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A-24

Quo vadis Europa?

por A-24, em 17.09.12
Hoje apetece-me falar no estado em que se encontra a Europa e em especial a União Europeia. Tento evitar ao máximo a política (e o futebol) neste canto, mas é pertinente abordar este tema, numa altura em que os juros espanhóis chegaram aos 7.5% e os italianos a quase 7%.
Acima a voz de Bruxelas: "A Europa unida, finalmente"
Abaixo a voz dos europeus: "Abaixo a Europa"
Quando  a Grécia começou a dar sinais que iria à bancarrota, um pouco por toda a Europa ninguém ligou. Ah e tal, aquilo é um país periférico, uma economina pequena, toca a lhes dar umas migalhas, reformar aquela economia e pô-los a pagar juros durante 30 anos. Uns meses mais tarde o mesmo aconteceu à Irlanda e a conversa dos burocratas de Bruxelas foi a mesma. Uns tempos depois foi a Hungria, depois Portugal e há um mês atrás o Chipre. Todos agora na mão do FMi, do BCE e da bola de Berlim. Nestes dias soube-se que na Espanha já ninguém acredita que o resgate seja somente para os bancos, mas sim para toda a economia. Já três comunidades autónomas pediram ajuda, incluindo a toda orgulhosa Catalunha e o governo de Rajoy não terá outra hipótese senão pedir dinheiro aos senhores do FMI, mas certo é que o resgate a Espanha será maior que o de todos os outros países que pediram ajuda juntos. Como é que estas três instituições arranjaram 500 mil milhões de euros para ajudar a Espanha? Mais, se a Espanha cai, logo a seguir cai a Itália, que precisaria de um resgate da mesma ordem. Onde se arranjarão 1 trilião de euros para estes dois países?
caricatura do jornal alemão Der Standard, sobre a situação da Grécia
Muita gente, ainda iludida com o falido projeto europeu, não conseguiu reparar que o Euro não   serviu à maior parte dos países, como Portugal, Irlanda, Grécia, serviu sim para afundá-los. Serviu q.b. para países como a Holanda, a França, a Finlândia que por estarem perto do centro da Europa a todos os níveis, viram as perdas serem minimizadas... mas até quando?! 
o Euro só serviu à Alemanha, que viu a economia crescer mais de 3% ano passado e continua a recrutar mão-de-obra qualificada aos países que gastam fortunas na formação e depois dão-nas de mão beijada a esse país. Por fim, o Euro serviu para todos os países que não têm esta moeda, serviu para a Noruega, serviu para a Dinamarca, para a Suécia, para o Reino Unido (monarquias que não querem nada com o Euro) e também para a Suiça, que capitaliza todo o dinheiro que os europeus já não confiam aos seus bancos nacionais.
Que futuro?
Em Outubro a Grécia vai falir, abandonará o Euro e depois disto só existem duas vias: Ou se ajuda a sério todos os países em dificuldades, ou então o Euro acaba de vez, mais tarde a própria União Europeia. Pessoalmente prefiro a segunda via e nem é por motivos económicos.
Como os alemães vêem os outros europeus.
Enquanto cidadão europeu só tive três vantagens com a UE:
-Poder trabalhar e estudar num outro país (Reino Unido) sem necessitar de um VISA de estudante ou de trabalho.
-Usar a mesma moeda em alguns países da UE. 
-Viajar dentro da UE sem passaporte (e está cada vez mais difícil).
Se estas três vantagens visíveis são realmente vantagens, que se note que eu poderia na mesma trabalhar ou estudar noutro país, pedindo o VISA cá e esta medida até ajudaria que a UE a ter menos alógenos dentro das suas fronteiras. 
Usar a mesma moeda facilita, mas atendendo ao número de cidadãos que viajam com frequência, isso são migalhas. Só o aproveita quem viaja e quase toda a gente que eu conheço não põe os pés dentro de um avião há muitos anos. 
Passaporte: Eu tenho-o na mesma para viagens fora da Europa. Custa 60 euros e vale por 5 anos. Vantagem irrisória.

Eu já não acredito na UE e com os anos fui me tornando eurocético, especialmente por notar que o projeto europeu só serve às pequenas minorias sociais e aos grandes oligarcas e capitalistas deste continente, cada um se aproveita do outro para atingir os seus fins e pelo meio ficam os verdadeiros europeus, atolados de dívidas e sem perspectivas de futuro. Entristece-me saber que a minha geração já vive pior que a dos meus pais, que a geração dos meus futuros filhos e netos viverá bem pior que a minha. Pior me sinto, porque eles não terão culpa disso mas arcarão com as consequências, frutos das políticas podres que não serviam para nós, enquanto que em Bruxelas, essa cidade parasitária, Durão Barroso, Angela Merkel e outros continuarão com sorrisos na cara e a fazer com que o cidadão acredite que a Europa tem futuro. 

"A Europa quer socialismo, monopólio estatal, pleno emprego artificial e, por último, racionamento para tudo. A UE continua no bom caminho para se tornar uma Múmia Europeia e um museu."  

Jarosław Mulewicz, deputado polaco na UE, para o Rzeczpospolita Varsóvia


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