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A-24

Multiplicai-vos e crescei

por A-24, em 23.08.14
A Batalha


O Parlamento aprovou mais uma proibição. No Irão passou a ser proibido que os médicos pratiquem actos que impeçam os pacientes de ter descendência de forma permanente. A lei vai no mesmo sentido das indicações do líder supremo, o Ayatollah Ali Khamenei, que pretende duplicar a população do Irão. No princípio do ano, Ali Khamenei referiu mesmo que “o Irão deveria ser um país de 150 milhões de pessoas e não de 77″, como é na actualidade. A lei prevê uma excepção à regra: os médicos poderão levar a cabo este tipo de intervenções quando não efectuá-las resulte em colocar em risco a saúde do paciente. A lei prevê também outra proibição complementar: os meios de comunicação social ficam impedidos de publicarem artigos que possam pormover o controlo da natalidade. Em Junho, o Parlamento aprovou uma norma geral que estabelece penas de prisão para quem efectue procedimentos de controlo de natalidade. A justificação da lei foi dada pela “necessidade de incrementar a fertilidade no país e impedir que haja uma diminuição da população.” Antes das proibições, as vasectomias deixaram de ser financiadas, em prol da natalidade.
Dentro da maré de proibições, as autoridades iranianas não permitirão que a BBC volte a emitir do país. A promessa foi assegurada pelo Ministro da Cultura e Orientação Islâmica, Alí Yanati. “Não se deu nenhuma licença À BBC e a redacção de notícias daquele canal não irá reabrir. Está claro que os foram indiferentes ou que se opuseram à revolução islâmica e tomaram medidas nesse sentido, nunca gozarão do nosso apoio.” A decisão oficial é produzida alguns dias após se ter anunciado a reabertura para breve da Embaixada britância em Teerão, encerrada em 2011 como protesto político contra a violenta repressão das autoridades iranianas aos manifestantes iranianos que se seguiram à polémica reeleição do Presidente Mahmud Ahmadineyad.
Dois anos após os acontecimentos, os serviços secretos do Irão passaram a considerar que qualquer forma de colaboração com a BBC seria considerada como um acto de espionagem. De passagem, dezenas de pessoas foram acusadas de cooperar com a edição persa da BBC, à qual milhares de iranianos acedem através de satélites, também eles proibidos. A partir de 2013, a repressão aumentou e assumiu as formas de ameaças de morte a jornalistas e seus familiares, perfis falsos nas redes sociais, campanhas de intimidação e descrédito em meios de comunicação afectos ao regime iraniano e que incluíram informações falasas sobre hábitos sexuais, corrupção e tráfico de droga. Recentemente foram detidos e interrogados quatro jornalistas norte-americanos ao serviço do The Washington Post, dois deles fotógrafos. No passado dia quatro de Agosto, Hassan Rohani cumpriu o primeiro ano como Presidente do país mas têm sido moderados os avanços na economia e no capítulo da (falta de) liberdade.