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A-24

'Piratas do ar' portugueses desviaram avião há 50 anos

por A-24, em 09.11.11
Cinquenta anos depois do desvio de um avião que visava derrubar Salazar, alguns destes 'piratas do ar' reúnem-se para assinalar a efeméride e tentar impedir que a sociedade esqueça a sua luta contra a ditadura.

O célebre desvio do Super-Constellation da TAP 'Mouzinho de Albuquerque' foi feito por meia dúzia de 'resistentes', para quem era preciso fazer algo «em grande» que abrisse caminho à liberdade que não existia com Salazar no poder, como contaram à Lusa alguns dos autores do golpe
Meio século depois, a iniciativa de tentar impedir que este episódio da história portuguesa seja esquecido é da Associação Promotora do Livre Pensamento (APLP).
O presidente da APLP, Luís Vaz, explicou à Agência Lusa os propósitos deste encontro, que decorrerá quinta-feira num restaurante em Lisboa: «Passar à juventude uma mensagem pedagógica sobre a importância deste acontecimento histórico».
«Sendo a APLP uma associação que pretende manter a memória viva sobre os acontecimentos históricos, não podíamos deixar de recordar este episódio e inseri-lo no contexto da luta anti-fascista», disse o historiador, autor de vários livros sobre o anti-fascista Hermínio da Palma Inácio.
O desvio foi protagonizado por Hermínio da Palma Inácio, um resistente que na altura era conhecido e perseguido pela polícia política.
Com ele alinharam Camilo Mortágua, João José Martins, Amândio Silva, Maria Helena Vidal e Fernando da Costa Vasconcelos.
Os 'piratas do ar' embarcaram em Casablanca no avião, que fazia a rota Lisboa-Tanger-Casablanca-Lisboa, e obrigaram o comandante a sobrevoar Lisboa e outras cidades a baixa altitude para lançarem panfletos contra o regime de Salazar.
Os revolucionários regressaram a Marrocos, tendo posteriormente seguido para o Brasil.
Em Portugal, o regime acumulava mais esta fenda, a qual se seguiu ao desvio do paquete Santa Maria, que tinha ocorrido em Janeiro desse ano.
«Este é um acontecimento que marca o início do fim do regime», explicou Luís Vaz, considerando que a sua lembrança é uma forma de mostrar à juventude que, «mesmo sem emprego e numa ditadura económica, é possível ter energias para o combate».
Para o historiador, hoje em dia «não há uma ditadura, mas sim ditaduras psicológicas».
«A juventude é criativa e vai saber actuar, não nestes moldes, mas saberá como resistir», disse.

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