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A-24

Jogos Olímpicos de Londres 2012, um fracasso dos atletas portugueses ou os resultados possíveis? Depende da perspectiva….

por A-24, em 07.08.12
Esta é a grande questão que se debate por estes dias, pelo menos pelos mais interessados apaixonados e críticos do desporto em geral. Como podemos competir com potências ou outros países em que o tempo de treino e as condições económicas ultrapassa o dobro ou o triplo em alguns casos?! Bem obviamente que devemos ter sempre presente uma cultura de exigência. O mínimo que se pode exigir aos atletas é que igualem os tempos de qualificação ou tentem bater os recordes nacionais. O judo e a natação têm protagonizado exibições e participações muito abaixo do que era esperado, e para isso basta ouvir as análises dos próprios atletas e perceber o seu desânimo e descontentamento. Muitos afirmam que não conseguiram melhor porque não estavam num dia bom ou ainda sou muito novo ou não tenho condições etc…Deixamos uma declaração que nos pareceu a mais ajustada à realidade actual. Disse a ginasta Zoi Lima depois da sua participação nos JO 2012, “O problema é conciliar os estudos com os treinos e competição”.

Pois bem vamos por partes, não vale a pena falarmos em condições financeiras pois sabemos que isso não se alterará devido à crise que atinge todo o mundo principalmente a europa. Outra questão e com que olhos os responsáveis e “donos” do país olham para o desporto, neste campo vamos pessimamente, pois quando se aprova uma lei que diz que a avaliação da disciplina de educação física passará a não contar para a média final no secundário, não estamos a estagnar mas sim a regredir drasticamente. Que mensagem querem transmitir aos jovens? Do passado para o presente qual foi a grande mudança nos 3 grandes clubes de futebol em Portugal? Aos seus atletas e futebolistas foi exigido boa prestação escolar porque não só salvaguarda o seu futuro como está mais que provado que desporto e educação escolar devem andar de mãos dadas. Ora se uns melhoraram e dão exemplo ao contrário já não se aplica porquê? Só os doutores e economistas e que elevam o nome de Portugal? A solução está em criarmos um sistema para os atletas/estudantes que competem a nível profissional de modo a que não sejam prejudicados em nenhuma das áreas. Isto é complicado ou complexo? Não, o problema é que em Portugal toda a gente tem preguiça e ninguém tem vontade de tentar mudar o cenário actual. O atleta chega à aula e diz ao professor que tem que fazer o teste noutra data, ao que o professor responde que não há problema mas que o seu teste terá que ser bem mais difícil do que o dos restantes colegas. Desculpem, isto é a sério? Então estamos a dificultar a vida a um ser humano, um jovem que quer praticar e fazer o que mais gosta, que acima de tudo quer cumprir sonhos e representar e elevar o nosso país ao máximo? 

Mas o que fazer para conseguir ter atletas mais e melhores atletas? Parece claro que o futuro está no desporto escolar, sendo que a partir daqui podemos ter várias formas de desenvolver todo o potencial de um atleta. Poderíamos alterar ligeiramente o programa curricular de educação física (terminar com o espaço dado ao futebol, pois é tempo inútil visto que pode ser praticado em qualquer lado e os bons valores não vão evoluir nas aulas), onde a solução passaria por aumentar os horizontes, ou seja, ensinar outro tipo de modalidades, como a ginástica, atletismo, judo, tudo isto incluído num programa que começaria no 4º ano de escolaridade e acabaria no 12º ano, o que permitiria descobrir e desenvolver os talentos que apareçam. Por outro lado deveriam ser implementadas mais competições entre escolas, porque como se vê nestes JO, treinar não é o mesmo que competir. A afirmação do atleta e ultima fase de desenvolvimento começa a partir do 12ª ano de escolaridade, que é exactamente onde começam os maiores problemas dos atletas portugueses. A grande revolução, pois não tem outro nome tal é o nosso atraso em relação à mentalidade e ao avanço dos outros países, passaria por construir um ou dois campus de treinos e de estudo ao mesmo tempo (género aldeias olímpicas), uma situada a norte do pais e outra no centro/sul. Os jovens tirariam o curso que bem entenderem e teriam direito a bolsas e subsidio (como acontece nos EUA e noutros países), daríamos emprego a muitos professores e claro a probabilidade de termos êxito seria muito maior. O problema está no investimento e os encargos que traria, sendo bom relembrar que este teria proveitos futuros, não seria dos maiores investimentos feitos pelo país quer no passado quer no presente, e até ajudaria a tornar a sociedade mais saudável. Sendo esta ideia um pouco utópica não só devido à cultura e mentalidade dos portugueses mas também a que nos próximos 3 ou 4 anos o país não pode gastar tanto dinheiro, poder-se-ia pelo menos criar uma lei que permitisse e obrigasse as universidades a darem maior flexibilidade de horário e de conclusão de curso estudantes/atletas (estes fariam as frequências e exames que estão estipulados desde que isso não atrapalhasse as competições o que permitiria pelo menos ao atleta, como já referi, pelo menos maior numero de horas de treino e maior focalização no que está a fazer, sem se preocupar em demasia com a faculdade). Contudo sabemos que é muito difícil mexer uma pena ou uma palha por este assunto. Assim vai o nosso país e a nossa mentalidade. Como diz o outro…..é artista português e chega!!!

Tiago Amado para o Visão de Mercado