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A-24

Os portugueses desistem, os imigrantes também

por A-24, em 07.09.12
Joana Lopes
Este título ─ Para os imigrantes o importante é voltar a Angola com uma formação ─ reflecte não só a ambição mais do que legítima daqueles que vieram em busca de uma vida melhor e que agora verificam que existem oportunidades para profissionais qualificados no seu país, mas, também, a triste situação do nosso.

Uma senhora que me ajuda cá em casa algumas horas por semana, angolana que acabou há semanas a licenciatura em Enfermagem, parte esta noite para Luanda para decidir se por lá fica ou se regressa para fazer o mestrado e parte depois. Uma brasileira, que toma conta de um pequeno restaurante onde almoço às vezes, tem hoje o seu último dia de trabalho porque volta amanhã para Minas Gerais: «Aprendi muito aqui, mas já não dá. Fiz o 11º ano em hotelaria e vou aproveitar para encontrar uma situação muito melhor por lá.» Inquéritos feitos recentemente a estudantes universitários portugueses apuram que 69% pensa que terá de emigrar.

Ou seja: temos todas as dificuldades que sabemos, mas damo-nos ao luxo de deitarmos pela borda fora o investimento que fazemos em nós e naqueles que nos procuraram em tempos menos negros, porque (ó espanto dos espantos!…) o desemprego não cessa de crescer. 

A grande maioria dos universitários não vê outro horizonte que não veja a emigração, muitos imigrantes formam-se cá e vão-se embora a seguir, para os seus países ou para a Europa mais a Norte.
Deve ser este o sonho húmido de Nuno Crato: ter o país povoado por jovens carpinteiros, canalizadores e padeiros, «castigados» porque não tiveram condições sociais para chegar às universidades, e continuar a ver-se livre dos outros que só pioram as percentagens decentes do desemprego.

Isto, claro, enquanto o «canalizador português» não substituir o polaco e não começar também a mourejar por essa Europa fora. 

Triste mas evidente sina a nossa!…