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A-24

Escócia continua a ser parte do Reino Unido. "Não" venceu com 55%

por A-24, em 19.09.14


O “não” à independência da Escócia ganhou com uma vantagem de dez pontos percentuais, mas o verdadeiro resultado final pode ter mais consequências para o Reino Unido do que se esperava: o primeiro-ministro escocês, Alex Salmond, já avisou que vai cobrar as promessas de maior autonomia feitas por Londres e o chefe do Governo britânico, David Cameron, respondeu com uma proposta de reforma constitucional que também prevê um reforço dos poderes dos deputados ingleses.
As sondagens das últimas semanas indicavam um resultado mais renhido, mas as empresas de estudos de opinião tinham avisado que os cálculos podiam bater muito ao lado, o que acabou por acontecer.
O "não" recolheu 55,3% dos votos e o "sim" 44,7%, depois de várias sondagens terem apontado para um empate técnico. Traduzido em número de eleitores, dois milhões de escoceses deixaram bem claro que preferem continuar a fazer parte do Reino Unido, mais 400 mil do que os defensores da independência.
O "sim" até ganhou com votações expressivas em grandes regiões, como Glasgow e Dundee, mas na grande maioria do território os escoceses votaram preferencialmente a favor da manutenção no Reino Unido.
Em Edimburgo, o "não" registou 61,1% dos votos, sendo este um dos dez círculos em que a rejeição da independência ficou acima da barreira dos 60% – nas ilhas Orkney o “não” obteve 67,2% e nas Shetland 63,7%.
Além de Glasgow, o "sim" venceu em West Dunbartonshire (54%), Dundee (57%) e North Lanarkshire (51%).
A afluência às urnas foi histórica, algo que já não se via numa votação desde a década de 1950 – 84,59% dos eleitores responderam à chamada.
É um resultado que pode ser aproveitado por ambas as partes para reclamar um prémio – maior para Londres, porque o resultado foi mais expressivo do que faziam prever as sondagens mais recentes, e um prémio de consolação bastante generoso para os independentistas, porque foi este referendo que lhes abriu as portas a uma autonomia mais alargada.
Estes dois sentimentos ficaram bem patentes nos discursos do primeiro-ministro escocês, Alex Salmond, e do chefe do Governo do Reino Unido, David Cameron.
Salmond aceitou a derrota, mas incluiu duas palavras no seu discurso que têm como objectivo continuar a deixar Londres em sentido – sim, os escoceses decidiram permanecer no Reino Unido, mas apenas "nesta fase".
"É importante dizer que o nosso referendo foi um processo consentido e acordado e que a Escócia decidiu por maioria não se tornar, nesta fase, num país independente", disse Salmond. "Aceito o veredicto do povo e apelo a todos na Escócia a fazerem o mesmo e a aceitarem o veredicto democrático do povo da Escócia"
O líder da campanha pelo “sim” agradeceu às pessoas que o acompanharam no sentido de voto, e sublinhou que ter "1,6 milhões de pessoas" (1.617.989, segundo os números oficiais) a pedir a saída do Reino Unido "é uma votação substancial pela independência da Escócia".
"Uma afluência de 86% é uma das mais elevadas de sempre no mundo democrático em qualquer eleição ou referendo. Foi um triunfo para o processo democrático e para a participação na política", frisou Alex Salmond.
Mas a aceitação da derrota fez-se acompanhar por um aviso de que as promessas de Londres vão ser cobradas, e não só pelos que votaram a favor da independência.
"Os partidos unionistas prometeram devolver mais poderes à Escócia, nos derradeiros momentos da campanha. A Escócia espera que essas promessas sejam honradas rapidamente", declarou o primeiro-ministro escocês.
No dia 9 de Setembro, numa tentativa de garantir a vitória do "não" no referendo, os líderes dos três partidos unionistas – David Cameron (conservadores), Ed Miliband (trabalhistas) e Nick Clegg (democratas liberais) – prometeram apoiar um plano para a devolução de poderes à Escócia traçado pelo antigo primeiro-ministro britânico Gordon Brown.
David Cameron, que jogava grande parte do seu futuro político neste referendo, acabou por conseguir manter-se à tona, e lançou um contra-ataque que serve também para aplacar a fúria de muitos dos seus colegas de partido contra as promessas de devolução de poderes à Escócia.
"Ouvimos a voz da Escócia, e agora as milhões de vozes da Inglaterra também devem ser ouvidas", disse o primeiro-ministro britânico, na reacção aos resultados do referendo.
Cameron comprometeu-se a cumprir as promessas feitas nos últimos dias da campanha na Escócia, mas elevou a parada, comprometendo-se com uma "revolução de devoluções" em todo o Reino Unido, como escreve o jornal The Guardian.

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