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A-24

No 200º aniversário de Kierkegaard

por A-24, em 08.05.13
Foi há precisamente duzentos anos que nasceu Soren Aabye Kierkegaard, o mais importante filósofo escandinavo e um dos maiores da raça branca. Desde muito cedo denunciou a hipocrisia dos seus compatriotas cristãos, que de tal só tinham o nome. Era frequente referir-se á vida de Copenhaga como cheia de "beatice falsa" e, como tal, o seu projecto maior passava por recristianizar o cristianismo. Por causa disso houve alguns pastores luteranos que o acusaram de blasfémia, argumentando que se estaria a fazer passar por Cristo.
Dizia que o homem atravessa várias etapas na sua vida terrena, o que influenciou mais tarde psicólogos da craveira de Erikson ou Piaget. Quando foi estudar para a Alemanha tomou tal ódio a Hegel que disse que não descansaria enquanto não fosse um filósofo maior que o alemão, a quem se referia como o "bastardo meia-leca" e "projecto de nazi". Infelizmente, quando começou a dar aulas, a sua sala encontrava-se às moscas enquanto a de Hegel estava sempre a abarrotar. Como tal deixou a Alemanha e passou sempre a considerar os germânicos como "os maiores filhos de putas que Nosso Senhor alguma vez deixou que pisassem o planeta". 
Sempre elegantemente vestido, exercia forte atracção sobre o sexo oposto, pelo que teve muitas pretendentes. Uma vez esteve para casar, mas já com tudo combinado desistiu, dizendo que depois não tinha tempo para filosofar e que a mulher, quando viesse a estar com afrontamentos, ainda acabava por dar com ele em doido. Devido a este e outros episódios há quem diga que ele era misógino, mas nada na sua vida ou obra parece sustentar tal opinião. Também o movimento guei dinamarquês (danskas gayska mofaamans) o reclama como um dos seus, omitindo que, numa carta para o seu amigo Krull Lindegaard se refere aos gueis como "um sacana dum flagelo, especialmente esses rabetas que estão sempre no engate junto à cervejaria Folsk, onde um homem às vezes nem sequer pode beber um copo descansado sem ser assediado por esses anormais."
Filósofo polémico, não se coibiu de condenar o liberalismo, o marxismo e todos os tipos de totalitarismo. Alma simples, dizia que "com um copinho, uma fatia de broa e um queijinho do bom um homem tem, necessariamente, de ser feliz". Era assim, este nosso filósofo. Responsável por grandes obras como Ou Ou, Temor e Tremor ou outras, amigo de Portugal, país do qual disse um dia, ser "pequeno em tamanho mas mesmo assim maior que a Dinamarca".
João Vaz