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A-24

Morreu Antonio Tabucchi

por A-24, em 25.03.12
O escritor italiano Antonio Tabucchi morreu de cancro, em Lisboa, aos 68 anos. Tabucchi tinha uma longa ligação com Portugal e era considerado um dos nomes maiores da literatura italiana.
 
Autor de livros como “Afirma Pereira” (1993), obra premiada e que foi adaptada ao cinema com Marcello Mastroianni no papel principal, e "Notturno Indiano" (1984), era também professor de Língua e Literatura Portuguesas na Universidade de Siena.
Um último livro de Tabucchi, "O Tempo Envelhece Depressa", será editado no próximo mês pela Dom Quixote.
Nascido em Pisa, em 1943, cresceu numa pequena povoação próxima daquela cidade. Filho de um comerciante de cavalos, estudou línguas e filosofia, antes de decidir viajar pela Europa. Em Paris, na Sorbonne, descobriu, traduzida para francês, uma colectânea de poemas de Fernando Pessoa (que incluía a Tabacaria), por cuja obra se apaixonou, decidindo estudar português para melhor compreender o poeta.
Tabuchi conhecia Portugal desde os 22 anos e considerava-o o seu "país de adopção". É autor de ensaios sobre o trabalho de Pessoa e, com a companheira, Maria José de Lencastre, traduziu e dirigiu a edição italiana dos textos do autor.
“Veio a Portugal no princípio dos anos 60, conheceu vários portugueses entre os quais Alexandre O’Neill, de quem ficou muito amigo. A partir daí nunca mais perdeu de vista Portugal, casou com uma portuguesa”, recordou Maria Piedade Pereira, a primeira editora de Antonio Tabucchi, então na Quetzal, e que recentemente voltou a trabalhar com o escritor na Dom Quixote.
O livro “Afirma Pereira", um romance político sobre um jornalista português em finais da década de 1930 que vivia alheado da ditadura salazarista, valeu-lhe dois prémios italianos – Via Reggio e Campiello – e o prémio internacional Jean Monet.
Em 1991, escreveu, directamente em português, o romance "Requiem. Uma alucinação", que se passa em Lisboa e no qual um autor italiano se encontra com o espírito de um poeta português já morto.
Segundo Maria Piedade Pereira, a cultura portuguesa está muito reflectida na primeira fase da obra do autor, principalmente o Portugal anterior ao 25 de Abril. “Toda a obra dele está ligada a Portugal”.
“Tabucchi foi um embaixador da cultura portuguesa na Itália e na França”, acrescentou, dando como exemplo o caso da editora Christian Bourgois, que publicou os seus livros em França e que começou a editar a obra de Fernando Pessoa no final da década de 1980.
Entre outras obras, Antonio Tabucchi escreveu uma comédia teatral sobre Pessoa. Recebeu o Prémio Médicis, por “Notturno Indiano”. “Pequenos equívocos sem importância”, “Une baule pieno di gente”, “Os últimos três dias de Fernando Pessoa”, “A cabeça perdida de Damasceno Monteiro” e “Está a fazer-se cada vez mais tarde” são outros títulos do autor.
Segundo Maria Piedade Pereira, o último livro de Tabucchi, ainda por publicar, é um conjunto de nove histórias que estão relacionadas “com a passagem do tempo, com a memória”. Nos próximos três anos a Dom Quixote vai lançar onze livros de Tabucchi entre novidades e reedições, avançou a editora.
O autor escrevia regularmente na imprensa e era um acérrimo defensor da liberdade de expressão. Em 2009, foi processado pelo presidente do Senado italiano, Renato Schifani, na sequência de um artigo publicado no jornal L'Unità, no qual o escritor se colocara ao lado de um jornalista que, no mesmo jornal, notara que os perfis sobre Schifani não mencionavam as ligações do político a pessoas condenadas por laços à máfia. O processo acabou por não ser concluído.
Tabuchi estava internado no Hospital da Cruz Vermelha. O funeral irá decorrer na próxima quinta-feira, em Lisboa.
PÚBLICO 


O escritor italiano Antonio Tabucchi morreu em Lisboa aos 68 anos após uma longa doença, informou neste domingo (25) o tradutor de sua obra para o francês, Bernard Comment.
De acordo com o jornal português "Público", Tabucchi tinha câncer e estava internado no Hospital da Cruz Vermelha. O funeral deve ocorrer na próxima quinta-feira (29), em Lisboa.
Considerado um dos maiores autores italianos contemporâneos, Antonio Tabucchi escreveu obras como "Afirma Pereira" e "O Tempo Envelhece Depressa".
Autor de mais de 20 livros traduzidos para quase 40 idiomas, o romancista, professor universitário e ensaísta era o principal tradutor e promotor da obra do escritor português Fernando Pessoa em italiano.
Em 1991, Tabucchi escreveu em português, o romance "Requiem - Uma Alucinação", que se passa em Lisboa e no qual um autor italiano se encontra com o espírito de um poeta português já morto.
Vários romances de Tabucchi foram adaptados para o cinema, como "Noturno Indiano" (prêmio Médicis estrangeiro, 1987), por Alain Corneau, e "Afirma Pereira", por Roberto Faenza, com Marcello Mastroianni como protagonista, o que contribuiu para o sucesso da obra.
Profesor de literatura portuguesa na Universidade de Siena (Itália), Antonio Tabucchi foi também articulista dos jornais "Corriere della Sera" e "El País". Foi um grande crítico do governo de Silvio Berlusconi.
Filho único de um vendedor de cavalos, Tabucchi, nasceu em 24 de setembro de 1943 em Pisa, na Toscana, estudou filologia românica e, a partir de 1962, literatura em Paris, onde descobriu o poeta Fernando Pessoa ao ler a tradução para o francês de um de seus poemas.
O entusiasmo com a descoberta o levou a estudar português e Portugal se tornou sua segunda pátria. Tabucchi redigiu uma tese sobre o surrealismo em Portugal. Apaixonado por Pessoa, traduziu toda sua obra para o italiano, ao lado da mulher, que conheceu em Portugal.
Segundo a editora Maria Piedade Pereira, ouvida pelo "Público", o último livro de Tabucchi (ainda inédito) é um conjunto de nove histórias que "têm todas a ver com a passagem do tempo, com a memória". Nos próximos três anos a editora Dom Quixote vai lançar em Portugal onze livros de Tabucchi entre novidades e reedições.

FOLHA DE SP

O escritor italiano Antonio Tabucchi, que morreu hoje em Lisboa, era considerado um autor de dimensão universal, com uma voz para lá da literatura e que dizia muitas vezes que sonhava em português.
Antonio Tabucchi, que nasceu em Vecchiano (Pisa) em 1943, descobriu a leitura na infância por culpa de uma fratura num joelho e por causa de um tio, que o ajudou a curar a maleita fornecendo-lhe muitos livros.
Apesar da naturalidade italiana, Tabucchi estava há várias décadas ligado a Portugal, por via de uma admiração profunda pela obra de Fernando Pessoa, que divulgou e traduziu para italiano.
A nacionalidade portuguesa foi-lhe concedida em 2004, uma mera formalidade para quem, como admitiu em várias entrevistas, sonhava frequentemente em português, condição involuntária de quem se considera cativo de um país.
O nome de Fernando Pessoa ficou-lhe marcado no percurso literário como nenhum outro autor, tinha como profissão "professor universitário" em Portugal e Itália, dirigiu o Instituto Italiano de Cultura, mas Antonio Tabucchi deixou sobretudo uma voz própria na literatura, comprometida com um grande sentido cívico.
Deixou publicadas obras como "Afirma Pereira" e "A cabeça perdida de Damasceno Monteiro", duas das que têm Portugal como cenário da ficção, "Nocturno Indiano", "Os últimos três dias de Fernando Pessoa" e "Requiem".                                                                  DN