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A-24

Quem não se lembra de França? Opiniões sobre a violência em Londres

por A-24, em 09.08.11

Tudo começou com a morte de um taxista de 29 anos, pai de 4 filhos. Atingido por tiros da polícia. Como em França, um excesso policial que levou à morte de um inocente (até prova em contrário), levou a uma escalada de violência nos bairros periféricos e pobres de Londres. Do protesto legítimo das pessoas do bairro onde morava o taxista, Tottenham, rapidamente se chegou a um estado de quarteirões inteiros sitiados, à criminalidade pura. Em pleno Agosto, tempo de férias escolares. Muitos dos jovens envolvidos nos distúrbios costumavam ocupar os seus tempos em centros de diversão que o Governo fechou no âmbito das medidas de austeridade levadas a cabo no país. Quem culpar? Os criminosos que destroem património público e privado, o acto policial que espoletou a revolta ou o Governo central que descurou na atenção dada a quem está à margem? Apenas há uma certeza: apesar da esmagadora maioria da população daqueles bairros repudiar os actos criminosos que têm acontecido, todos questionam os procedimentos policiais neste caso. Vamos ver onde poderá a revolta chegar.

A juventude não tem centros de diversão para passar as tardes e começa a partir montras e a saquear lojas. De quem é a culpa? Do governo inglês que mandou fechar os centros de diversão da juventude? Dos jovens que não têm com o que ocupar as tardes? Ou da polícia que despoletou a revolta? Por aqui parece haver quem tenha dúvidas deste género, mas não questione o facto de bairros inteiros entrarem em motim devido a um alegado excesso policial. Pelos vistos o motivo é atendível. E quem diz o 'excesso' policial, diz as pérfidas medidas de austeridade do governo de David Cameron. Está tudo ligado.

Reação ao primeiro comentário

As imagens de Londres mostram um tal tipo de criminalidade que pura e simplesmente é impossível continuar a dar aos motins o tratamento jornalístico que as televisões portuguesas ainda lhe estão a dar, insistindo que tudo ainda se fica a dever ao alvejamento mortal de um inocente em Tottenham. Pois, do que se vê, os incidentes há muito que romperam o nexo causal com esse acontecimento. Trata-se de violência primária e absolutamente indesculpável, ora simplesmente gratuita ora acompanhada de roubos e pilhagens. Mas ainda há gente, como oSérgio Lavos, para quem, bem analisadas as coisas, aqueles aparentes criminosos, que se passeiam nas ruas agarrados aos objectos do seu saque (plasmas e afins), não são mais do que simpáticos escuteiros a quem o governo fechou os centros sociais onde ocupavam os seus inofensivos dias. Coitados. 
(31 da Armada)

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