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A-24

Pedro Rolo Duarte comenta as vendas e o futuro da imprensa em papel

por A-24, em 04.07.12
Parece que há níveis de realidade distintos, em camadas, quando se fala de tiragens e vendas de imprensa. As piores notícias podem sempre ser boas.
É triste, mas é assim. E falamos de notícias de jornais…
Tenho tendência a ler tudo, sorrir aqui e ali, e depois seguir, no noticiário, o Correio da Manhã, porque é o jornal que apresenta a que me parece mais fiável das contabilidades: a venda em banca, isto é, os exemplares que se vendem diariamente ou semanalmente na rua, nos locais de venda, nos quiosques. Isto exclui assinaturas – que podem ser relevantes, mas não reflectem a tendência efectiva do momento que vive o mercado -, e vendas em bloco (para a TAP, para empresas, etc), que são negócios laterais ao interesse efectivo dos leitores.
Dito isto, e num ambiente em que, nas noticias publicadas, todos vencem, a realidade é só uma. Esta: nos 10 meios de imprensa mais vendidos em Portugal, entre diários generalistas e desportivos, semanários e revistas, perderam-se, NA VERDADE, entre 2011 e 2012, 73500 compradores de imprensa.
É um número pesado. Superior às vendas médias de oito dos dez mais vendidos. Qualquer coisa como se, de um ano para o outro, o “Expresso” passasse a vender 6000 exemplares em banca, em vez dos actuais (escassos, se olharmos para a história do jornal) 79943 exemplares.
Se é compreensível esta queda brutal na imprensa diária – vencida pela net, pelas rádios, pelas TVs, pelas redes sociais, em todas as frentes -, é claramente um sinal de ineficácia dos semanários e das revistas, que têm nas mãos o mercado, o potencial, o futuro, e preferem seguir as receitas que as novas tendências de consumo condenam e rejeitam.Pertenço ao cada vez maior grupo de profissionais que defende que a imprensa em papel vai ser a jóia da comunicação nos próximos anos. O ouro. O diamante lapidado. Só a melhor imprensa, a de excepção, a de nicho, a de paixão (nem que seja por um artista ou clube de futebol...), vai sobreviver ao digital e à virtualidade. Os nossos semanários, as nossas revistas, já deviam estar a trabalhar esta nova abordagem de um velho mercado. E já deviam estar a reinventar o seu universo e negócio. Os velhos paradigmas morreram lá atrás. Ninguém quer ver o óbvio?

Pedro Rolo Duarte