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A-24

Mais desemprego e mais isolamento cultural e recreativo

por A-24, em 29.01.13
N.P. Com bilhetes a rondarem os sete euros, com o IVA que subiu de 6 para 13%, com o balde de pipocas, bebidas e afins, o pacote para assistir a um filme pode atingir os vinte euros, o que tornou o cinema um luxo ao alcance de poucos. Ah e tal, tem de ser com austeridade que lá iremos! Resultados: Mais desemprego e mais isolamento cultural e recreativo, sobretudo para quem mora longe dos grandes centros urbanos. Assim vai Portugal.
"A exibidora Socorama Castello-Lopes vai encerrar até quinta-feira 49 das 106 salas de cinema que detém, levando ao despedimento de 75 trabalhadores, disse na terça-feira à agência Lusa um dos responsáveis da empresa. Desses 49 ecrãs, oito representam a inexistência de exibição cinematográfica no arquipélago dos Açores (quatro salas) e no distrito de Viana do Castelo (quatro salas), ficando também Covilhã, Loures, São João da Madeira, Guia e Seixal sem cinemas (32 salas).

A decisão afectará oito complexos de cinema localizados em centros comerciais do grupo Sonae Sierra [do mesmo grupo a que pertence o PÚBLICO] em Viana do Castelo (quatro salas, as únicas no distrito), São João da Madeira (cinco ecrãs, os únicos da localidade), Covilhã (quatro salas, as únicas no concelho, restando um cinema multiplex na sede do distrito de Castelo Branco), Leiria (sete salas), Loures (o fecho das sete salas da Castello-Lopes faz com que a cidade fique sem cinemas), Seixal (fica também sem cinemas fechando a exploração destes sete ecrãs), Guia (nove salas que ficam sem exploração) e Ponta Delgada (quatro salas, as únicas do arquipélago dos Açores).

“Não conseguimos chegar a acordo [com a Sonae Sierra] para dar continuidade à exploração de cinema. Eram condições impossíveis de continuar dada a quebra no sector”, justificou João Paulo Abreu, da administração da exibidora. Questionado pelo PÚBLICO quanto a essas condições e às negociações com a Sonae Sierra, João Paulo Abreu indicou apenas que "os preços estipulados" eram incompatíveis com "as quebras significativas" sofridas pela Socorama-Castello Lopes Cinemas em termos de receitas provenientes das bilheteiras.
O despedimento colectivo abrangerá 55 trabalhadores. Além destes, a empresa não renovará contrato com outros 20 funcionários. João Paulo Abreu afirmou que os trabalhadores serão informados da decisão até quinta-feira.
O administrador lamentou o encerramento das salas, pelos despedimentos e pela redução de oferta cinematográfica em algumas localidades - como Viana do Castelo e Ponta Delgada - e afirmou que a empresa “tentará reunir as condições para manter as outras salas”. Ao PÚBLICO, João Paulo Abreu adiantou que a Socorama-Castello Lopes vai "sofrer uma reestruturação profunda" para "continuar com os outro oito complexos em funcionamento", que incluem cerca de 40 ecrãs de cinema.
A Socorama Castello-Lopes detém 106 salas de cinema e em 2012 registou 12,6 milhões de euros de receita bruta de bilheteira. Apesar de ser a segunda maior exibidora, atrás da Zon Lusomundo Cinemas, a Castello-Lopes registou uma quebra de 1,7 milhões de euros em relação a 2011. Quanto ao número de espectadores, de acordo com dados do Instituto do Cinema e Audiovisual de 2012, a empresa registou também quebras - por retracção do consumo dos portugueses - de cerca de 375 mil bilhetes vendidos.
Em 2011, já tinha sido dado um alerta sobre as condições laborais da empresa, quando os trabalhadores anunciaram a realização de uma greve pelo pagamento em atraso do subsídio do Natal. Na altura, a greve envolveu projeccionistas, funcionários de bilheteira e gerentes de sala da exibidora.