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A-24

Inês Oliveira

por A-24, em 28.04.13

Fixemos este nome. Trata-se de uma jovem realizadora com problemas mentais sérios. Esta fulana realizou o filme Bobô (não confundir com Aniki-Bobó ou anda aqui e faz-me um bobó), um filme que versa assuntos do interesse da comunidade guineense em Portugal. Entre eles a mutilação genital feminina que, como se sabe, é ilegalmente praticada em Portugal por elementos dessa comunidade, embora a Inês, na sua ingenuidade, pensasse que tal prática "acontecia muito longe, entre tambores em África" e - acrescento eu - com pretinhos descalços e ranhosos a comer arroz com as mãos, único alimento disponível que lhes fora enviado pelo Bob Geldof. A Inês, coitada, é uma pessoa ignorante e muito limitada. Provavelmente nem sabia onde ficava a Guiné-Bissau. Mas tem opiniões muito próprias e defende-as com firmeza. Para ela, a mutilação genital feminina é vista por muitos como uma barbárie, mas não. Parece que é um acto civilizacional. E, como tal, perfeitamente legítimo, calcula-se. Foi também por isso que ela decidiu abordar o problema de forma simbólica, seja lá isso o que for. Aliás, o próprio acto da mutilação nem devia ser chamado como tal, manifestação cultural que é. Para a Inês, aliás, é uma coisa tipo comer bacalhau: "Como os portugueses em França também comem o seu bacalhau sempre que podem e ouvem a música portuguesa e há ali uma exacerbação do ser português, também os guineenses assim o fazem, porque há uma luta de sobrevivência da sua identidade, étnica e nacional", compara. É isso. Sendo que a mutilação faz parte integrante dessa sobrevivência. Mais ou menos como a escravatura fazia parte da identidade nacional portuguesa antes da abolição da mesma. Ou como o velho e tradicional hábito de dar porrada nas mulheres quando o Glorioso não ganhava. Porque é assim que se constroem as civilizações e a cultura. E, porque não dizê-lo, com gente como a Inês, corajosa, cosmopolita, capaz de enfrentar os problemas e de criar pontes e quebrar estereótipos. Que às vezes lhe pare a cassete é apenas um pormenor em alguém que sabe que a mutilação genital feminina é apenas uma questão cultural. Mais ou menos como apedrejar mulheres por adultério ou cortar mãos por roubo ou assim. E, afinal, quem somos nós para criticar?

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