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A-24

Religiões seculares

por A-24, em 13.09.13
in A Corte na Aldeia

Na Europa, no mundo ocidental em geral, o retrocesso do cristianismo foi acompanhado pela efusão das religiões seculares. Com o fim da principal na sua versão ortodoxa, o marxismo, os substitutos fizeram sentir a sua presença de forma mais visível. O marxismo cultural tratou de espalhar bem alta a sua mensagem e o relativismo fez a sua parte. 
Com um catolicismo envergonhado era necessário encontrar substitutos que fizessem jus à asserção de Chesterton, e aqueles que deixaram de crer em Deus passaram a crer em qualquer coisa. A religião dos direitos dos animais, do feminismo, do género, acompanhada de outras de cariz mais esotérico como a new age fez a sua entrada triunfante e os hipermercados encheram-se de produtos para animais, esses mesmos que durante milhares de anos foram alimentados com restos e nunca se queixaram. Ao seu lado proliferaram as feirinhas esotéricas, os textos sobre reiki nos jornais e as ofertas de medicinas alternativas nas ruas das nossas cidades. Ofereceu-se o antigo com roupagens novas, mas como os clientes actuais nada sabem sobre as heresias primitivas o produto continuou a vender-se. 
O fenómeno atingiu todos os segmentos da sociedade, mesmo quando considerada a nível ideológico. E se, para a esquerda, é natural a obsessão com a destruição do catolicismo e sua substituição por qualquer religião secular, para a direita e mesmo para a área nacionalista só pode estranhar assimilação do fenómeno quem não se tiver apercebido do quão pouco de catolicismo nela resta. Por isso, acompanhando a erosão daquele e a vergonha manifestada por alguns em se assumirem como testemunhas de Cristo, os fanáticos da religião dos direitos dos animais (seja isso o que for) ocuparam o seu espaço, ao lado dos neo-pagãos com a sua mensagem plena de infantilidade mas que serve perfeitamente a quem não conhece mais nenhuma. Assim, deste modo, o bom e velho relativismo vai ganhando a batalha: não há verdades e todas as opiniões são legítimas. O ser humano faliu, na sua vertente tradicional (o que é velho é para abater e a tradição é perniciosa) e os animais são os nossos melhores amigos face á descrença na humanidade, marcada por um mal que já não é teológico porque a ignorância e a preguiça fazem valer os seus direitos. O paganismo, entretanto, propõe o regresso à natureza e a veneração dos ancestrais como uma coisa absolutamente nova, como se na tradição europeia e católica tal fosse completamente desconhecido. No meio de tudo agradecem os fabricantes de rações para animais e de bugigangas diversas, satisfeitos pelas novas oportunidades que se oferecem. O mercado, evidentemente, não pode parar.