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A-24

O Lado Negro de Mandela

por A-24, em 22.07.12
Ricardo Lima via Insurgente

Nelson Mandela é hoje uma da figura políticas mais simbólicas ainda vivas. O seu papel na transição da África do Sul, no início dos anos 90, é inegável. Durante as duas décadas que passaram desde que o regime do Apartheid caíu de podre, o papel de Mandela no apaziguamento das tensões raciais foi decisivo. Ainda hoje não tenho dúvidas que é ele a fronteira entre o actual Estado de paz frágil e uma situação previsível que se pode vir a comparar a de alguns países vizinhos – se algum dia a ala radical do ANC chegar ao poder. Hoje Nelson Mandela é um símbolo de paz. Mas até os Santos têm o seu lado negro. O Mandela enaltecido nas TVs, um homem que segundo os jornalistas dedicou toda a sua vida à paz, não bate certo com o homem que no final dos anos 50 defendia acerrimamente a luta armada a fim de conduzir África à via marxista. Muito menos condiz com o estratega que liderou durante anos o Umkhonto we Sizwe, braço armado do ANC e parceiro do Partido Comunista da África do Sul. Mas, goste-se ou não, o senhor carismático e sorridente que hoje vemos na TV foi o responsável por numerosos atentados de uma violência semelhante ou superior à da maioria dos grupos terroristas que aprendemos a temer neste século XXI. Não deve também ser descorada a afeição de Mandela por ditadores como Castro ou Gaddafi, que sempre apoiou ou os seus laços com o PLO e Arafat. Para terminar, as suspeitas de corrupção ainda do perseguem, assim como o inexplicável enriquecimento dos seus colegas de partidos. Quanto à África do Sul, se é verdade que a linha que separava brancos e negros se foi apagando, a linha que separa a pobreza e a fome dos luxos dos oligarcas e dos funcionários do partido apresenta-se a cada dia mais carregada. Não obstante a minha admiração por alguns dos feitos de Mandela, não há aura de messias que apague o seu passado.