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A-24

Rock in Rio: os Metallica estão por todo o lado

por A-24, em 26.05.12
O Rock in Rio está de volta e dois anos passam a correr. Esta é a sensação com que ficamos ao regressar ao Parque da Bela Vista, em Lisboa, início de tarde sexta-feira, enquanto uma multidão se comprime para entrar no recinto. Já dentro do mesmo, vemos o público que se vai espalhando pelos palcos e pelos mil espaços que fazem do Rock in Rio um misto de festival de Verão, o primeiro da temporada, e feira popular recheada de atracções, distracções e ofertas que o público persegue avidamente.
Os Metallica, cabeças de cartaz do primeiro dia, ainda estão a horas de distância (sobem ao palco às 23h40), mas é impossível não deparar com eles, que são nome estampado em pelo menos 50% das pessoas que vieram para o dia dedicado ao metal, uma tradição de sempre do Rockin Rio lisboeta.
Dois anos passam a correr, repetimos. O slide que carrega gente pelos ares, em vista privilegiada sobre o palco principal (check!), as filas imensas para ganhar sofás insufláveis (check!), cristas punk, este ano cor-de-rosa, oferta de um patrocinador, que decoram várias cabeças (check!), a montanha-russa (check!) e a roda gigante (check!), agora deslocadas para próximo do Palco Sunset, aquele onde se promovem encontros musicais, como, esta tarde, o dos Mão Morta com os Mundo Cão (com aparição do escritor Valter Hugo Mãe), ou dos Ramp, veteranos do metal português, com os Teratron, a banda de electro-rock apocalíptico dos ex-Da Weasel João Nobre e Quaresma que sofreu para conquistar o tão devoto quanto conservador público metaleiro.
O dia dedicado ao metal é habitualmente aquele em que o Rock in Rio se parece verdadeiramente com um festival de rock. O público, que se estende da velha guarda com pinta de Hell’s Angels, aos convertidos de longa data com apresentação mais discreta (mas as cabeças abanam com o fervor de sempre) e aos miúdos que vestem as t-shirts dos Metallica (obviamente) ou dos Kreator (estão a tocar neste momento no palco Sunset com Andreas Kisser, guitarrista dos Sepultura) e que garantem a continuidade da comunidade, este público do Rock In Rio em dia de metal, dizíamos, está cá para ver concertos. Mas o Rock in Rio não é (apenas) música. É o passear de stand em stand, de barraca em barraca, e aproveitar o ambiente de festa.
No palco principal, às 19h, os Sepultura trouxeram consigo os franceses Tambours do Bronx, trupe que acompanhou a banda brasileira em Kairos, o seu último álbum, que percute bidons furiosamente e que dá um tom ainda mais gutural, de tribalismo urbano, ao ataque trash dos autores de Chaos AD (foi com ela que abriram o concerto).
Longe do palco principal, depois do arvoredo e das mesas de parque de merendas que oferecem descanso para as refeições, vive-se um outro ambiente, um outro festival. Chama-se Rock Street mas não é rock. Construída qual cenário de estúdio de cinema para filmar cenas em Nova Orleães, é a rua comercial do Rock In Rio. Tem lojas de roupa e de discos, locais onde se pode comprar chocolate e comida mais consistente, um engraxador e um ilusionista que reúne à sua volta alguns curiosos. E um coreto onde, não há muito, os Melech Malaya faziam a sua fanfarra klezmer, nos antípodas da descarga sonora distorcida que pontuará a noite de hoje.
Por agora, ainda há muito público a passear por ali. Depois dos Mastodon e dos Evanescence – as bandas seguintes no palco principal -, quando s Metallica que adornam as t-shirts de (contas por alto) 50% dos presentes subirem a palco, é muito provável que sejam bem menos na Rock Street. Porque hoje, naturalmente, como será dia de Metallica. Os Metallica de sempre, no Rock in Rio de sempre.