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A-24

"Nacionalismo de miséria"

por A-24, em 18.03.12
«Se, em 1975, o espectro português era o "socialismo de miséria", hoje a ameaça é a do "nacionalismo de miséria". É possível encontrar conservadores empedernidos de braço dado com esquerdistas assumidos, cantando em uníssono o refrão da reestruturação da dívida, e da eventual saída do euro, como se tal constituísse um desígnio estratégico. Do mesmo modo, é possível encontrar gente de todo o espectro partidário que compreende, ou pelo menos pressente, a enormidade que seria um tal caminho. A reestruturação da dívida grega foi mais uma má ideia da chanceler Merkel. Os gregos foram obrigados a engolir esse presente envenenado. Cada euro "perdoado" pelos credores custará dez euros à economia grega, quer na fuga de capitais, que continua como uma mortífera hemorragia, quer no afastamento dos mercados, que, se nada mudar na política europeia, ameaça eternizar-se. O problema sobra, contudo, para nós. A subida brutal dos nossos títulos de dívida no mercado secundário, assim como o coro de todos os analistas financeiros, incluindo o oráculo de Roubini, parecem condenar Portugal a seguir a dolorosa via dolorosa. Contra isso, que podemos fazer? Investir em todas as frentes, pela causa da sobrevivência europeia. O Governo, os partidos, as associações, os indivíduos devem pugnar junto dos seus congéneres europeus, e das instituições comunitárias, por uma solução federal, que inclua a mutualização da dívida. Há eleições, nos próximos meses, que podem trazer mudanças importantes em Paris e em Berlim. Quem não quiser regressar à pobreza do nacionalismo, deve erguer a sua voz agora. Reestruturar a dívida e sair do euro não seriam uma escolha, mas uma derrota.» [DN]
Viriato Soromenho Marques