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A-24

Enjeitados da pátria

por A-24, em 30.08.12
Portugal despreza os seus emigrantes. Os cinco milhões de portugueses que vivem no estrangeiro são maltratados por todos os níveis da estrutura do estado.
Desde logo, pelo governo que relega a tutela dos emigrantes para o ministério dos negócios… estrangeiros. Ainda por cima, a secretaria das comunidades é, ali, de menor importância protocolar, o que significa que, para os governantes, os emigrantes são considerados estrangeiros e, pior, estrangeiros de segunda. É crónico o desdém com que a rede consular e diplomática os trata. Os embaixadores, na sua maioria, não querem contaminar-se com o portuguesismo exuberante dos nossos compatriotas. Preferem frequentar beberetes, segurando copos gelados, qual brigada da mão fria.
Também ao nível da representação política os emigrantes são desconsiderados. Um terço da população portuguesa é representado por apenas dois por cento do parlamento, apenas quatro deputados. Ao contrário dos restantes sistemas eleitorais europeus. Na Galiza, por exemplo, a diáspora representa cerca de um quinto do parlamento. Um galego, resida em Vigo ou em Buenos Aires, dispõe exactamente do mesmo tipo de voto, do mesmo peso político.
Mas também as câmaras ostracizam os emigrantes. Muitas das suas repartições estão com serviços reduzidos em pleno Agosto, quando os emigrantes nos visitam. Se estes necessitam de uma certidão, de um registo, ou de resolver qualquer burocracia, só lhes resta voltar no Inverno.
Muitos dos nossos compatriotas tiveram que emigrar porque o país não lhes garantiu qualidade de vida ou até a sobrevivência. Nessa aventura, o país abandona-os à sua sorte. Só o grande amor que têm pela pátria os faz regressar, investir em Portugal, financiar acções solidárias locais e até romarias. Nos períodos de maior crise as suas remessas salvaram o país da bancarrota. São os guardiões da nossa identidade cultural, os maiores foliões das romarias, os adeptos que mais vibram com a selecção de futebol. São os emigrantes que nos dão a garantia de que a nação portuguesa sempre sobreviverá, são eles a nossa reserva. Com maior peso político, constituirão os reforços de que o povo português necessita para se libertar dos incompetentes que nos têm governado.
Paulo Morais, Professor Universitário para o CM

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