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A-24

Costa Rica surpreende Itália e já está nos oitavos-de-final. Colômbia dança vitória e Grécia empata com Japão

por A-24, em 20.06.14

Costa Rica 1-0 Itália


Está consumada a segunda grande surpresa do Mundial 2014. A Costa Rica, uma selecção que em teoria corria por fora no denominado grupo da morte (no qual se incluem três antigos campeões do mundo), já está nos oitavos-de-final da prova. Nesta sexta-feira, surpreendeu a Itália por 1-0, em Recife.

Com Buffon de regresso à baliza, a Itália apresentou uma outra mudança no meio-campo em relação ao encontro com a Inglaterra: saiu Marco Verratti, entrou Thiago Motta. Mas o único jogador a sobressair foi o suspeito do costume. Andrea Pirlo, com um par de passes magistrais, ainda colocou Balotelli por duas vezes em boa situação para marcar, mas o avançado perdeu os duelo com Keylor Navas.
Do outro lado, a Costa Rica não se intimidava e, com um meio-campo de cinco elementos, conseguia anular muitas das saídas dos transalpinos para o ataque. E espreitar também um ou outro lance de perigo. Primeiro na marcação de pontapés de canto, depois num sprint de Joel Campbell que acabou travado por Chiellini já na área. O árbitro nada assinalou, o jogo prosseguiu.a
Pouco depois, aos 44', um cruzamento perfeito de Junior Díaz do lado esquerdo foi correspondido da melhor forma por Bryan Ruiz. O atacante do PSV fugiu à marcação e cabeceou ao segundo poste para o único golo da partida.
No segundo tempo, Cesare Prandelli tentou mexer com o jogo, trocando o discreto Thiago Motta por Antonio Cassano. Mas também não era o dia do jogador do Parma, que tentou rasgar a defesa contrária com passes de ruptura mas sempre sem sucesso. E o mesmo resultados tiveram as entradas de Insigne e Cerci.
Manietada pela defensiva costa-riquenha, que recuava os laterais para compor um quinteto difícil de transpor, a Itália foi-se perdendo em lances inconsequentes e permitindo que o adversário, já com Ureña e Cubero em campo, explorasse o contra-ataque, a sua arma favorita.
Com este resultado, a Costa Rica soma seis pontos em seis possíveis, liderando isolada o Grupo D e já com o passaporte para os oitavos-de-final. Mas a principal vítima deste triunfo nem foi a própria Itália. É que se os transalpinos ficam, agora, à distância de um empate (jogam com o Uruguai na última ronda) para se apurarem, a Inglaterra já pode fazer as malas e regressar a casa.


Colômbia 2-1 Costa do Marfim (James 64´e Quintero 70´; Gervinho 73´)


Os "cafeteros" somaram mais uma vitória na competição (a 2ª, que é o novo recorde colombiano num Mundial) e estão perto de garantir um lugar nos oitavos-de-final da competição. A partida desiludiu na 1ª parte, contudo, os segundos 45 minutos foram de grande nível de parte a parte. James Rodriguez (está em grande), Quintero (estreou-se a marcar) e Cuadrado (mais uma assistência) estiveram em destaque, enquanto Gervinho (golaço) e Aurier (desequilibrador) dão esperança aos costa-marfinenses, que ainda terão que pontuar para chegar à segunda fase. 


Durante os primeiros 45 minutos, assistiu-se a uma partida monótona e sem grandes lances de perigo, com a excepção de um falhanço incrível de Teófilo Gutiérrez (isolado, atirou ao lado). No segundo, os dois conjuntos mostraram mais futebol, com destaque óbvio para os "cafeteros". A equipa sul-americana ainda viu os africanos aproximarem-se com perigo da sua baliza, mas foi Cuadrado a deixar um grande aviso, com um remate à trave (Barry ainda desviou a bola). Pouco tempo depois, foi James Rodriguez a inaugurar o marcador, após pontapé de canto. Cuadrado cruzou para a área, com o ex-FC Porto a entrar de rompante e a cabecear de forma certeira. Aos 70 minutos, Serey Die perdeu a bola no seu meio campo (bom desarme de James) e Teo Gutiérrez assistiu Quintero para o 2-0. O jogo parecia controlado pelos colombianos, contudo, Gervinho deu um ar da sua graça e driblou vários adversários, até bater Ospina pela 1ª vez na competição. Os africanos pressionaram mais na fase final, carregaram sobre a Colômbia, remataram muito, mas foi Quintero a ficar mais próximo do golo, num lance de génio (rematou de bem longe, mas Barry estava atento).
Cuadrado - Mais uma assistência (a 3ª no torneio) e muito espectáculo. Com a sua qualidade técnica foi um dos elementos em destaque, isto num dia em que a Fiorentina adquiriu a totalidade do seu passe. O extremo (que também pode jogar a lateral) estava no clube Viola em regime de co-propriedade com a Udinese, mas agora pertence a 100% ao clube de Florença (pagou 7+15 milhões pelo colombiano, um dos jogadores mais falados do mercado, e só o aceita vender por 35 milhões de euros).
Colômbia - Os "cafeteros" fizeram história com a 2ª vitória na prova (recorde) e estão perto de assegurar um lugar nos oitavos-de-final. Mais uma vez, foram superiores ao seu adversário e contaram com vários jogadores inspirados (especialmente na 2ª parte).Ospina voltou a demonstrar segurança e atenção (destaque para um lance aos 92 minutos), Yepes (jogo 100) e Zapata "apagaram" Bony, enquanto Sanchez encheu o meio campo. No ataque, Teo Gutiérrez falhou uma oportunidade escandalosa, mas ainda foi a tempo de se redimir com uma assistência e Quintero entrou bem na partida (Ibarboesteve longe da exibição anterior). James Rodriguez voltou a mostrar grande qualidade, marcou um excelente golo e ainda criou muitos desequilíbrios no ataque (destaque para a assistência para o falhanço de Gutiérrez).
Costa do Marfim - Os africanos até não realizaram uma má partida, mas foram traídos pelas habituais falhas defensivas. A passividade no 1º golo e um lance infeliz de Serey Die no segundo deitaram tudo a perder, contudo, ficam boas perspectivas para o jogo decisivo frente à Grécia. Aurier foi o elemento mais perigoso dos africanos, com uma exibição de grande nível (bastante ofensivo), Gervinho marcou um golo de grande classe e foi o mais perigoso do ataque, enquanto Touré (pode fazer melhor) deu luta a meio campo. Die foi infeliz, Bolly entrou bem para os últimos 20 minutos (trouxe dinâmica), mas Bony(apagado), Boka (grandes dificuldades na defesa) e Gradel pouco acrescentaram.

Japão 0 - 0 Grécia

Num jogo atípico, comparativamente com os que temos presenciado neste Campeonato do Mundo (pouco espectáculo e sem grande dose emotiva), Japão e Grécia empataram sem golos, o que as coloca em maus lençóis na luta pelo apuramento para a fase seguinte, bem como permite à Colômbia assegurar desde já a presença nos oitavos de final. O primeiro tempo foi desinteressante, com uma Grécia, tal como é seu hábito, a actuar de uma forma bastante recuada, oferecendo o controlo do jogo aos nipónicos. Osako ainda assustou em dois lances, enquanto a Grécia vivia de incursões esporádicas ao meio campo adversário. Curiosamente, após a lesão de Mitroglou (substituído por Gekas aos 35') e expulsão de Katsouranis aos 38', os helénicos subiram de rendimento, colocando em sentido Kawashima, o guardião japonês. Na segunda metade a partida subiu de nível (pior também seria difícil), com boas oportunidades para ambos os conjuntos. Gekas e Okubo desperdiçaram duas excelentes ocasiões para inaugurar o marcador.
Japão - Maior posse de bola e volume de jogo, mas em situações de perigo não se superiorizaram aos gregos. Com mais de 50 minutos em superioridade numérica, os nipónicos desperdiçaram uma excelente oportunidade de arrecadar 3 pontos, preciosos na luta pelo apuramento. Osako esteve bastantes vezes em jogo, demonstrando possuir uma excelente mobilidade. Nagatomo subiu de nível no segundo tempo, onde através de incursões pelo flanco esquerdo efectuou uma série de cruzamentos que levaram perigo à defensiva contrária, enquanto que Kagawa (entrou aos 57') está bem distante do nível evidenciado no Borussia.
Grécia - São, porventura, a pior selecção europeia presente neste Mundial. Com muitas limitações, assumiram um estilo de jogo bastante recuado, vivendo bastante daquilo queSamaras, claramente um elemento acima da média, conseguiu efectuar. Katsouranis, com dois amarelos em 11 minutos por cortar duas jogadas de algum perigo de contra ataque do Japão, revelou alguma infantilidade, ele que é um um dos jogadores com mais experiência na equipa. Mitroglou é hoje uma sombra do goleador da primeira metade da temporada ao serviço do Olympiakos, ao passo que Gekas entrou bem no jogo, criando lances perigosos. Sokratis e Manolas estiveram bem no eixo defensivo. No registo, fica o primeiro jogo em fases finais de Campeonatos do Mundo sem golos sofridos por parte dos helénicos.

Suíça 2-5 França (Dzemaili 81´ e Xhaka 87´; Giroud 17´, Matuidi 18´e Valbuena 40´, Benzema 67´e Sissoko 73´)

Ganhar 3-0 às Honduras é normal, mas vergar assim a Suíça, que foi cabeça de série no sorteio, demonstra força. Desde 2006 (há bastante tempo, portanto) que os gauleses não apresentavam esta qualidade/vontade, mesmo tendo Ribery de fora. A França garantiu praticamente o 1º lugar do grupo E, depois de derrotar a Suiça por 5-2. Um jogo resolvido logo na 1ª parte, fruto do melhor futebol apresentado pelos "Bleus" ao contrário da equipa helvética, que somou erros atrás de erros. Benzema, Matuidi, Valbuena e Giroud foram um pesadelo para os suíços, que ainda conseguiram amenizar a derrota com 2 golos nos últimos 10 minutos. Benzema ficou perto de se tornar no 5º jogador da história a bisar (pelo menos) nos seus 2 primeiros jogos de um Mundial, mas uma inexplicável decisão do árbitro fez com que o avançado do gaulês não se juntasse aos históricos Stabile, Kocsis, Fontaine e Lato. 

Os franceses surgiram melhor sobre o terreno de jogo e cedo começaram a criar perigo. Benzema e Cabaye deram os primeiros avisos, antes de Giroud subir mais alto e cabecear para o 1-0. Na reposição de jogo, Behrami perde a bola de forma comprometedora e Benzema lança Matuidi para o 2-0. O 3º golo esteve próximo, com Benzema a permitir a defesa de Benaglio, numa grande penalidade (Cabaye, na recarga, atirou à trave), mas não tardou. Canto para a Suíça e contra-ataque veloz dos franceses (Giroud assistiu Valbuena). No segundo tempo, a França retirou (um pouco) o pé do acelerador, contudo, isso não os impediu de concretizarem por mais duas vezes. Benzema, depois de uma excelente assistência de Pogba, e Sissoko, após passe do avançado francês fizeram o marcador subir aos 0-5, sendo que o 6º golo ficou perto (Evra e Benzema desperdiçaram). A Suíça reagiu na parte final, com duas excelentes execuções de Dzemaili (livre colocado) e Xhaka (remate de primeira), mas o resultado já estava feito.
Suíça - Um jogo péssimo da selecção helvética, que não parou de cometer erros até durante os 90 minutos. O meio campo foi engolido pela equipa francesa, enquanto a defesa foi completamente destroçada por Benzema e companhia. Salvam-se os dois golos, que atenuaram aquela que seria uma das maiores goleadas dos suíços em Mundiais.Behrami esteve desastroso (ofereceu um golo) e saiu ao intervalo, Senderos (entrou aos 9 minutos) e Djourou foram impotentes para travar o ataque francês e Shaqiri perdeu-se em jogadas individuais. Na frente, Seferovic não teve espaço, enquanto os lateraisRodriguez e Lichtsteiner deram pouca profundidade pelos flancos. 
França - Os "Bleus" realizaram uma partida de grande nível, com forte intensidade e velocidade nas saídas para o ataque. Mesmo sem Ribery e Nasri (com Pogba e Griezmann no banco), Didier Deschamps tem material de sobra para fazer uma gracinha no Brasil.Benzema foi o "homem do jogo", marcou um golo, fez duas assistências e acima de tudo, procurou a bola, jogou e fez jogar. Matuidi, Cabaye e Sissoko fizeram grande pressão sobre o adversário, conseguiram sair a jogar e por pouco, não faziam todos os gosto ao pé (Cabaye atirou à trave). Valbuena foi o maestro francês, acrescentando grande qualidade de passe à equipa, enquanto Giroud abriu o marcador e teve todo o mérito no 3º golo francês (cortou um cruzamento na área e apareceu que nem uma flecha para assistir Valbuena na outra área). O sector defensivo, com excepção dos últimos 10 minutos, esteve seguro, com uma dupla de centrais bastante consistente (Varane e Sakho) e os laterais ofereceram-se muito ao jogo.