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A-24

O palco das ilusões

por A-24, em 29.05.14

Pedro Daniel Oliveira

Já todos sabemos que Macau é um lugar pequeno com muitas pessoas (residentes ou turistas) e onde não é grande a variedade de negócios, para além da indústria do Jogo, do turismo, do cada vez mais definhado pequeno comércio da restauração.

Há depois, como em qualquer cidade perniciosa, os negócios obscuros relacionados com o Jogo, tais como a prostituição, a lavagem de dinheiro, as transacções fraudulentas com recurso a cartões de crédito ou de débito, a "comercialização" de uma grande variedade de drogas, entre outros expedients altamente lucrativos que teimam em florescer à margem da legislação vigente.

Para um turista não chinês que aqui passa uns dias de lazer, certamente não conseguirá "Sentir Macau" conforme apregoa o "slogan" da Direcção dos Serviços de Turismo.

Por um lado, porque por vezes pouco civilizados nos modos como se comportam em sociedade, sendo que a grande percentagem deles vem para gastar dinheiro nos casinos e/ou em prostitutas.

Por outro lado, porque o comum turista não vai para a zona da Areia Preta, não entrando assim verdadeiramente em contacto com a população chinesa de Macau.
Acredito também que a maior parte não visita as zonas da Barra (a ida ao Templo de A-Má é o mero cumprir de um pró-forma, ficando o restante por ver), do Mercado Vermelho e da ilha da Taipa (excluindo o Cotai), por isso não estará em condições de "Sentir Macau" na sua verdadeira essência identitária, até porque para ele o território serve apenas como um local de passage e de algum (pouco) divertimento.
De igual forma, não se apercebe como é a vida da população, nem terá qualquer tipo de inveja de não ser considerado residente, sempre que estiver confrontado com a poluição atmosférica, com os turistas do continente chinês que sufocam o centro e algumas periferias da cidade, com os taxistas desonestos, com a péssima qualidade do serviço prestado pelos transportes públicos, etc.
Sentimento oposto certamente terá quem visitar Nova Iorque, Toronto, Viena, Lisboa, Londres, Paris, Singapura, Amesterdão, Copenhaga, Berna, Frankfurt, Banguecoque, Auckland e Melbourne, entre muitas outras cidades mundiais.