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A-24

O porquê da falta de empreendedores em Portugal

por A-24, em 17.05.12
Porquê é que tantos Portugueses emigram e tornam-se empreendedores em outros países de um momento para o outro. Ser-se empreendedor em um país diferente, longe da família e amigos, longe de relações pessoais se convertem tantas vezes em relações profissionais, deveria ser mais difícil. Porquê é que Portugueses ganham assim de repente um espírito empreendedor com a mudança da país.  Será a mudança de ares ou a descida do Espírito Santo que os faz esquecer anos de educação e cultura anti-empreendorismo?
Existirão vários factores que contribuem para a resposta. Mais oportunidades de investimento associadas ao crescimento da economia como um todo será um factor. A verdade é que em qualquer economia estagnada existem sectores a crescer. É aí que estão os tais empreendedores encontram oportunidades. E é por isto que se podem encontrar imigrantes Portugueses empreendedores em qualquer país do mundo onde se encontrem Portugueses. Porque é que não nos sectores em crescimento em Portugal?
Precisamos de encontrar mais e melhores razões para a falta de empreendedorimo,
Como empreendedor dou algumas das razões para recomendar a amigos que não o sejam em Portugal. Em Portugal uma pequena empresa é esmagada por um lado por regulações fiscais, de trabalho, ambientais, sanitárias e demais e por outro lado por concorrentes que beneficiam dos subsídios estatais ao alcance de apenas das empresas já estabelecidas. Tudo isto temperado com uma Justiça que continua a ser lenta e cara. A falta de financiamento disponível para novas empresas é apenas uma consequência destes factores.
O problema de fundo é o Corporativismo em Portugal, que permite que as regras de mercado sejam discutidas entre políticos, representantes de associações empresariais que defendem o interesse de umas poucas empresas e representantes sindicais que representam os interesses de uns poucos trabalhadores. Só dessa forma se entende que pequenas empresas de serviços no sector das tecnologias tenham as mesmas obrigações que grandes empresas industriais. Só assim se entendem as regras de acesso aos subsídios estatais que colocam barreiras intransponíveis a novas empresas.
O Corporativismo em Portugal conseguiu que a palavra “concorrência” seja entendida como “controlo à concorrência”. Uma nova empresa em Portugal sabe que a sua capacidade para concorrer em qualidade/preço é fundamental para capturar mercado. Na maior parte dos mercados o estado regula preço e/ou obriga a requisitos de qualidade. Mecanismos que facilitam a continuidade do modelo de negócio dos incumbentes.
A facilidade de contratação/despedimento penaliza mais empresas que não têm uma dimensão estabilizada. Uma nova empresa, por definição, tem um potencial de crescimento e decrescimento muito maior que uma empresa incumbente. Não será por acaso que o enfoque dos “representantes das empresas” nas corporativas “consertações sociais” nunca seja a flexibilização da contratação e a desburocratização das relações laborais.
Se Passos Coelho quer de facto criar “oportunidades” de empreendedorismo pode dar menos conselhos aos outros, e começar a fazer o que lhe compete que e desregulamentar e destruir o sistema corporativo que atrofia a economia Portuguesa.
in O Insurgente