Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A-24

Mundial 2014: Dia 5: Vitórias de Suiça, França e Argentina

por A-24, em 16.06.14
Visão de Mercado

Na abertura do Grupo E, a Suíça sofreu para conseguir o triunfo por 2-1 diante de um Equador perigoso, sendo que a vitória apenas ficou selada no último minuto da partida com um golo de Seferovic. Apesar dos 3 pontos, foi notório que os elementos de Hitzfeld acusaram a pressão de estar num Campeonato do Mundo, sobretudo na 1.ª parte. Muitos passes errados, uma sequência de más decisões, inclusive nas bolas paradas, mas com o golo de Mehmedi logo a abrir a 2ª parte (depois de Valencia ter colocado os sul-americanos a vencer) tudo mudou. Os equatorianos, por outro lado, deram muito trabalho com a força física e potência dos seus jogadores, sobretudo através de Montero, que massacrou Lichtsteiner, mas a inexperiência – claramente visível no lance do 2-1 – foi decisiva. Em termos individuais, Shaqiri teve bola, procurou desequilibrar (rematou muito), mas foi algo inconsequente, enquanto que Lichtsteiner fez uma má partida e foi batido muitas vezes por Montero. Inler esteve perto de marcar, Ricardo Rodríguez fez um grande jogo (2 assistências e muita profundidade), sendo que Mehmeti revolucionou a patida. Nos sul-americanos, Jefferson Montero foi um dos melhores (grande capacidade de aceleramento e explosão), Antonio Valencia foi uma nulidade, enquanto que a força de Caicedo fez a diferença na frente.

França 3-0 Honduras (Benzema 45' g.p. e 72' e Valladares 48 p.b)

Entrada em grande da França no Mundial 2014. Mesmo sem Marselhesa (por problemas técnicos não se ouviram os hinos antes do encontro), os gauleses rubricaram uma excelente exibição e venceram as Honduras por 3-0, juntando-se à Suíça na liderança do Grupo E. Um jogo histórico em Porto Alegre, já que marcou a primeira vez em que a tecnologia de baliza foi utilizada - de forma realmente útil - para validar o auto-golo do guarda-redes Valladares. O conjunto de Deschamps já estava a ser bastante superior e a expulsão de Palacios (no lance que deu o 1-0) em cima do intervalo facilitou ainda mais a tarefa. Benzema bisou e foi o homem do jogo.
O encontro não teve grande história. A França encostou as Honduras à sua baliza (os hondurenhos só fizeram 1 remate) e atirou duas bolas à barra antes de inaugurar o marcador. Palacios, que seria expulso, cometeu grande penalidade sobre Pogba e Benzema não vacilou. Na segunda parte, foi um passeio para os gauleses. O avançado do Real Madrid atirou ao poste e a bola foi ter com Valladares, que a introduziu na própria baliza. Azar do guardião hondurenho, que evitou que os franceses marcassem mais. Só não evitou mais um de Benzema, que se juntou a Neymar, Van Persie e Robben na liderança na lista de melhores marcadores.
França - Excelente entrada da selecção gaulesa, que realizou uma exibição muito positiva - apesar das fragilidades do adversário e conquistou um triunfo tranquilo. Defensivamente não houve grandes dificuldades, o que permitiu a Debuchy aventurar-se bastante no ataque. Pogba e Cabaye estiveram em bom plano no meio campo, com Valbuena e Griezmann - muito rápidos e com uma qualidade técnica soberba - a aparecerem em zonas interiores para desequilibrar. Matuidi apareceu ligeiramente descaído sobre a esquerda na primeira parte e também realizou uma bela exibição. Benzema, que marcou dois que poderiam ter sido três, entrou mal mas foi ganhando confiança e acabou como homem do jogo. 
Honduras - Até à expulsão de Palacios - que até estava a ser um dos melhores - foram cumprindo defensivamente mas a equipa ficou curta na hora de sair para o ataque. A bola não chegou a Costly e Bengtson, que estiveram muito sozinhos no ataque. Najar e Izaguirre, que tinham a missão de dar profundidade pelos flancos, não foram bem sucedidos nessa tarefa. Lá atrás, apesar do azar no 2-0, Valladares evitou que os números da vitória gaulesa fossem maiores. De lamentar também a dureza dos hondurenhos (na segunda parte foi só "distribuir fruta").

Argentina 2-1 Bósnia-Herzegovina (Kolasinac 3' p.b. e Messi 64'; Ibisevic 84')


Esperava-se mais da Argentina, futebol pouco fluído e um caudal ofensivo insuficiente, mas o objectivo foi cumprido e com a vitória por 2-1 frente à Bósnia, na teoria o principal adversário no grupo, a Albiceleste não deve ter problemas em marcar presença nos oitavos-de-final.
Encontro pouco espectacular, que começou logo com um auto-golo de Kolasinac aos 3 minutos (na sequência de um livre depois de um desvio de Rojo meteu a bola na própria baliza), e sem grandes destaques na 1ª parte. Lulic, o mais irreverente do conjunto Bósnio, podia ter empatado na sequência de um canto mas Romero fez uma excelente defesa. No 2º tempo, o jogo mudou um pouco, Sabella, que tinha apostado numa táctica de 3 centrais voltou ao plano A e colocou Higuain na frente (juntou-se a Aguero e Messi) e Gago no meio campo, e os argentinos tiveram um pouco mais de dinâmica, Messi com o seu transporte de bola ia criando alguns desequilíbrios, e numa jogada individual fez mesmo o 2-0 (golo típico do craque do Barcelona a fazer uma incursão da direita para o centro e meter a bola no canto esquerdo). O resultado parecia feito, mas a Bósnia ainda assustou a Albiceleste, quando Ibisevic bem desmarcado reduziu. No entanto, até final, os bósnios não voltaram a incomodar Romero.
Messi - Péssima 1ª parte, incrível a sucessão de lances em que exagerou na acção individual e perdeu a bola. No 2º tempo com a alteração táctica melhorou, mas o que aliviou o craque do Barça foi mesmo o golo. O Nº10 tinha ficado em branco em 2010, e em 2006 só tinha facturado nos 6-0 à Sérvia. Com o tento, soltou-se mais, criou ainda mais desequilíbrios, e apesar de não ter feito uma super-exibição foi a principal unidade da Argentina.
Argentina - Sabella, certamente deslumbrado pelo sucesso da Holanda e Costa Rica, apostou numa táctica com 3 centrais mas falhou por completo. A equipa esteve sempre muito partida (enorme vazio no meio campo), a dinâmica ofensiva foi quase inexistente, e o futebol pobre na 1ª parte obrigou a uma revolução ao intervalo, mesmo com a vantagem da Albiceleste no marcador. Na 2ª parte, já se viu um pouco mais do que esta Argentina pode fazer no Mundial, mas caso queira vencer a competição tem de melhorar muito o futebol. A intensidade, dinâmica, caudal ofensivo, tem de multiplicar. A nível individual, destaque para as presenças de Rojo (se a lateral já rende menos, então a lateral num esquema de 3 centrais em que se exige mais presença no momento ofensivo, é um elemento completamente vulgar) e Garay no 11 inicial. Mas a surpresa mesmo foi a aposta no veterano Maxi Rodriguez (nem se deu pela presença dele). Na frente, Aguero e Di Maria foram mais esforçados que produtivos.
Bósnia - Jogo de estreia numa competição internacional e não podia começar pior. Um auto-golo aos 3 minutos frente a um dos 4 candidatos ao título condiciona qualquer estratégia, mesmo assim a resposta na 1ª parte foi positiva. Pjanic e Misimovic acrescentaram técnica ao jogo, Lulic apareceu algumas vezes em zonas de finalização. E ao intervalo o resultado era injusto. No entanto no 2º tempo o nível caiu um pouco. os médios tiveram menos bola e a equipa nunca conseguiu alimentar a sua referência, Dzeko.

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.