quem está a dirigir esse curso. Mas seja como for, esta ruptura temporária entre os partidos do “arco da governação” (para usar a linguagem dos fariseus) cria espaço para soluções alternativas se reforçarem. A queda do governo, quer os fariseus gostem ou não, será também parcialmente uma derrota das suas políticas sociopatas, do neo-liberalismo realmente existente.

Relvas rua! Eterna glória aos bravos estudantes do ISCTE que escorraçaram Relvas do palanque, deram um importante contributo para esgotar a “força anímica” do mafarrico. A saída do governo desta personagem, homem forte do aparelho do PSD, ministro das sombras que urdiu a subida de Passos e deste governo ao poder, é uma boa notícia. Se tivesse sido à 9 meses atrás ainda se poderia argumentar que lavava a cara ao governo. Mas neste contexto, desta forma e depois dos justos enxovalho de que foi alvo, esta saída reforça a posição dos que exigiam a sua demissão e mostra a fraqueza do governo. Perde assim o governo uma peça charneira, quando o contexto envolvente é lhe cada vez mais hostil. Este é um governo que já não está na ofensiva, desde o 15 de Setembro que o governo está estrategicamente na defensiva e agora aproxima-se da fase da debandada. Do ponto de vista institucional a situação está bloqueada, com o Presidente a assumir-se claramente como baluarte do executivo. Essa é uma falsa segurança, ou melhor, até é uma segurança, mas é insuficiente para aguentar um governo quando as tensões sociais, financeiras e económicas vão se agigantando, tanto por via externa como interna. Pode ser uma explosão social, um resultado devastador nas autárquicas, dissensões internas (PSD vs CDS e mesmo dentro do PSD), uma conjunção destes factores, o que é certo é que este governo cairá. A questão é como, e aí já expus a minha opinião, quanto mais claro for que a queda do governo é resultado da agitação social melhor. Acrescento, exactamente devido ao bloqueio institucional Uma maioria, um governo, um presidente, o protesto de rua, mesmo uma explosão popular violenta, é elemento necessário para o derrube do governo.