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A-24

Mirafiori ontem e hoje ou os trabalhadores da Europa numa encruzilhada

por A-24, em 11.10.12
5 dias

Em Turim, em 1969, os operários da Fiat Mirafiori – a maior fábrica da Fiat do mundo inaugurada em 1939 para a guerra por Mussolini – entram em greve. Numa das manifestações, que sai da porta principal de Mirafiori em direcção ao bairro em frente, 40 000 operários juntam-se. De repente, do alto das janelas dos prédios, começam a cair vasos de flores, em direcção à cabeça dos polícias - foi o primeiro sinal que parte do população de Turim estava com os operários.
Hoje a Fiat tem cerca de 10 000 operários em toda a Itália – sobrevive pela Chrysler e o mercado norte e sul americano. Os operários da Fiat estão em casa, trabalham 2 dias por mês, e recebem 80% do salário, pago pelo Estado, ou seja, o Estado subsidia a Fiat.
Tenho esperanças que os discursos vazios, que não dizem nada a não ser que a todo o custo se quer manter o pacto social pela via da renegociação da dívida pública, e um apelo à unidade abstracta (estarão os unitários no cerco ao Parlamento convocado para dia 15? tanto quanto estarão na festa de dia 13?) simplesmente sejam papel vazio quando daqui a 1 ou 2 anos o mesmo acontecer às fábricas de automóveis alemães e os trabalhadores da Europa descobrirem que esta crise foi um paraíso ao pé do que nos espera. O que se viu no Congresso das Alternativas foi que a única alternativa - a revolução – não é desejada e que a única que é desejada – o Pacto social – está morta, havendo por aí ainda uns tipos, por sinal todos com mais de 50 anos, que usufruem do seu cadáver e ainda sabem o que é ter um salário e horário de trabalho, e um pouco mais do que o mínimo para a subsistência.
Um dos motores da indústria europeia - a indústria automóvel alemã – colapsa e a queda tendencial da taxa de lucro (haja ou não consumo, com ou sem subsídios descarados) será irreversível - já a falta de coragem da esquerda veremos.