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A-24

Fracasso da alta velocidade na Benelux

por A-24, em 24.01.13
Menos de seis semanas após a sua inauguração – e uma infinidade de problemas técnicos mais tarde – o comboio de alta velocidade Fyra entre Amesterdão e Bruxelas foi suspenso. Um fiasco que põe em causa a forma como os contratos internacionais de fornecimento são adjudicados.


Ao admitir que está "farto disto tudo", o diretor executivo da empresa belga de caminhos-de-ferro NMBS, Marc Descheemaecker, exprimiu a opinião de muitos passageiros do comboio de alta velocidade Fyra.
O diretor da NMBS deixou que a sua irritação fosse visível a 21 de janeiro,durante o programa de televisão De zevende dag, transmitido pela VRT. O Fyra, o comboio que deveria fazer a ligação de alta velocidade entre Amesterdão e Bruxelas, é um fracasso. Desde o início que a pontualidade deixava muito a desejar [ver abaixo] e, desde o passado fim de semana, o comboio pura e simplesmente não circula – uma situação que poderá manter-se por vários meses.
As causas variaram entre obstáculos na via a problemas na infraestrutura em Roterdão. Também foram frequentemente referidos problemas de TIC [informação e comunicação] que atrasavam os comboios ou os faziam parar entre estações por períodos indefinidos de tempo. Segundo parece agora, problemas técnicos do material rolante, o V250, também são motivo de sérias preocupações.

Ter cuidado com os tostões e perder milhões
Aparentemente, os comboios não têm condições para enfrentar blocos de gelo. Foram encontrados na via um pedaço de carroçaria e uma grelha de proteção do comboio Fyra. Não é de espantar que a secção de segurança dos caminhos-de-ferro belgas tenha proibido a circulação [a 18 de janeiro].
Os dedos acusatórios estão agora apontados ao fabricante, a empresa italiana AnsaldoBreda, que emitiu um apressado pedido de desculpas. Mas a questão é também o motivo por que a NS-Hispeed e a NMBS optaram por este fornecedor e não por construtoras mais conhecidas de material rolante da rede europeia, como a Siemens, a Alstom ou a Bombardier. Tratar-se-á de um caso típico de "ter cuidado com os tostões e, mais tarde, perder milhões"?
A secretária de Estado holandesa Wilma Mansveld (Infraestruturas, Partido Trabalhista) comprometeu-se a disponibilizar um serviço de comboios alternativo, segundo uma carta enviada a 22 de janeiro, à Câmara Baixa do parlamento holandês.
Paciência esgota-se
Tudo indica que a paciência que a secretária de Estado demonstrou inicialmente em relação ao Fyra está a esgotar-se. Wilma Mansveld vai utilizar os poderes de que dispõe para vincular os operadores de transportes aos acordos firmados quando a concessão foi atribuída e para os obrigar a fazer novos acordos.
Na verdade, é o mínimo que pode fazer. Além de, evidentemente, exigir que a NS e a NMBS realizem uma investigação aprofundada sobre a causa de tal fracasso.
Isso significará igualmente reabrir as discussões entre belgas e holandeses sobre a ligação ferroviária de alta velocidade – que, nem mesmo nos melhores momentos, foram marcadas pela flexibilidade –, numa altura em que o futuro do Fyra está em jogo.
Os passageiros só podem ter esperança que, de tudo isto, resulte um horário fiável. Afinal de contas, a fiabilidade é muito mais importante do que a falsa promessa de alta velocidade.