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A-24

EUA aceitam a divisão da Ucrânia

por A-24, em 23.04.14
Da Russia

Os dirigentes das diplomacias russa e norte-americana, respectivamente Serguei Lavrov e John Kerry, encontraram-se em Paris para discutir a complexa situação na Ucrânia e acordaram tomar medidas para abrandar a situação na região no campo da segurança e da política.
Além de defenderem a realização de uma ampla reforma constitucional naquele país, Moscovo e Washington, segundo a agência russa Ria-Novosti, defenderam a federalização da Ucrânia, frisando, porém, que só aos ucranianos pertencerá a última palavra.
Antes desta reunião, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia respondeu assim à proposta russa de federalização: “Porque é que a Rússia não preenche o federalismo, que, a propósito, está fixado no nome oficial do estado, com um conteúdo real, e não apenas declarativo?”
Segundo a diplomacia ucraniana, “O tom de ultimato e se sermão mostra que ao verdadeiro agressor, à Rússia, não interessa qualquer regularização. Esse agressor exige apenas uma coisa apontado os canos das suas metralhadoras:a capitulação total da Ucrânia, a sua divisão e a destruição do estado ucraniano”.
Washington parece não ter ouvido esse apelo, bem pelo contrário. Pelo vistos, John Kerry acredita que Washington e Moscovo têm o mesmo conceito de federação, embora seja difícil acreditar que ele não saiba que, por exemplo, a República da Tartária não tem qualquer tipo de autonomia na Federação da Rússia e nem sequer pode sonhar com o estatuto de qualquer estado norte-americano.
Como é sabido, recentemente, Victor Ianukovitch, ainda Presidente da Ucrânia para alguns, defendeu a realização de referendos em cada região ucraniana para definir o seu estatuto no seio desse país.
Os dirigentes do actual governo de Kiev, bem como políticos de peso como antiga primeira-ministra Iúlia Timochenko, estão completamente contra essa proposta, pois consideram, e com razões para isso, que esse será mais um passo rumo à desintegração da Ucrânia.
O chamado Ocidente, depois de engolir a anexação da Crimeia pela Rússia, tenta apaziguar o Kremlin, cedendo em questões tão importantes como a futura estrutura estatal da Ucrânia. E envereda pelo caminho mais perigoso, que é permitir que, no futuro, regiões do Sul e do Leste do país “adiram voluntariamente” ou “reforcem os laços fraternais com a Rússia”.
Acredito piedosamente nas promessas de Vladimir Putin de que não tenciona enviar tropas para o território ucraniano, pois, por enquanto, não precisa de fazer isso, basta-lhe incentivar o separatismo quando necessário. O pretexto será sempre o mesmo: “defender os direitos dos russófonos e dos russos”. Além disso, com a federalização do país, que Moscovo não quer que seja igual à da Federação da Rússia, país que nada tem de federal, as elites regionais terão o direito de opção. E logo que alguma coisa não agrade ao Kremlin, este irá levantar o barulho do costume e repetir as experiências da Ossétia do Sul, Abkházia e Crimeia.
Se o chamado Ocidente já engoliu essas pílulas amargas, pode engolir ainda mais. Tanto mais que alguns dos “pequenos chacais” que fazem parte da União Europeia: Roménia, Hungria e Polónia, até poderão roubar também o seu pedaço. A Ucrânia poderá ficar reduzida à sua parte central.
A História mostra que esta política de cedências deu sempre maus resultados, mas parece que os actuais diplomatas não são fortes nessa disciplina.