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A-24

(Itália) Sílvio Berlusconi, uma história que cruza a política e o futebol

por A-24, em 23.03.11
Helicópteros a rasgar o céu azul e o inconfundível barulho das hélices ao som da obra-prima de Richard Wagner, "The Ride of the Valkyries". Podia ser o "Apocalypse Now", mas não. É Silvio Berlusconi a apresentar-se oficialmente aos adeptos do Milan como novo presidente do clube.
Filho de um bancário e de uma secretária, criado numa Itália em reconstrução, após a espalhafatosa derrota na Segunda Guerra Mundial, o pequeno Silvio sonha com riqueza e poder. Domingo sim, domingo não, o pai leva-o pela mão a ver o Milan do trio de suecos Gre-No-Li (Gren, Nordahl e Liedholm). Aos 18 anos, Berlusconi já é corrector de imóveis, profissão que divide com a de cantor (pimba, imaginamos nós) em cruzeiros pelo Mediterrâneo.
Na Universidade de Milão, estuda Direito (por linhas tortas...) e entra no negócio das empresas de construção. Funda a Cantieri Riuniti Milanese, em 1961, e a Edilnord di Silvio Berlusconi & Co., em 1963. Aos 23 anos e à frente de uma equipa de jovens arquitectos, edifica dois grandes conjuntos residenciais nos arredores de Milão. Ainda hoje é acusado de charlatão pelas figuras mais influentes da sociedade italiana, como o realizador Nanni Moretti. Silvio segue imperturbável. Ganha (má) fama e (bom) dinheiro.
Nos anos 70, larga a construção e dedica-se à comunicação. Compra um canal de televisão de 1974 e logo expande o negócio no sector, multiplicando as emissoras através de uma rede de televisões locais, reunidas na empresa Mediaset. A programação é chapa cinco: concursos à Luís Pereira de Sousa e programas de entretenimento à Júlio Isidro.
Em 1985, o governo francês concede-lhe a primeira rede privada daquele país, La Cinq. Uns meses depois, Berlusconi adquire acções da Chain e da Cinema 5. Em seguida, compra os Estúdios Roma. O céu é o limite. E lá voltamos nós aos helicópteros. No dia 20 de Fevereiro de 1986, faz uma oferta de compra ao Milan, o moribundo Milan, que passara duas épocas na 2.a divisão e tem dívidas que nunca mais acabam, via má gestão do presidente "Giussy" Farina. À porta do centro de estádio Milanello, havia mais credores que jornalistas.
A 23 de Março de 1986, confirma-se a compra do Milan por parte de Berlusconi. Faz hoje 25 anos. O treinador era o sueco Nils Liedholm, um dos integrantes do Gre-No-Li. A equipa já era capitaneada por Franco Baresi, que recorda as primeiras palavras do Il Cavaliere: Vamos ser os melhores do mundo. "Aquilo fez-me confusão. Aliás, fez-me rir! Tão só porque nem sequer éramos os melhores de Milão, quanto mais de Itália, Europa, mundo. Mas depois..."
Depois, o Milan cresce. Berlusconi descobre Arrigo Sacchi e contrata Van Basten mais Gullit. No primeiro dia da pré- -época, à porta de Milanello, não há credores. Só jornalistas, embasbacados com aquele cenário. Ao som de "The Ride of the Valkyries", chegam os helicópteros, e os jogadores apresentam-se um a um. "Bem sei que fui gozado mas precisava de um espectáculo daqueles para mudar a mentalidade do Milan", justifica Berlusconi. É o delírio. Os lugares cativos do Estádio Giuseppe Meazza ficam lotados em Julho, algo nunca visto. Antes de Silvio, o Milan levanta 25 troféus. Pós-Silvio, já são 26, com sete scudetti, cinco Champions e três Mundiais. É o clube com mais títulos internacionais do mundo, a par do Boca Juniors (18). Música, maestro!

Lista do top 20 de clubes mais titulados na era-Berlusconi
46 FC Porto
39 Rangers
35 Manchester United
34 Bayern Munique
33 Barcelona
28 Real Madrid
28 PSV Eindhoven
28 Ajax
26 Milan
21 Liverpool
21 Celtic
19 Inter
18 Arsenal
18 Juventus
17 Chelsea
16 Olympique Lyon
15 Benfica
15 Werder Bremen
14 Paris SG
12 Sporting
Nota: só clubes que chegaram às finais europeias (Taça/Liga dos Campeões, Taça das Taças e Taça UEFA) na presidência Berlusconi, ou seja, desde Março de 1986

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