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A-24

Martina Hingis deixa o ténis após teste antidoping positivo por cocaína

por A-24, em 22.06.10
A tenista suíça Martina Hingis, ex-líder do ranking mundial, anunciou ontem o fim da sua carreira, na sequência de um controlo de doping positivo, por detecção de cocaína, registado durante a edição deste ano de Wimbledon, um dos quatro Grand Slams do circuito internacional. Esta informação foi anunciada pela própria Hingis, que negou ter-se dopado.

“Tive um teste positivo, mas nunca pensei em me dopar, nunca me dopei e nunca sequer experimentei drogas. Sinto-me 100 por cento inocente”, afirmou Hingis num comunicado lido pela própria tenista, numa conferência de imprensa sem direito a perguntas em que a suíça considerou a acusação de doping como “horrenda” e “monstruosa”. “Pessoalmente ficaria aterrorizada ao tomar drogas. Quando fui informada [sobre o teste positivo] fiquei chocada e atemorizada”, vincou Hingis, citada pela Reuters.
Na comunicação à imprensa, Hingis deu logo a indicação de como será estruturada a sua defesa: “O advogado e os seus peritos descobriram várias inconsistências com a amostra de urina que foi colhida em Wimbledon. Ele também está convencido que os oficiais antidopagem manejaram mal o processo e não seriam capazes de provar que a urina que acusou cocaína era minha.”

Apesar de ser uma droga social, a cocaína está incluída na lista de estimulantes proibidos no desporto, nomeadamente em competição. A WTA, associação de ténis profissional feminino, organismo que rege o circuito mundial, emitiu um comunicado, por intermédio do seu presidente, Larry Scot, afirmando que “o WTA Tour não recebeu qualquer informação oficial em relativamente ao alegado teste de doping positivo e, por isso, não está em condições de comentar”.
À imprensa, a tenista afirmou ainda que não pretende que “os próximos anos” da sua vida sejam “reduzidos a combater os oficiais antidoping”: “O facto é que tem sido cada vez mais difícil para mim, fisicamente, manter-me no topo. E, francamente, acusações como esta não me dão propriamente motivação para sequer fazer uma tentativa [para continuar]. Por isso, considerando esta situação, a minha idade e os problemas que tenho tido na minha coxa, decidi não jogar mais ténis no circuito.

Hingis foi número um mundial com apenas 16 meses, seis meses e um dia, o que constituiu um recorde. Antes de ter abandonado a carreira pela primeira vez, em 2003, devido a lesões, ganhou cinco provas do Grand Slam: três Open da Austrália, um dos EUA e um torneio de Wimbledon. Regressou em 2006, de forma surpreendente, e ainda ganhou três títulos (Roma, Tóquio e Calcutá), tendo terminado o ano no sexto posto do ranking. A suíça também ficou conhecida por alguns episódios conflituosos: o mais célebre foi o momento em que Hingis disse, em 1999, que jogar contra Amélie Mauresmo era o mesmo que defrontar um meio-homem, por causa da relação lésbica que a tenista francesa mantinha com uma compatriota.
Público  02.11.2007