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A-24

Eurodeputado neonazi da Hungria descobriu que tinha raízes judaicas

por A-24, em 17.08.12
Csanad Szegedi, 29 anos, era uma estrela no partido de extrema-direita Jobbik, na Hungria. Crítico de ciganos e de judeus, Szegedi é, afinal, ele próprio judeu e descobriu-o há dois anos. O partido não via nisso um problema, mas forçou-o a demitir-se porque tentou escondê-lo durante meses, até com tentativas de suborno.
Szegedi classificava os judeus como ameaça aos símbolos da Hungria, acusando-os também de terem "açambarcado o país". Porém, em 2010, soube que era descendente de judeus.
A verdade sobre os avós maternos – uma sobrevivente de Auschwitz e um sobrevivente de campos de trabalho forçado geridos pelos nazis de Adolf Hitler – foi-lhe revelada por um homem, Zoltan Ambrus, que cumpria pena de prisão devido a um caso que envolvia posse de armas e explosivos. 

Ambrus sustentou, num encontro entre os dois, que tinha documentos que provavam as raízes judaicas de Szegedi – que fará 30 anos em Setembro e que saltou para a ribalta em 2007, quando fundou a Guarda Húngara, uma organização nacionalista, proibida dois anos mais tarde.
De acordo com a agência de notícias Associated Press, a conversa entre os dois foi gravada e o registo áudio mostra que Szegedi ficou surpreendido com a revelação. Tentou depois comprar o silêncio de Ambrus oferecendo-lhe dinheiro e um cargo no Parlamento Europeu, para o qual tinha sido eleito deputado.
A gravação foi parar à Internet e alimentou especulações. Até que, no passado mês de Junho, Szegedi veio a público, sob pressão, confirmar que tinha sangue judeu, embora sublinhasse que não professava o judaísmo. 
Tentou também negar que fosse anti-semita, mas diferentes registos de intervenções públicas no passado demonstravam que ele não se coibia de atacar os judeus.
O líder do Jobbik, Gábor Vona, garante que o partido não investiga o passado familiar dos seus membros, e que apenas está a exigir o afastamento de Szegedi por causa da tentativa de suborno em que foi apanhado.
Depois de admitir em público a verdade sobre a família, Szegedi encontrou-se com um rabi, Slomo Koves, perante o qual se desculpou por qualquer comentário ofensivo para os judeus que possa ter feito, prometendo igualmente visitar Auschwitz para prestar homenagem à memória dos judeus mortos naquele campo alemão de extermínio. Jobbik demitiu-se também dos cargos partidários e está a ser pressionado para deixar o lugar de eurodeputado em Estrasburgo.

Em Abril, o Jobbik tornou-se a terceira força política na Hungria, e entrou pela primeira vez no parlamento húngaro, elegendo 47 deputados com 16,67% dos votos. As eleições legislativas foram ganhas pelo partido de centro-direita Fidesz. A ascensão da extrema-direita marca, aliás, o contexto político actual da Hungria. 
O próprio partido do Governo é conotado com posições mais extremistas, sendo-lhe frequentemente atribuído o pecado de não se distanciar suficientemente, em algumas matérias, das opiniões do Jobbik. De resto, tem ajudado mesmo a reabilitar figuras históricas do país ligadas ao nazismo, como o escritor József Nyírö, um fascista incluído no novo currículo escolar, de leitura obrigatória. 
Por mão do Jobbik, outra figura tem sido proclamada aos quatro ventos, a do almirante Miklós Horthy, que governou os húngaros entre as duas guerras mundiais do século XX, se aliou a Hitler e praticou leis antisemitas).

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