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A-24

Novas definições de neoliberalismo

por A-24, em 30.04.12
O Neo-Liberal é o dragão das direitas políticas. Há sempre que o tema ou admire e, simultâneamente, todos falam sobre ele, apesar de nunca ninguém ter visto um e qualquer homem intelectualmente bem preparado ter certas dúvidas quanto à sua existência. No entanto o dragão está presente na literatura, no cinema, na mitologia. E também o Neo-Liberal está presente, em manifestos, programas  e almanaques de teoria politico-filosófica que, de certa forma, nos presenteiam com tanta ou mais fantasia que muitos dos  clássicos de dragões. Mesmo recorrendo à etimologia – arte que não domino – numa tentativa de tentar descobrir o grande mistério do neo-liberal, as dúvidas intensificam-se, não se evaporam. Ora vejamos, Neo implica novo. E eu até estou bem mais confortável a ler os velhinhos, os clássicos, que de novos nada têm. Só se fôr pela idade, mas se assim for, faria sentido começar a chamar Neo-Socialista a todo o desgraçado que me vier com estatisses. Também não me recordo de muitos casos de Liberais a la Insurgente em Governos, mas quem souber pode avisar-me, já que, ao que vejo, sofro de défice de informação. Porque Neo-Liberal é um termo abrangente. O Sócrates é Neo-Liberal e o Blair. O Papa é Neo-Liberal? Provavelmente. Enfim, com o passar dos anos, o azedar dos debates e a desinformação doutrinária o “Neo-Liberal” tornou-se o “Fáxista” dos tempos modernos. E como o Fáxista, o Neo-Liberal é culpado de todas as desgraças do mundo, a começar na crise financeira e a acabar nas hemerróides de um qualquer coitado.

In O Insurgente em resposta a:

Eu não acho que os neoliberais tenham apreço pela liberdade, ou deixem de ter. Nem acho que os neoliberais tenham uma filosofia. A "filosofia" deles é a "filosofia" da Ayn Rand: possidónia, lambida, infantil, pomposa e dramática. Há 14 anos a ouvi-los aqui no Texas, todos os dias, há muito que deixei de considerar "as ideias" da direita neo-liberal como uma coisa séria. Os argumentos deles são argumentos de miúdos com uma idade mental de sete anos. São contra ou a favor do estado consoante a discussão em que se empenham em cada dado momento. Quando se apanham no governo gastam mais que os socialistas, apertam os direitos dos cidadãos o mais que podem, impõem as ideias da semana com uma raiva evangélica e um desprezo total pela democracia ou pela liberdade. Não há lógica no discurso deles, nem regras, nem coerência interna. Por isso é tão cansativo lê-los e ouvi-los, ou tentar discutir com eles. O discurso da direita neo-liberal é um discurso fora da lógica e das regras do discurso intelectual. Não vale a pena lê-los nem ouvi-los. O Hayek está para a economia como o Paulo Coelho está para o estudo das filosofias orientais. Por isso teve uma vida insignificante até a Margaret Thatcher o desenterrar do esquecimento merecido a que o mundo o tinha votado, e o promover da mesma forma que Alan Greenspan promoveu a Ayn Rand. O Hayek e a Ayn Rand são os Thierrys Guettas da direita. 

in Esquerda Republicana