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A-24

De barco ou comboio, Portugal quer exportar mais

por A-24, em 28.10.14
De barco ou comboio, Portugal quer exportar maisPor cada comboio de mercadorias podiam retirar-se 34 camiões das estradas, diz um administrador do grupo Mota-Engil numa análise sobre as trocas comerciais entre Portugal e Espanha.
Nas cargas de curta distância Portugal tem margem de progressão e pode ainda melhorar, sobretudo nos portos de Leixões (na imagem), Aveiro e de Lisboa / Rui Duarte Silva
As ligações de Portugal ao exterior são eficientes e favorecem a economia exportadora? Apesar da ferrovia apresentar vários estrangulamentos que podem comprometer a competitividade da economia, as vias marítimas funcionam. O balanço é favorável.
Estas são algumas linhas de conclusão do primeiro painel sobre as ligações de Portugal ao exterior das V Jornadas Empresariais da Fundação AEP/ Serralves, que decorrem esta quinta-feira na Fundação de Serralves. Durante a sessão, Luís Marques, administrador do Grupo Rangel, detetou fragilidades dos portos nacionais na receção de navios e no limite à capacidade, mas destacou a centralidade de Sines - que coloca Portugal nas rotas de tráficos internacionais - e a capacidade dos restantes portos como vantagens competitivas de Portugal.
Nas cargas de curta distância Portugal tem margem de progressão e pode ainda melhorar, sobretudo nos portos de Leixões, Aveiro e de Lisboa. O porto de Lisboa sofre de alguns constrangimentos nos seus acessos.
Nas ligações ferroviárias, Miguel Lisboa, administrador da Takargo, do grupo Mota-Engil, identificou constrangimentos vários que retiram atração a este modo de transporte. Em Portugal não se pode falar numa rede ferroviária, mas num conjunto de linhas sem coerência interna. A generalidade das ligações ferroviárias encontram-se saturadas com velocidades médias reduzidas e manutenções deficientes e, no caso da zona sul, a situação ainda é mais grave por não ser possível o transporte de mercadorias.
Miguel Lisboa verifica que a margem de progressão do transporte ferroviário se encontra sobretudo no mercado ibérico e admite que neste espaço geográfico a ferrovia pode retirar tráfego ao transporte rodoviário. Além-Pirinéus torna-se mais difícil ser competitivo. porque como verificou o administrador da Takargo o transporte rodoviário, ao reforçar a capacidade, ganha em preço e reduz o custo logístico.

Dificuldades além-Pirinéus
Avaliando a troca de mercadorias entre Portugal e Espanha, Miguel Lisboa verificou que o transporte ferroviário representa apenas 4% dos 23 milhões de toneladas que circulam entre os dois países e que por cada comboio de mercadorias podiam-se retirar 34 camiões das estradas.
Se a ferrovia ganhasse 10% de quota ao transporte rodoviário duplicaria 12 vezes as 40 mil toneladas por ano de transporte entre Portugal e Espanha. É portanto na ferrovia que se detetam os maiores constrangimentos e é isso que impede a eficiência das empresas usando este meio de transporte.
Além-Pirinéus, é possível, também, a ligação dos corredores portugueses às linhas europeias, mas aí o transporte ferroviário terá grandes dificuldades em impor-se ao transporte rodoviário ou transporte marítimo.
O administrador da Takarga deixou ainda um aviso sobre as concorrências do mercado nacional, dizendo que com um operador público como a CP Carga, que tem 90% do mercado e apresenta resultados operacionais negativos de 110 milhões de euros, é impossível haver um mercado liberalizado, saudável e competitivo.
Estas jornadas abriram com uma aula de geopolítica de 40 minutos do professor Jaime Nogueira Pinto, que identificou os riscos iminentes no mundo atual citando a ameaça do Estado Islâmico e a indefinição da fronteiro russo-ucraniana.
Nos dois casos referiu que os serviços secretos ocidentais revelaram negligência e as elites ocidentais europeias arrogância e pouca proatividade. Segundo Jaime Nogueira Pinto, a linha da NATO na Europa deverá recuar para a fronteira da Polónia e dos estados bálticos em vez de chegar à Rússia, como acontece neste momento.
Jaime Nogueira Pinto finalizou apontando como "deveras importante" o acordo comercial celebrado entre a China e a Rússia para o fornecimento de gás, assinado em março de 2014, e que envolve a construção de um gasoduto no valor 50 mil milhões de dólares, por entender que é um sinal de aproximação política e que pode ter outro significado para além da sua dimensão comercial. Expresso

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