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A-24

Depois da devastação, o desafio da recuperação

por A-24, em 02.11.12

Obama aposta na reeleição após gestão da crise gerada pelo furacão  e Romney tira proveito político pedindo donativos em Ohio para vítimas do 'Sandy'. Mortos elevam-se a 62 e danos materiais estão estimados em 20 mil milhões de dólares.
O regresso à rotina com menos energia e transportes públicos. A manchete do jornal "The New York Times" de sexta-feira retrata o esforço que os norte-americanos estão a fazer para prosseguirem o dia-a-dia depois da passagem do furacão "Sandy". Mas o presidente da Câmara Michael Bloomberg aconselha: "Permaneçam em casa. Não queremos mais vítimas".
Os transtornos e as perdas (estimadas em 20 mil milhões de dólares) são considerados descomunais, podendo arrefecer o fraco crescimento económico registado no quarto trimestre. Mas, concretizarem-se as previsões de alguns especialistas, a aposta na reconstrução poderá suavizar o impacto negativo na economia.
Segundo o mais recente balanço, a tormenta provocou pelo menos 131 do Haiti ao Canadá, dos quais 62 nos EUA.
Só na área metropolitana de Nova Iorque, registaram-se 18 mortes. "Esperávamos, um impacto sem precedentes, e foi o que se viu", disse o presidente da Câmara. E cerca de 5,9 milhões de casas em 15 estados dos EUA continuam sem energia elétrica.
Nova Jérsia ficou devastada. A tempestade engoliu quilómetros de costa.

15.400 milhões de euros de prejuízos


Os primeiros cálculos dos danos materiais, incluídas infraestruturas - tais como estradas, pontes, estações de metro, túneis, etc.-, avançados esta manhã, apontam para 20 mil milhões de dólares. Ou seja, 15.400 milhões de euros. Para se ter uma ideia, cada dia de paralisação económica na região entre Nova York e Washington representa perdas de 7700 milhões  de euros.
A título de comparação, o furacão 'Irene', que afetou os EUA no ano passado, causou cerca de 11.500 milhões de euros de prejuízos. Neste caso, porém, o fenómeno ocorreu num fim de semana, o que minimizou os danos. Já o 'Katrina', que arrasou Nova Orleans em 2005, provocou prejuízos de 77 mil milhões de euros.
"Não é catastrófico, mas não é trivial", assegura Gregory Daco, um economista da IHS Global Insight citado pelo "The Wall Stree Journal", acerca dos prejuízos.
De qualquer maneira, os investimentos na reconstrução servirão para neutralizar em boa parte as perdas económicas atuais, como explicou à agência "Reuters" Peter Morici, da Universidade de Maryland.
Segundo o especialista, os danos causados pelo 'Sandy' oscilarão entre os 27 mil milhões e os 35 mil milhões de dólares, os quais vão somar-se aos cerca de 28 mil milhões de gastos que serão necessários para a reconstrução.

Tradicional desfile do Halloween suspenso


Em Nova Iorque, milhões de pessoas continuam sem eletricidade, não têm condições para chegar ao local de trabalho, ou perderam as suas casas ou os seus negócios, varridos pelo furacão.
O fornecimento eletricidade só ficará normalizado no fim de semana. As escolas vão continuar encerradas, os parques também, neste caso por tempo indeterminado. Segundo Bloomberg, pelo menos sete mil árvores tombaram nos parques da cidade. "Afastem-se dos parques", recomenda o autarca novaiorquino.
Pela primeira vez em 39 anos de História, o desfile do Halloween, em Greenwich Village, Nova Iorque, foi suspenso.
Nova Iorque levará vários dias para recuperar a normalidade. O metropolitano, com a sua rede de mil quilómetros de linhas, sofreu os piores danos já registados em 108 anos de existência, e poderá reabrir amanhã com restrições.
Bloomberg disse que apesar de ser prioritária a recuperação dos serviços de autocarros (que  hoje voltaram a funcionar, sendo o transporte gratuito enquanto as estações do metro permanecerem encerradas devido aos danos provocados pelo furação) e de comboios, além do sistema elétrico, ainda não é possível estabelecer um prazo para isso.
Em Connecticut, Nova Jérsia e Nova Iorque, espera-se que muitas estradas e pontes, interrompidas em consequência do fenómeno, comecem a ser reabertas a partir de amanhã.
Pelo túnel Lincoln. sob o rio Hudson, já se circula mas mas apenas numa direção, de Manhattan para Nova Jérsia. Já estão abertas, também, algumas pontes que ligam Manhattan a Broklyn e Queens. O Brooklyn-Battery, o Hugh L.Carey e o Midtow, entre Manhattan e Queens, que nunca antes na sua história esteve encerrado, vão continuar fechados.
Não há previsão para a reabertura normal dos aeroportos, mas espera-se que pelo menos os aeroporto JFK e o Newark Liberty voltaram a funcionar hoje, embora com limitações. 
Depois de dois dias de paralisação forçada por causa do furacão,  a Bolsa de Valores de Nova Iorque reabriu hoje.
Barack Obama (que acredita que a boa gestão da crise gerada pelo 'Sandy' contribuirá para a sua vitória nas presidenciais) cancelou todos os atos de campanha nos últimos dias para conduzir o esforço nacional para superar a tragédia, sendo representado nos comícios por Bill Clinton.
O republicano Mick Romney foi menos subtil, ou seja, não deixou de ir a Ohio, um Estado que não foi afetado pelo furacão mas é fundamental nas eleições, e ali fez campanha para a angariação de donativos para as vítimas do 'Sandy'.