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A-24

Motorola despede 4000 funcionários na corrida por novos smartphones

por A-24, em 13.08.12
A Motorola vai despedir 4000 funcionários e fechar cerca de 30 das 94 delegações a nível mundial. As medidas fazem parte de um plano de reestruturação do Google, a empresa que, desde Maio, detém a fabricante de telemóveis e que prefere concentrar-se na produção de menos smartphones, mas melhores .
Os despedimentos representam 20% dos trabalhadores do fabricante de telemóveis e, de acordo com o jornal norte-americano The New York Times, dois terços das 4000 pessoas trabalham fora dos Estados Unidos.
“A Motorola compromete-se a ajudá-los neste difícil período de transição e vai providenciar-lhes indemnizações generosas, assim como serviços de recolocação para os ajudar a encontrar novos empregos”, escreveram os responsáveis da empresa em comunicado.
A Motorola pretende agora concentrar a actividade na produção de telemóveis topo de gama com sensores que detectam a entrada de pessoas, baterias com mais autonomia e câmaras com mais qualidade. Para tal, está a recrutar especialistas em inteligência artificial.
Estas são as primeiras medidas da reestruturação introduzida pelo Google que, em Maio,adquiriu a Motorola Mobility por 12,5 mil milhões de dólares (cerca de 10,1 mil milhões de euros) para competir no mercado dos smartphones, dos tablets e receptores de televisão. Com cerca de 17.000 patentes, o Google viu um mercado possível para expandir o sistema operativo Android.
Ainda assim, longe vai a década de 1970 em que a empresa de Chicago dominava o mercado dos telemóveis. Agora, a Motorola não é capaz de rivalizar com a Apple a Samsung que, juntas, arrecadam 90% dos lucros do mercado dos smartphones, e tem perdido dinheiro nos últimos tempos.
No primeiro trimestre do ano fiscal de 2012 (Outubro, Novembro e Dezembro de 2011), a empresa perdeu 86 milhões de dólares (cerca de 70 milhões de euros), mais cinco milhões de dólares (aproximadamente quatro milhões de euros) do que no ano anterior.
A Motorola tem neste momento 27 modelos de telemóveis no mercado, tendo lançado cerca de 20 no ano passado. Segundo o presidente da empresa, Dennis Woodside, a especialização em smartphones com mais funcionalidades passa por deixar de produzir modelos de telemóveis mais básicos e concentrar-se em menos modelos, com metade das componentes, mas mais avançados.
“Estamos entusiasmados com o negocio dos smartphones”, disse Woodside ao The New York Times. “O Google é construído com base no modelo em rede e o mundo está mover-se cada vez mais na direcção de um modelo sem rede, por isso vai ser muito importante para o Google entender tudo sobre o consumo de telemóveis”, acrescentou.
Para tornar os telemóveis da Motorola atractivos novamente, Woodside disse estar a estabelecer parcerias com a Agência de Projectos de Investigação de Defesa Avançada do Pentágono (DARPA) que, segundo o The New York Times, está a contratar cientistas, engenheiros acústicos e especialistas em inteligência artificial.
Apesar de o Google ter afirmado, aquando da aquisição, não lhe atribuir qualquer protagonismo em relação às outras empresas, alguns rivais da Motorola como a Sony, a HTC e a LG estão preocupados com a possibilidade de a empresa ser privilegiada e ter acesso a nova tecnologia do Google.

Público

Parecer: Quando as empresas começam a gerar menos lucro ou a perder quota de mercado para a concorrência, lá volta a infeliz ideia de despedir para reduzir despesas. Quando a empresa gera lucro eles estão de parabéns, quando esta deixa de gerá-los, eles já são um problema urgente para resolver. Para quando outra via?