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A-24

Mundial 2014: Portugal quase eliminado

por A-24, em 23.06.14

EUA 2-2 Portugal (Jones 64´ e Dempsey 82´; Nani 5´ e Varela 90´+4)

Um golo de Varela mesmo em cima do apito final, permitiu a Portugal manter a esperança na qualificação para os oitavos-de-final. Contudo, terá que acontecer outro milagre para ser alcançado esse objectivo (Portugal tem que recuperar 5 golos aos EUA, ou seja, ganhar 3-0 ao Gana e esperar um 2-0 para a Alemanha, por exemplo).

A selecção até entrou bem, com o golo de Nani, mas cedo se percebeu que a defesa ia passar por dificuldades. Com um meio campo nacional lento e pouco pressionante, os EUA foram aproveitando para construir ataques perigosos. Bradley, Zusi e Dempsey tiveram remates perigosos, mas foi novamente Nani a ficar perto do golo (remate ao poste, com a recarga de Éder a obrigar Howard a excelente defesa). No segundo tempo, já com William Carvalho em campo, Portugal estava a conseguir aguentar o meio campo, mas não as investidas pelo flanco direito dos EUA (Ricardo Costa salvou um golo em cima da linha). Num desses lances, os norte-americanos ganharam pontapé de canto e, na sequência, Jones rematou de meia distância para o 1-1. Pouco tempo depois, Meireles ficou perto do 1-2, mas viu Howard defender o seu remate. Portugal procurava o golo, no entanto, sem grande critério e sobressaltos para a defensiva norte-americana. Pelo contrário, foram mesmo os EUA a chegar ao 2-1. Jogada de insistência na área portuguesa e um desvio de Dempsey, com a barriga, para o fundo das redes de Portugal. O golo qualifica os EUA, mas Varela serviu um prato frio aos norte-americanos. Perda de bola do meio campo dos EUA, Ronaldo cruza com precisão e Varela cabeceia para o 2-2 final.

EUA - Uma selecção com a lição bem estudada e com uma capacidade física bem superior a Portugal. O golo sofrido (grave erro de Cameron), obrigou os norte-americanos a ir para a frente, mostrando qualidade na circulação de bola e facilidade em chegar às áreas de finalização. Clint Dempsey, apesar de ser algo lento, foi rápido o suficiente para superar os centrais portugueses por diversas vezes; Zusi, aposta de Klinsmann para este jogo, entrou com intensidade e criou bastantes desequilíbrios quando jogou sobre a direita;Michael Bradley e Jones foram incansáveis no meio campo e apareceram bem em zonas de finalização (Jones marcou um golaço), enquanto Howard esteve seguro na baliza eJohnson explorou bem as debilidades do lado esquerdo da defesa portuguesa.
Portugal - Vai ser preciso mais um milagre (o 1º foi o golo de Varela nos descontos) para chegarmos aos oitavos de final, basicamente temos de ganhar e golear ou ganhar e esperar que a Alemanha goleie. Quanto ao jogo, à semelhança da 1ª partida e da qualificação, foi mais uma exibição aquém do esperado para uma equipa que precisava de vencer para depender de si mesma para passar à fase seguinte. O facto é que o adversário era muito inferior em todos os aspectos à Alemanha, mas mesmo assim a equipa portuguesa foi completamente encostada às cordas durante largos períodos de tempo, raramente marcou o ritmo de jogo, e chegar ao intervalo a vencer foi mais obra do acaso do que outra coisa. A equipa mostrou-se em constante esforço, alguns jogadores andaram perdidos no relvado, muita dificuldade em ocupar espaços, e não obstante algumas chances negadas por Howard, pairou sempre no ar a inevitabilidade de um (ou mais) golo norte-americano. O lado esquerdo da defesa foi um problema permanente, com os laterais (Almeida e Veloso) a mostrarem não só falta de velocidade mas também lacunas de posicionamento inadmissíveis a este nível. Inadmíssivel é também a quantidade de lesões (Postiga ficou KO cedo e Almeida só aguentou uma parte) sofridas, mas nada de novo considerando que boa parte do grupo está colado com cuspo e fita-cola. Aliás, a preparação física, ou falta dela, ficou bem patente na passividade mostrada em todo o encontro, nomeadamente no processo defensivo (poucas divididas ganhas, muita marcação com os olhos), com o colectivo a pressionar pouco, a recuar em bloco e dar demasiados espaços a jogadores que nem tinham argumentos técnicos para se libertarem de zonas de pressão mais intensas. Ofensivamente, e depois de um golo caído do céu, a equipa viveu de fogachos individuais, incapaz de realizar jogadas colectivas em velocidade, ou sequer de fazer os adversários correrem atrás da bola, como no tempo do futebol sem balizas.

Beto - Não foi por ele que Portugal empatou; negou o golo por várias ocasiões, e deu outra confiança ao sector defensivo (o seu bom jogo de pés dá sempre mais uma linha de passe).

Ricardo Costa - Porventura o melhor em campo, o que diz muito da exibição da equipa. Bastantes cortes decisivos, incluindo um em substituição de Beto a evitar um golo feito.

Varela - À imagem de 2012, foi herói improvável. Entrou, praticamente não fez nada de positivo, mas manteve Portugal no Mundial com um cabeceamento irrepreensível.

Ronaldo - Incrível como os colegas só parecem ter olhos para ele, pois a bola é-lhe endossada mesmo que esteja rodeado de defesas, e existam outras linhas de passe. CR7 não teve capacidade física ou mental (é complicado adormecer ao lado de Bale e acordar ao lado de Postiga) para fazer estragos e defensivamente voltou a demonstrar que é o jogador de Top menos esforçado do Mundo, mas ainda assim conseguiu colocar uma bola milagrosa na cabeça de Varela para evitar a derrota.

André Almeida/Bruno Alves - O defesa esquerdo é o patinho feio da crítica, e deve ter posto Bento a suspirar por um defesa esquerdo de origem. Defendendo sempre por dentro, deu muito espaço na linha, bem aproveitado por adversários muito mais rápidos. Já Bruno Alves mostrou também pouca capacidade física, a sua maior arma. Pouco rápido, pouco intenso, o lance do 2-1, em que ficou deitado uma "eternidade", resume a sua actuação.

Moutinho/Meireles - Espelho do jogo português. Pouco intensos a defender, sem criatividade no ataque. Autênticas nulidades em campo. O médio do Mónaco, que sem surpresas foi um dos flops da Liga francesa (há muitos os leitores do VM conhecem a nossa opinião sobre JM), voltou a demonstrar que está muito longe do nível dos principais centro-campistas da actualidade (e o problema é que agora além de acrescentar pouco na posse, construção, capacidade de "pegar" no jogo, também está muito menos eficiente no jogo sem bola, na pressão, ocupação de espaços, leitura).

João Pereira/Miguel Veloso - O lateral direito mostrou-se pouco no ataque, e foi várias vezes ultrapassado. Veloso nunca mostrou intensidade no meio-campo, mas deu razão a Bento quando passou para lateral: com pouca velocidade e mau posicionamento, nem foi preciso aos norte-americanos pedirem licença para passarem por ele.

Nani - Jogo estranho, o extremo foi o mais desequilibrador, fez um golo e mandou um balázio ao poste, mas a maior parte das suas acções foram autênticos desastres, desde más recepções a passes disparatados.

Éder - Entrou para o lugar de Postiga, mas não fez muito por merecer a chamada à equipa. Trapalhão nas saídas em contra-ataque, nunca conseguiu ter bola e jogar com colegas, perdendo sempre os duelos com a defensiva contrária. Ainda por cima, falhou o segundo golo de forma quase escandalosa.

William Carvalho - Entrou na segunda parte, e deu de imediato outra dimensão física ao meio-campo (pressionou à frente, recuperou bolas, e estancou muitos ataques, nem que fosse com faltas), para além de apresentar uma capacidade de saída de bola e de passe nunca mostrados pelos seus colegas de sector.


Postiga - Entrou. Lesionou-se sozinho. Saiu (aos 12 minutos). Incrível como se leva ao Mundial um jogador que praticamente não jogou em 2014.

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